A UE, a Alemanha e a Guerra

A UE, a Alemanha e a Guerra

Desde 28 de junho de 1914 que a Alemanha inicia as Grandes Guerras na Europa e se rearma. Foi, aliás, a derrota na II GG, depois da derrota na I GG, que lhe interditou o rearmamento, embargo que os vencedores, os Aliados, foram esquecendo.

Deseja agora enfrentar a Rússia pela terceira vez, apoiada por países da UE e o RU, na defesa da Ucrânia, uma vontade quase unânime a que vem minguando o entusiasmo. E a guerra fez crescer os partidos de extrema-direita, já apoiados pela Rússia e EUA.

Independentemente da bondade das intenções, da legitimidade da guerra ou malignidade russa, surpreende o entusiasmo da presidente da Comissão Europeia a fazer da guerra a prioridade quando os objetivos da UE não são coincidentes, sendo a Nato e cada um dos seus países os responsáveis pela defesa comum contra agressões exteriores.

A corrida armamentista, estimulada pela Comissão Europeia, cria divisões entre países ávidos de beneficiar dos fundos comuns, com o RU a querer participar do bolo do qual se excluiu com o Brexit, sobretudo da sua contribuição, para fragilizar a UE ao serviço dos EUA por cuja política externa pautou sempre a sua.

O grande obreiro do Brexit e entusiasta da guerra na Ucrânia, que impediu os acordos de Istambul que antecederam a invasão, move-se agora entre os bilionários, impune do mal que fez à UE, ao Reino Unido e à paz enquanto foi o PM britânico.

A guerra na Ucrânia, independentemente de quem é o agressor e o agredido, podia ter sido evitada e, sem negociações, só acabará com a capitulação da Rússia ou da Ucrânia.

Esta guerra, existencial para a Ucrânia e identitária para a Rússia interessava aos EUA. Compreende-se que os países da UE pautassem as suas posições pela dos EUA, o aliado preferencial, e não se justificava que a Comissão Europeia assumisse o entusiasmo de Kaja Kallas e desistisse de ser mediadora. Nunca apresentou um plano para negociar.

Resumindo, a UE decidiu aliar-se a um dos lados e confiar na lealdade dos EUA, pondo em causa os seus objetivos, unidade e interesses. Prestou um mau serviço à União.

Ainda hoje, 30 de novembro de 2025, a Comissão Europeia se comporta como comissão executiva do triunvirato Macron, Merz e Starmer, e este último, PM do RU, nem sequer integra a UE.

Ursula von der Leyen e Kaja Kallas, com anuência de António Costa, presidente do Conselho Europeu, creem ainda que a Ucrânia pode derrotar a Rússia e Kamala Harris, e não Trump, preside aos EUA.   

E o que é mais grave é continuarem a apostar no apoio à guerra sem terem consultado o eleitorado dos países da UE enquanto as vozes contrárias foram caladas ou demonizadas como apoiantes de Putin.

Tenho pena pela minha querida União Europeia sem a qual ficaremos muito pior.


Comentários

JA disse…
Subscrevo quase por inteiro o que é dito neste excelente texto. Apenas dois reparos:
um primeiro, de somenos importância, que se prende com o facto de que a criminosa intervenção do PM inglês nos acordos de Istambul aconteceu, se bem lembro, dois meses depois da invasão russa;
o segundo, mais substantivo, prende-se com o facto de ainda se admitir como hipótese a capitulação da Rússia. Continuar a alimentar tal ideia, mesmo que de modo ténue, prolongará inutilmente o morticínio e rebentará mesmo com a "... querida União Europeia...". É que, ao contrário da afirmação, oportunista, de Seixas da Costa, há casos em que a história se "adivinha" e o desfecho desta guerra estava escrito nas estrelas desde o início, como lucida e corajosamente defenderam alguns generais, poucos, portugueses!
Não só alguns generais. É justo lembrar um académico, Tiago André Lopes, que revela um conhecimento e imparcialidade notáveis.

Mensagens populares deste blogue

Coimbra - Igreja de Santa Cruz, 11-04-2017

HUMOR – Frases de AMÉRICO TOMÁS, um troglodita que julgávamos não ter rival