O PR, a TAP e o ex-economista


O Prof. Aníbal Cavaco Silva, ex-economista, há muito dedicado a negócios particulares e à política, abdicou da profissão académica a favor da profissão de fé neste Governo de que se tornou porta-voz.

Alguns escolhem os amigos, outros são escolhidos. Cavaco Silva foi escolhido e ficou refém. Nunca se lhe ouviu uma censura à promiscuidade entre a política e os negócios, ao tráfico dos banqueiros, onde colaboradores próximos perderam a honra e ganharam milhões, à decadência ética do regime ou ao empobrecimento dos portugueses.

Tornou-se o notário privativo do Governo e o eco das suas tropelias. Não admira que as próximas eleições constituam também o seu julgamento pelos portugueses. Não pode, aliás, ser excluído da luta partidária, que foi o seu campo de batalha dos últimos seis anos, no derrube do anterior Governo e na manutenção do atual até ao fim do prazo, impedindo um Orçamento de Estado ao Governo que sair das eleições de outubro.

Um homem sem passado democrático, conseguiu 21 anos de político de topo em 41 de democracia. É obra!

Com a privatização da TAP – diz a comunicação social –, sentiu-se aliviado. Não se trata da resolução de um problema digestivo a quem a obstipação atormenta, trata-se da execução da agenda ideológica do Governo de que se tornou dependente. Em termos de digestão são os portugueses, sem alívio, a sofrer de azia e a pagar as consequências.

«A maioria do capital da TAP é português, temos de aplaudir» – (Cavaco Silva 14-06-2015). Será que acredita na nacionalidade do capital e na bondade da nacionalização? Foi como economista ou como assessor do Governo que considerou a privatização da TAP “um bom negócio para Portugal”, a bordo do avião que o levou a Sófia, numa das últimas viagens, designada como visita de Estado?

A TAP foi comprada pelo empresário norte-americano David Neeleman, dono de uma companhia aérea no Brasil e aparentemente por Humberto Pedrosa que em Portugal é o maior acionista da empresa rodoviária Barraqueiro. Alguém acredita que o empresário norte-americano se candidatava à pechincha sem garantias de decisão?

A TAP deixa de ser portuguesa e passa a brasileira, com o mesmo gestor, ao serviço do Brasil e da agenda política deste Governo; os aviões são vendidos e passam a alugados e o empresário português, cuja nacionalidade serve para contornar normas comunitárias, vai poder transportar os passageiros, dentro do aeroporto, nos autocarros Barraqueiro.

Ponte Europa / Sorumbático

Comentários

e-pá! disse…
A estrutura acionista do 'grupo comprador da TAP' é deveras obscura e não houve interesse (político e negocial) em esclarecer. As recentes declarações do PR adensam ainda mais o imbróglio.
Paira no ar, se parte substancial das ações vendidas ao desbarato, não serão adquiridas por um banco estatal brasileiro (BNDES).
Resta saber se as 'programadas' alterações da estrutura acionista não possibilitarão que o famoso 'caderno de encargos', negociado pelo Governo, não vá - com esta nova alienação - parar ao caixote do lixo...
Cabe aqui um ditado popular: 'cadelas apressadas têm filhos cegos'...

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