A inauguração da Escola Secundária de Cascais – Uma cerimónia deprimente
A inauguração da Escola Secundária de Cascais – Uma cerimónia deprimente
A princípio duvidei, depois confirmei e, finalmente fiquei
em estado de estupor. Tive de recompor-me para escrever umas linhas sobre o
evento que a foto documenta. Trata-se da inauguração do novo edifício da Escola
Secundária de Cascais, construído com forte cofinanciamento do PRR (Plano de
Recuperação e Resiliência).
O PR, que julgava desaparecido, afinal está vivo. O PM, o avalista
da competência dos ministros, não podia abandonar o da Educação, sobrevivente
do naufrágio nos exames ao ensino superior, ora a debater-se com alunos sem
escolas e escolas sem professores.
Lá estavam os três, PR, PM e ME, na companhia do edil de
Cascais, o que seria normal se a cerimónia não fosse abrilhantada pelo patriarca
de Lisboa, a distribuir rezas e sinais cabalísticos num evento que a ética e a decência
republicanas exigem laico.
Acresce que os fundos do PRR vêm dos impostos dos cidadãos da
UE, crentes e ateus, que a Constituição da República Portuguesa é laica e a escola
em causa é pública e não confessional, obrigatoriamente neutra sob o ponto de
vista religioso.
A momento que a foto documenta é uma vergonha, com o PR a
gesticular em nome do Pai, o PM cabisbaixo e o ministro no do Espírito Santo e
o autarca, um pouco atrasado, ainda à procura da testa enquanto o clérigo, em
êxtase perante a subserviência pia de tão luzidio séquito, exerce o múnus.
Na defesa da laicidade, sinto-me indignado e só posso sentir
asco perante os dignitários a quem cabe dar o exemplo de neutralidade religiosa
pelas funções que ocupam.
Seria incapaz de censurar os crentes que cumprem as obrigações
religiosas, e não posso calar o nojo que me despertam aqueles que usam os
lugares que ocupam e os dinheiros do Estado para proselitismo.
Raios partam tais ratos de sacrista!

Comentários
Abomino os tempos da promiscuidade entre o Altar e o trono. Mas nos nossos tempos ainda impera a subserviência ao beija-mão por políticos hipócritas que juraram sob compromisso de honra cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa.
Pensasse mais esta gente em respeitar a CRP e não fazer figurinhas pias na arte da caça ao voto, que é para o que isto serve, sabendo eles que a maioria (ainda) do nosso povo é temente a Deus e ainda reza pela conversão da Rússia...