A manifestação das Polícias

Afirmar o direito dos polícias à manifestação é uma banalidade que só a ignorância dos direitos dos cidadãos, que a Constituição consagra, ou as dúvidas sobre a natureza do nosso regime democrático, permitem.

Já a atitude de virarem costas à AR, o órgão nobre de qualquer democracia, cuja defesa lhes cabe, não sendo criminalmente punível, é civicamente ignóbil. Que virem as costas à sede do PS, partido no poder, compreende-se, mas que o façam contra o Parlamento, é repulsivo e significa que há polícias fascistas que devem ser desmascarados.

O Movimento Zero, agrupamento inorgânico, xenófobo e racista, conseguiu a liderança das reivindicações, com gestos e atitudes simbolicamente fascistas, de que o virar costas à AR foi sintomático. É um caso grave de polícia, a juntar ao gesto da mão que integra a coreografia do movimento extremista internacional ‘White Power’.

Na quinta-feira, 21 de novembro de 2019, foi assustadora a complacência dos polícias e guardas da GNR para com a apoteose que muitos dos seus camaradas dispensaram a um fascista intermitente, agora deputado à AR, permitindo a apropriação da manifestação e a injúria às reivindicações, tornando-as um confronto à legalidade democrática que lhes cabe defender.

Confundir uma reivindicação profissional com o desafio à autoridade democrática é um risco que o regime democrático não pode consentir, e é deplorável a complacência com os manifestantes, que viraram as costas a AR, de partidos que a viram ultrajada.

Por melhores que fossem as intenções de partidos antirracistas no apoio à manifestação dos polícias e militares da GNR, já deviam ter-se demarcado da solidariedade, com um comunicado a condenar a sua condução. O PS e o PSD foram os únicos partidos que não apoiaram a manifestação que coreografou a apoteose do deputado do Chega e foram os únicos que não se enlamearem numa exibição que excedeu a decência democrática e a ética profissional de militares e polícias à paisana.

Não há democracias eternas nem liberdades irreversíveis e os regimes democráticos são vulneráveis ao populismo e às derivas extremistas que emergem no mundo e infiltram as forças policiais e militares de numerosos países, incluindo os da Península Ibérica, de Espanha seguramente e, pelos vistos, de Portugal.

O apoio indiscriminado a qualquer manifestação dá a noção de que todas são justas, e que, independentemente da justiça das reivindicações, todas são possíveis de satisfazer.

Não se conquistam simpatias com solidariedades incondicionais e companhias suspeitas.

Ponte Europa / Sorumbático 

Comentários

MOVIMENTO ZERO – “CUI BONO?”

Apareceu recentemente um tal “Movimento Zero”, valhacouto de extremistas de direita que atacam os princípios constitucionais, virando ostensivamente as costas ao principal órgão de soberania democraticamente eleito pelos portugueses e infiltrando-se desordeiramente em manifestações pacíficas.
Significativamente, os seus dirigentes, como vulgares criminosos, ocultam-se no anonimato.
Ora, manda uma velha regra da investigação criminal que, quando não se sabe quem são os autores de um crime, se investigue quem dele beneficiou. É a velha pergunta dos latinos: “Qui bono?”
Neste caso concreto, é manifesto que quem beneficiou com os distúrbios do tal “Zero” foi o partido criptofascista “CHEGA” e o seu cabecilha André Ventura. São pois estes os principais suspeitos de serem os inspiradores daquele.
Obrigado pelo precioso parecer jurídico que aqui deixa, caro amigo Horta Pinto.

Mensagens populares deste blogue

Divagando sobre barretes e 'experiências'…

26 de agosto – efemérides