Religião sim, terrorismo não...

A rede terrorista Al-Qaeda, por meio de um americano convertido ao islamismo, ameaçou em um vídeo divulgado na internet neste domingo atacar as embaixadas e consulados ocidentais de todo o mundo, particularmente na região do Golfo.

A alegada bondade das religiões e o espírito pacífico do Islão não resistem à letra e ao espírito dos livros sagrados nem ao historial sangrento das guerras religiosas. Não foi à clarividência dos exegetas que ficou a dever-se a interpretação benigna da Bíblia, foi à Reforma, ao Iluminismo e à Revolução Francesa. Onde o poder eclesiástico se consegue impor mantêm-se constrangimentos autoritários de sabor medieval, seja em Timor, nas Filipinas, na Polónia ou na América do Sul.

O proselitismo demente do protestantismo evangélico americano tanto pode conduzir ao assassínio de médicos e enfermeiros de clínicas de aborto como à invasão do Iraque.

O que modera a agressividade dos desvarios da fé é o Estado de direito e a laicidade. No dia em que a religião, qualquer religião, dominar o aparelho de Estado, a democracia vai de férias e instala-se a teocracia. Não se pode esquecer que os Estados modernos foram erguidos contra o poder da Igreja. A Itália só existe porque os patriotas não temeram a excomunhão nem os exércitos papais.

O Islão não teve, infelizmente, a sua reforma. Nas madraças começa a fanatização das crianças e nas mesquitas apela-se ao ódio e à guerra santa, com os crentes de joelhos e virados para Meca.

Não há no Islão lugar para o agnosticismo e a vida, a laicidade e o pescoço, a liberdade de pensamento e o direito de existir. O medo, o constrangimento social e o aviltamento da mulher acompanham a decapitação, as vergastadas públicas e a lapidação que os clérigos imaginam extasiar o Profeta e cumprir a vontade de Deus.

Os países de mais sólidas raízes democráticas são herdeiros do direito romano que tem características civilistas, enquanto o direito helénico é de natureza política e o árabe de raiz teocrática.

As repetidas ameaças da rede terrorista Al-Qaeda são incompatíveis com a benevolência com que a Europa assiste à pregação do ódio nas mesquitas.

Respeitar e defender o direito à religiosidade, à arreligiosidade e, mesmo à anti-religiosidade é igual ao dever de vigiar, deter e fazer julgar pelos tribunais quem incite ao ódio, à violência e à xenofobia. Trata-se de fazer cumprir a lei e as constituições dos países democráticos, a começar pelas religiões que se julgam com direitos especiais.

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