Os fogos e o aquecimento global

Após duas semanas de combate ao maior fogo florestal da história da Califórnia, com os fortes meios de que dispõe uma das maiores economias mundiais, só ficará sob controlo em setembro, segundo disseram os experientes e bem preparados bombeiros.

Num ano em que a Sibéria atingiu 40º e sofreu incêndios devastadores, a Escandinávia derreteu e a sua floresta foi devorada pelas chamas, o medonho e trágico incêndio de Mati, na Grécia, ou o de Monchique, em Portugal, são apenas uma antecipação do que nos espera num futuro que já começou e em que cada ano é pior do que o anterior.

Enquanto o gelo derrete nos polos, os glaciares se reduzem metódica e inexoravelmente, e a Terra aquece e caminha para o ponto de não retorno, perante o autismo de dirigentes dos países mais poderosos, em Portugal o fogo é uma arma de arremesso partidário.

No caso português, soma-se ao desordenamento florestal, a estrutura fundiária, a incúria e a impossibilidade de avaliar os meios, as empresas e os bombeiros que combatem os incêndios. Os dirigentes e comandantes de bombeiros nunca têm interesses ligados aos incêndios, os meios de combate são sempre inadequados, os bombeiros perpetuamente abnegados e eficientes, só os governantes são incapazes e um bando de malfeitores.

Morrem os rios, secam os lagos, desaparecem as florestas, escasseiam os solos aráveis, avançam os desertos, contaminam-se os lençóis freáticos, reduz-se a biodiversidade, e há quem pense que a vida humana se perpetuará.

É a miopia, o egoísmo e a insensatez de quem já consumiu os recursos cuja demografia e os hábitos suicidas de alguns impedem a reposição, que vai arrastando o mundo para o abismo que se aproxima.

Explorar os desastres, que os cientistas anunciaram e explicaram, com a incompetência dos governantes do momento, insinuando que sucedem por não ser governo a oposição, é um péssimo contributo para atenuar os danos e dar esperança ao futuro.

"Quem se habitua a enganar os outros, acaba a mentir a si próprio."

Comentários

Manuel Galvão disse…
É o Homem que faz a História, mas não sabe a História que faz...

Quando alguém quer modificar as formas de atuação, logo surge a sinistra pergunta que tudo bloqueia.

Quem é que paga isso?

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