Ramalho Eanes referiu como trágica a descolonização em que «milhares de pessoas foram obrigadas a partir para um país que não era o seu». Tem razão o ex-PR cujo papel importante na democracia e o silêncio o agigantou depois da infeliz aventura por interposta esposa na criação do PRD e da adesão à Opus Dei, sempre por intermédio da devota e reacionaríssima consorte, que devolveu o agnóstico ao redil da Igreja. Eanes distinguiu-se no 25 de novembro, como Dinis de Almeida no 11 de março, ambos em obediência à cadeia de comando: Costa Gomes/Conselho da Revolução . Foi sob as ordens de Costa Gomes e de Vasco Lourenço, então governador militar de Lisboa, que, nesse dia, comandou no terreno as tropas da RML. Mereceu, por isso, ser candidato a PR indigitado pelo grupo dos 9 e apoiado pelo PS que, bem ou mal, foi o partido que promoveu a manifestação da Fonte Luminosa, atrás da qual se esconderam o PSD e o CDS. Foi nele que votei contra o patibular candidato do PSD/CDS, o general Soares...
Comentários
É necessário que esta derrota do ainda sultão de Ankara, que apostou no cavalo errado (i.e., na 'Irmandade Muçulmana'), seja acompanhada de ilações geoestratégias do dito 'Ocidente'.
As eleições turcas ameaçam tornar ainda mais confusa a situação no Mediterrâneo Oriental onde o problema turco continua a encaixar-se com a 'questão grega' e terá necessariamente reflexos por todo o Oriente Médio. Estamos a ver simultaneamente uma das várias réplicas das 'primaveras árabes' e a ignorar a agonia do projecto europeu que nunca conseguiu articular-se no Mediterrâneo e, no presente, parece apostado em deixar entregue a Grécia à sua sorte.
A incerteza sobrepõe-se - depois de conhecidos os resultados das eleições turcas - a todo o tipo de celebrações.