Li no excelente blogue De Rerum Natura , num post de Carlos Fiolhais , o seguinte: «De facto, o candidato a rei é autor de um opúsculo laudatório do Beato Nuno, onde se pode ler esta pérola: “Q uando passava de Tomar a caminho de Aljubarrota, a 13 de Agosto de 1385, D. Nuno foi atraído a Cova da Iria, onde, na companhia dos seus cavaleiros, viu os cavalos do exército ajoelhar, no mesmo local onde, 532 anos mais tarde, durante as conhecidas Aparições Marianas, Deus operou o Milagre do Sol» (“D. Nuno de Santa Maria - O Santo” , ACD Editores, 2005).»
Fiquei maravilhado com o que li e, sobretudo, por saber que o Sr. Duarte Pio escreve.
O Sr. Duarte Pio, suíço alemão, da família Bourbon, imigrante nacionalizado português pela conivência de Salazar e pelo cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, podia emprestar a imagem às revistas do coração mas precaver-se contra a ideia de publicar opúsculos.
Claro que não é necessário saber falar para escrever e, muito menos, ...
Comentários
As Misericórdias são o "grosso" das instituições no nosso País [na maioria tuteladas pela ICAR] que se dedicam à solidariedade social.
Integram um sector cada vez mais importante - o social - que tem como objectivo "gerir" as prestações sociais, sob uma perspectiva caritativa e com benefícios de toda a ordem, inclusivé, fiscais.
O seu campo de acção é vasto e extende-se à saúde, à educação, à solidariedade social, etc.
O Estado tem "delegado" algumas das suas responsabilides [relativas ao Estado Social] em diferentes áreas. Na Saúde, p. exº., os cuidados continuados estão maioritáriamente a ser desempenhados por IPSS's onde, por detrás, se "encontram" muitas Misericórdias. É um longo trajecto histórico - desde os tempos medievos - e que se reforçou, há mais de uma década, no Governo de A. Guterres, decorrente da sua estreita relação com o então presidente da UM - Vitor Melícias.
Logo, a presente decisão da CEP portuguesa antecipa uma visão neoliberal para o futuro, onde o Estado Social será progressivamente esvaziado.
Um volume de "negócios" tão volumoso e uma posição tão relevante na área social tem necessáriamente de ter uma gestão centralizada - forte, eficiente e com influência política - que ultrapassa a União das Misericórdias. Aí surge a CEP.
O Estado, dentro do princípio da laicidade, não deveria divorciar-se desta quezília...
Ao fim e ao cabo, tratam-se de funções inerente ao Estado [dentro do modelo social vigente] que foram delegadas a instituições sociais. Tem o dever de regulação.