Recordar o passado

A direita, na sua matriz caceteira, odiou sempre o 25 de Abril. Na sua vertente urbana e civilizada, considerou que podíamos ter esperado. Ainda nos primórdios da democracia já queria impor ao País, como PR, o ex-comandante do Campo de S. Nicolau, Angola, o general Soares Carneiro que foi candidato a PR da direita urbana. A outra queria Kaulza de Arriaga. Um torcionário já servia à urbana, imagine-se de quem gostaria a outra.

Ramalho Eanes, honradamente, derrotou-o sem apelo nem agravo, com votos dos que recusaram a viagem de regresso a um regime musculado com partidos selecionados.
Qualquer militar que tivesse concorrido a PR, isto é, que tivesse entrado na luta política, jamais poderia eticamente regressar às Forças Armadas. O PM Cavaco Silva empossou-o depois como CEMGFA. Nem precisava de tão negro passado.

Com essa atitude, Cavaco subverteu as regras democráticas, afrontou o PR e mostrou a fibra de que era feito. Só um eleitorado distraído e que esquece depressa podia ter feito de Cavaco um PR.

Os herdeiros do “Mestre da Banalidade”, como lhe chamou Saramago, estão a disputar a Rui Rio a parte pior do PSD para converterem o partido na próxima União Nacional.
Os ventos parecem correr-lhes de feição, e os fenómenos são cada vez mais violentos e imprevisíveis, na meteorologia e na política.

As esquerdas que se cuidem. Há cordas que, uma vez partidas, nunca mais têm conserto.

Comentários

joao pedro disse…

É verdade que no seu estertor são muito perigosos. Confio, porém, que será nossa A VITÓRIA FINAL.

João Pedro

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