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Passos Coelho: mais uma blague infeliz…

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O primeiro-ministro teceu, de novo, mais uma consideração sobre a Grécia. Disse referindo-se aos gregos que “ é difícil ajudar quem não quer ser ajudado ” link .  Incorreu naquela conhecida asserção de o que é novo não é inovador e o que pretende ser inovador não é novo. Isto é, entrou na 'quadratura do círculo'. Todos se lembram de um trocadilho sobre: “ Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa, nem deixa ser governado ”. Esta ‘boutade’ é atribuída Júlio César quando, no seu ímpeto imperialista, sentiu, no terreno, dificuldades na ocupação da Península. Representa, por outro lado, a vontade indómita de marcar a identidade lusitana contra a ocupação estrangeira. A frase de Passos Coelho, diferente no tempo, encaixa-se no contexto, indo beber a este aforismo. Mostra, contudo, que existe sempre espaço para traidores dispostos a venderem-se. Contudo, Tsipras não é um novo Viriato.  A Grécia tem uma história longa e rica no que diz respeito à ...

Prometeu agrilhoado

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Da trilogia das tragédias, Prometeu agrilhoado, Prometeu libertado e Prometeu portador do fogo, só a primeira permaneceu, sendo incerta a ordem, o que dificulta a investigação do mito grego de que Ésquilo poderá ter sido o provável autor. A lábil interpretação do mito permite ao sapateiro cronista tocar o rabecão ao som do qual o adapta. Alexis Tsipras é, há cinco meses, o Prometeu acorrentado a Yánis Varoufákis, acusado de cinco anos de dívida insolúvel. Todos os dias os abutres lhe devoram o fígado que se regenera para que o suplício não termine, por ordem de Zeus (Troika) a quem evitou que aniquilasse, na sua fúria, os gregos. A piedade de Tsipras permitiu-lhes viver, mas Zeus, quis que o suplício que lhe destinou por lhes ter ensinado a não desejarem mais a morte, lhes deve também caber, sobretudo depois de lhes dar o fogo com que ateou a ira dos credores. Zeus tinha-o proibido de dar o fogo divino da liberdade, o que incendiou a sua fúria. Prometeu previa o castigo, só desconh...

A ocultação da realidade por detrás do óbvio….

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As declarações de Michel Sapin [ministro das Finanças francês] que referiu “os países mais pequenos” como a ‘força de bloqueio’ de um acordo com a Grécia   link  e o ‘enfiar do barrete’ de Passos Coelho sobre as responsabilidades nacionais arguindo sobre o funcionamento das “ instituições”, nomeadamente, assumindo uma espantosa irrelevância dos ministros das finanças no processo decisório link  são o mais recente malabarismo político oferecido aos portugueses. Os cidadãos europeus têm sido massacrados com declarações erráticas dos ‘credores’, do Governo grego e a permanente a colagem do Eurogrupo (assembleia dos ministros das finanças dos 19 países) às peripécias dos mercados sobre um processo negocial em curso (suspenso, adiado ou, simplesmente, pervertido) aberrante.  Nada correu bem, para todas as partes, neste processo que se arrasta penosamente há mais de 5 meses. Porque, efectivamente, não há espaço para negociar. Os 5 anos de fracasso do resgate gre...

A FRASE

«Os gregos podem falhar, mas resistiram contra os tecnocratas que detestam a democracia». (Pacheco Pereira, historiador, político social-democrata e comentador televisivo)

Eusébio e o panteão

O estado a que o Estado chegou, com este Governo, este PR e esta maioria, levou a AR a votar por unanimidade a trasladação do melhor futebolista português, de sempre, para o Panteão Nacional. Nem um só deputado discordou com a força de um pontapé ou uma cabeçada na unanimidade. Eu sei que Saramago não se pode confrontar com Eusébio, que uma finta do futebolista valia mais do que a obra de Lobo Antunes, que um golo de Eusébio mexia mais com os portugueses do que o cerco do Quartel do Carmo, por Salgueiro Maia, que uma corrida com a bola é mais sublime do que a poesia de Ari, Alegre e Pessoa, que a gesta lusitana não se escreveu na batalha de Aljubarrota com armas contra castelhanos mas na vitória sobre a Inglaterra no confronto de um jogo. Há quem pense que uma bota de ouro vale menos do que um Nobel e uma bola de ouro mais do que a dívida soberana, mas quem compara a obra do Padre António Vieira com a do artífice de 11 campeonatos nacionais de futebol e cinco taças de Portugal? V...

Só há liberdade entre iguais

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Indignidade

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Quando um ministro lambe a mão de um clérigo não é apenas o homem que dobra a coluna, é o réptil que insulta a laicidade, humilha a República e trai o País.

O Estado Islâmico e a civilização

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O Estado Islâmico (EI) começou a inovar a interpretação do Corão, o manual terrorista que absorveu o pior que o Antigo Testamento legou aos monoteísmos. A decapitação já usada contra hereges estrangeiras, foi aplicada pela primeira vez contra mulheres sírias acusadas, tal como os maridos, de feitiçaria. O EI lançou ataques simultâneos contra vários localidades sírias e conquistou à milícia curda uma área importante da cidade de Tel Abyad na fronteira turca e não parará aí. O terror é a vitamina do êxito, capaz de unir o Islão no ódio contra a civilização, na orgia de sangue que usa armas sofisticadas e tecnologia de ponta. É o grito de raiva da civilização árabe falhada, capaz de unir turcos, caucasianos, persas e árabes na sujeição a Maomé, beduíno boçal e amoral, a quem o arcanjo Gabriel ditou a cópia grosseira dos monoteísmos anteriores – o Corão –, no trajeto de Medina a Meca. A decadência árabe criou o EI nos escombros do Iraque, arrasado pela demência de um cruzado evangé...

A crise grega e mundial e os timoneiros lusos

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O PR dos EUA e o da França, apesar da irrelevância do último, “concordaram em unir esforços a favor do recomeço das negociações” com a Grécia. Merkel, apesar de vítima de críticas e da aversão ao seu ministro das Finanças, parece ser a única dirigente na UE a pensar e que se dá conta de que o futuro do euro está ligado ao da Europa. Todos perceberam que os credores não podem impor aos devedores acordos impossíveis de cumprir, fazer empréstimos sob chantagem, para proteger os seus bancos, e condenar países ao desemprego, à fome, ao desespero e à violência. O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, diz agora que a porta continua aberta. O presidente do Parlamento Europeu adverte os gregos contra os riscos de “má decisão” no referendo e Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, segue-o na advertência. O presidente da CE, Claude Juncker, diz que «Aqui todos ganham ou todos perdem». No fundo, querem destruir o Syriza e temem destruir a Europa. Já se resignam a impor apenas...

Notas soltas: junho/2015

Dia Mundial da Criança – O dia ficou assinalado pela encenação grotesca da Câmara Municipal de Portalegre e da PSP local, com crianças mascaradas de polícia de choque a atacar outras que fingiam de manifestantes. Caricatura infeliz de pedagogia cívica. Estado Islâmico – Os objetivos estratégicos passam por decapitações e formas de terror que o tornam popular, amado e temido. Abu Bakr Al-Baghdadi, autodenominado califa, controla vastas regiões da Síria e do Iraque e ameaça a paz mundial. Turquia – A vitória do partido de Erdogan, AKP, sem maioria absoluta, foi um revés para o autoritário PR e um sinal de esperança na continuidade laica, com a entrada no Parlamento do partido secularista pró-curdo, HDP. O totalitarismo islâmico foi adiado. Ucrânia – Os EUA e UE diabolizam Putin mas, depois da fragmentação da Jugoslávia e da secessão do Kosovo, agredindo a Sérvia, que autoridade resta para castigar a vontade da Crimeia? Os problemas da UE nasceram dentro de si e não vieram...

A União Europeia está à deriva

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Passos Coelho e Cavaco estão na proa, à conversa, a divertir-se com os gregos.

Multiculturalismo

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Multiculturalismo, sim. Humilhação da mulher, não.   Por cada mulher que deseja a burca há centenas que são obrigadas. Também houve escravos que recusaram  a liberdade que a abolição da escravatura lhes concedeu!

Quo vadis, UE?

Não há qualquer união monetária duradoura sem união política e a UE foi incapaz de a concretizar, mobilizando os povos europeus que a integram. Insistir no cumprimento da promessa de pagamento de dívidas que credores e devedores sabem não ser possível liquidar, é um ato de terrorismo financeiro destinado a alterar a vontade política dos povos submetidos à tirania da dívida. E que sentido faz assinar um compromisso impossível de honrar? Ainda não terminaram as ondas de choque da falência do banco Lehman Brothers nem o risco sistémico do sistema financeiro mundial e já o caso grego ameaça tornar inúteis os paliativos que burocratas inventaram, repartindo sacrifícios por economias débeis e com mais dificuldade em resistirem à chantagem. Penso que a convocação do referendo grego foi a única saída honesta para quem, sob a ameaça da guilhotina financeira, pergunta se quer morrer combatendo ou morrer sem luta. Não se percebe a alergia dos burocratas, sem qualquer legitimidade democrátic...

Grécia: até ao lavar dos cestos é vindima...

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O drama grego e, concomitantemente, o futuro da UE, estão cada vez mais decifráveis e previsíveis.  Não são bons os sinais que vêm de Bruxelas, como não será fácil o caminho a trilhar pelo povo grego, na sequência dos últimos acontecimentos. Perante a situação criada – ao longo de 5 meses de negociações - à volta de o fecho do 2º. resgate da Grécia existe uma evidência (existem muitas outras!). Uma das primeiras ilações a tirar deste abrupto desfecho foi o Eurogrupo prosseguir, com olímpica fleuma e sem pestanejar, os trabalhos da parte da tarde (depois da retirada do ministro das Finanças grego da reunião), mostrando que tudo estava previamente arquitectado (para o esticar da corda).  Os ministros dos países europeus que integram o Eurogrupo, para prosseguirem os seus planos, não necessitaram de consultar os respectivos governos. Significativo. O facto de ter ocorrido na Grécia uma mudança de Governo, que incorpora uma substancial alteração política, motivou os...

O fascismo islâmico

Os recentes atentados islâmicos, cada vez mais globais e selvagens, vêm aprofundar a necessidade de combater a lepra que corrói a paz e a civilização. Não pode ser um monopólio da direita reacionária, xenófoba e populista o combate ao fascismo islâmico. É uma tarefa de islamitas, cristãos e budistas, como é uma obrigação de ateus, agnósticos, racionalistas e céticos, enfim, uma necessidade comum de crentes e livres-pensadores que não sacrificam valores do Iluminismo, os ideais da Revolução Francesa.

Portugal e a dívida

As dívidas impagáveis não são exclusivas do Estado, empresas e famílias de Portugal. A falência do banco Lehman Brothers, quiçá com a cumplicidade do rival Salomon Sachs, paraíso dos seus mais destacados cúmplices, antecipou a crise financeira internacional e as ondas de choque que ainda não pararam. Não se sabe se esta foi a última das crises cíclicas do capitalismo mas a previsão de Karl Marx revela-se certeira, ainda que a falência da teologia liberal não encontre a solução na marxista-leninista. Não se conhece, aliás, solução. Não é preciso ser iniciado em ciências económicas e financeiras para ver que as dívidas se tornaram impagáveis. Bastam rudimentos de aritmética e, eventualmente, a máquina de calcular. Vejamos o caso da dívida portuguesa que este PR, um especialista na matéria, e o PM, especialista em coisa nenhuma, garantem estar controlada, tal como o ‘especialista na matéria’ garantia que o BES tinha reservas para o pior cenário. Viu-se. Quando da falência do Lehma...

Uma abortada pergunta: Qual a pressa?

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Qual a pressa? Esta a pergunta feita por António José Seguro, na altura dirigente do PS, quando da crise interna criada por dirigentes afectos a facções que solicitavam a realização de um Congresso link e que passou vezes sem conta nos média, só para achincalhar. Desaparecido da cena política a pergunta volta a colocar-se agora com mais premência. Trata-se da desorientada actuação deste Governo no fim de mandato. Encetou uma saga (espiral) de privatizações, aparentemente avulsas, que revelam o intento de ‘cumprir’ o seu programa (é suposto segundo os seus próprios ditames que a troika tenha já saído...). Sem olhar ao passado recente onde avulta a entrega da EDP, REN, ANA, CTT, PT, etc. as baterias estão, neste momento, assestadas para a TAP, Oceanário, Transportes Urbanos, CP carga e, quiçá, as Águas. Um autêntico esvaziamento do País. Dá a sensação que, no final, não restará pedra sobre pedra. E, para além dos atropelos e das ignorâncias estratégicas, nomeadamente em...

Seis séculos de diferença

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Dois mundos separados por 2 metros de areia

A trapalhada das secretas

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Só com um governo que chegou até aqui e com um PR que o deixou chegar, foi possível a impunidade de que gozam os mais altos dignitários que confiscaram o poder. Podem ser néscios e incompetentes mas não lhes falta eficácia na propaganda e na chantagem. Marco António, o cocriador de Passos Coelho, mantém-se no poder, e dispõe do poder, depois das acusações que a Visão lhe faz hoje. Passos Coelho passa incólume na fuga à Segurança Social e o silêncio é a norma, quer se trate dos documentos que se perdem, dos submarinos às contas na Suíça, quer nos que se acham e comprometem a segurança do país. A revelação dos candidatos a espiões é motivo de gracejo quando o Estado chega a este estado. O Conselho de Fiscalização está mudo perante o e-mail dos candidatos a espiões e não se preveem demissões. Veiga Simão enviou um dia, a pedido dos deputados, os nomes dos espiões para a AR. Foi demitido. E bem. Os serviços secretos viram arruinados o prestígio e a eficácia. O povo, que perdeu o ...

As religiões e o proselitismo

Nada tenho contra os crentes e tudo contra as crenças, sobretudo quando os fiéis querem impor aos outros a sua fé e, muito especialmente, se recorrem à violência. O ateísmo também merece igual censura se for sectário e violento. As guerras santas são devastadoras e a Europa tem longa tradição nesse desvario. Por mais que a componente económica influencie os conflitos, é o ódio religioso que aparece como o mais violento detonador de guerras. Que raio de deuses inventaram os homens que precisam de religiões como agências de promoção e instrumento de coação? A laicidade é a vacina que interessa a crentes de todas as religiões não dominantes, no espaço em que se inserem, bem como a todos os não crentes, e não pode ser descurada. É tão perverso um Estado ateu como um confessional. O Estado deve ser neutro e evitar intrometer-se na vida das associações cuja liberdade lhe cabe respeitar e defender. Só o código penal deve limitar a demência do proselitismo e a violência dos prosélitos....