A escola, a cidadania e os três pastorinhos

Quem, como eu, defende a neutralidade religiosa do ensino público, não pode apoiar a doutrinação de índole política, mas não penso que a cidadania se insira nesse quadro.

A razão por que condeno a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católicas, que é de oferta obrigatória, com professores pagos pelo Estado e nomeados pelos bispos, é a que me opõe à doutrinação de outra índole.

Dito isto, penso que cabe ao Estado a definição de currículos académicos, onde além da Matemática, do Português, das línguas, etc., cabem, por exemplo, a educação sexual, as normas de higiene e a defesa do ethos civilizacional que define a civilização europeia. A Declaração Universal dos Direitos Humanos deve ser o farol que ilumina a cidadania.

Não surpreende que o sr. cardeal Clemente, prémio Pessoa, por obra e graça de António Barreto, o escritor Aníbal Cavaco Silva, autor de Roteiros e de Quintas-Feiras e Outros Dias, ligado a Ricardo Salgado e ao Opus Dei, e o catedrático Passos Coelho se juntem num abaixo-assinado. O cardeal Clemente é o líder espiritual de todos os católicos da sua diocese e o escritor e o catedrático são seus diocesanos.

O que surpreende é o facto de o bispo que mandou votar no CDS e no Chega, os únicos partidos que cabiam na definição dos que recomendou, tenha intelectuais que juraram a CRP a acolitá-lo.

Não sei se o adágio “quem mais jura, mais mente” se lhes aplica, mas a companhia não é recomendável, lá isso não.

“Cavaco, Passos e Manuel Clemente [este precedido de “D.”] defendem objeção de consciência de pais que não queiram filhos nas aulas de Educação para a Cidadania”, diz o Observador.

De facto, nenhum deles é um exemplo de cidadania.

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