Marques Mendes – o alter ego de Belém e outros esgotos

Não esperava voltar ao atropelamento de um trabalhador pela viatura onde, em serviço, viajava o ministro da Administração Interna, por respeito à vítima e ao luto da família, mas a crueldade e a baixeza moral da exploração mediática para assassinar o carácter de Eduardo Cabrita leva-me a reagir.

Ignoro se é a tentativa de ilibar a Brisa da responsabilidade que lhe cabe na segurança e proteção dos seus trabalhadores ou, à falta de incêndios, a pressa de demolir o Governo ou a necessidade de suprir a falta de alternativa da direita, ou tudo junto.

Depois do lastimável desafio do PR ao ministro para responder à imprensa, abrindo uma exceção ao protocolo, não cessou a campanha que transformou o acidente rodoviário em arma de arremesso contra o Governo, através da infâmia.

Marques Mendes, alter ego de Belém, Conselheiro de Estado protegido das escutas que poderiam criar-lhe embaraços, o Dias Loureiro do atual PR, em versão reduzida, levou a desfaçatez ao ponto de se referir ao ministro, que seguia no banco detrás, nos seguintes termos: “É feio aquilo que ele fez e feio aquilo que ele não fez”. A baixeza moral é bem o paradigma da atual da direita que o promove e esquece os seus processos judiciais.

Quanto ao Conselheiro de Estado, convidado pelo PR, voltarei em breve, mas hoje é o Correio da Manha (não leva til) que merece a minha indignação cívica.  

Quando já julgava que o cúmulo da indignidade tinha sido atingido com a vuvuzela da direita, eis que surge, hoje, em letras garrafais que ocupam metade da capa do órgão impresso de maior circulação, o vómito que a imagem documenta:

Comentários

Luis disse…
A falta de vergonha não tem limites mesmo parecendo que estes existem !
Monteiro disse…
Vieram parar à minha mão uns cabeçalhos de jornais que circularam pela internet e que dizem, resumidamente:
PÚBLICO: - Escutas mostram que Marques Mendes pediu favores a arguidos dos vistos gold.
DINHEIRO - Fisco acusa Marques Mendes de venda ilegal de ações que lesou Estado em 773 mil euros.
EXPRESSO - Montepio contratou empresa de irmãos Marques Mendes para recuperar créditos na Casa da Sorte
SÁBADO - Marques Mendes consultor de sociedade referida nos Panama Papers.
Atom disse…
Proponho que os carros oficiais, da Presidência da Republica, e do Governo, passem a ter no banco de trás um monitor que reproduza a informação da velocidade da viatura. Esse monitor deverá ter um sistema que obriga o passageiro a consultá-lo de 2 em dois minutos para que o passageiro não vá todo o caminho a ler o jornal. O sistema contabilizaria as vezes que o passageiro se distraiu e a que horas. Tal qual o sistema que existe para os maquinistas da CP. Este monitor com o sistema de consulta seriam apropriadamente chamados Sistema Cabrita. Por outro lado devia ser aprovado que o passageiro antes de utilizar um carro oficial, devia pessoalmente munir-se de registo de propriedade do veiculo, documento comprovativo do pagamento do seguro e fazer uma fotocópia da carta de condução do motorista. Também deveria ser aprovada legislação na qual a responsabilidade por qualquer acidente com carro oficial, passaria a ser do passageiro, e não do condutor como infelizmente agora acontece.
Esta modesta contribuição técnica penso eu, contribuirá para simplificar futuras ocorrências do mesmo género.

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