O juiz Carlos Alexandre e o combate à fraude
A nomeação do juiz Carlos Alexandre para liderar uma Comissão de Combate à Fraude no Serviço Nacional de Saúde (CCF-SNS) causou perplexidade, quer pelo perfil do juiz, quer pela função que lhe está destinada.
Em
primeiro lugar, porquê para o SNS e não, por exemplo para as privatizações onde
o ministro está sob suspeita desde a privatização da TAP, pela calada da noite,
já com o governo caído, e agora reincide como vendedor, sob buscas policiais a
decorrer?
Não
faltam, em todos e cada um dos ministérios, mecanismos de controlo, auditoria e
fiscalização, muito menos, no Ministério da Saúde, onde a titular substituiu todos
os líderes herdados do Governo PS nas entidades reguladoras, organismos e comissões
a que o PM acrescentou agora outra. É, aliás, o hábito, sempre que lhe faltam
soluções, desvia as atenções. Pode ser medíocre a governar, mas é excelente na
propaganda.
Perante a
inaptidão da ministra para o cargo, Montenegro passou a gerir a sua imagem. Incapaz
de tratar a saúde dos portugueses, cuida da imagem da ministra. Enquanto se
fala do juiz esquecem-se os problemas, o dano que Ana Paula Martins faz ao SNS
e a tentativa de o entregar aos privados.
Vejamos
agora o caso do juiz Carlos Alexandre, que vai chefiar uma insólita equipa com
membros da PJ e das Finanças para investigar crimes de corrupção. Não se
conhece ao venerando Desembargador qualquer experiência em investigação. Nunca foi
Procurador ou exerceu qualquer cargo na PJ. E nem sequer tem experiência na
área da Saúde!
Carlos
Alexandre foi sempre juiz, e a sua característica foi ser um juiz de instrução
que confirmou as acusações sem exercer, que se saiba, a vigilância contra
eventuais abusos ou arbitrariedades na defesa dos investigados. Limitou-se a
ser o notário, e adquiriu aí a aura intimidatória.
Para
combater a corrupção só tem o medo que inspira, e não se percebe para que
servem a PJ e inspetores de Finanças na comissão, sem poderes de investigação
criminal, onde o juiz perdeu o poder de mandar prender cujo exercício de forma
expedita e entusiástica o notabilizou.
É o juiz
que se tornou popular na perseguição aos poderosos e no gosto do mediatismo,
imagem adoçada pelo ar piedoso com que rezava na procissão das festas pias de
Mação onde as câmaras televisivas iam registar a sua devoção ao Divino.
Estamos perante uma operação de marketing político, a que o juiz se prestou sem cuidar da reputação, parecer, quiçá injustamente, um homem do PSD e de Montenegro.

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