Quo vadis, UE?

Não há qualquer união monetária duradoura sem união política e a UE foi incapaz de a concretizar, mobilizando os povos europeus que a integram.

Insistir no cumprimento da promessa de pagamento de dívidas que credores e devedores sabem não ser possível liquidar, é um ato de terrorismo financeiro destinado a alterar a vontade política dos povos submetidos à tirania da dívida. E que sentido faz assinar um compromisso impossível de honrar?

Ainda não terminaram as ondas de choque da falência do banco Lehman Brothers nem o risco sistémico do sistema financeiro mundial e já o caso grego ameaça tornar inúteis os paliativos que burocratas inventaram, repartindo sacrifícios por economias débeis e com mais dificuldade em resistirem à chantagem.

Penso que a convocação do referendo grego foi a única saída honesta para quem, sob a ameaça da guilhotina financeira, pergunta se quer morrer combatendo ou morrer sem luta. Não se percebe a alergia dos burocratas, sem qualquer legitimidade democrática, à consulta referendária.

A União Europeia prefere morrer com a Grécia a deixá-la viver. A sentença antecedeu as alegações do condenado.

Comentários

e-pá! disse…
"Não se percebe a alergia dos burocratas, sem qualquer legitimidade democrática, à consulta referendária"...
Fácil. A alergia é sempre subsidiária de um distúrbio. Umas vezes imunológico, outras democrático.

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