4 de julho de 2022 – As datas, as comemorações, a toponímia e a santidade

Quando em 2 de julho de 1776 o Segundo Congresso Continental aprovou a resolução da independência dos Estados Unidos do domínio britânico, procedeu à elaboração de um documento legal, que seria revisto, aprovado e publicado em 4 de julho, data que foi consagrada pelo Congresso como a da Declaração da Independência. É o feriado que hoje celebra a Independência dos EUA.

Para mágoa dos devotos da Rainha Santa Isabel, os maçons que estiveram na origem da independência e na elaboração da Constituição laica dos EUA, fugidos às perseguições das guerras religiosas da Europa, ignoravam o milagre das rosas obrado pela rainha que falecera nesse dia, em 1336, e deu origem ao atual feriado municipal de Coimbra. Esses maçons não tinham inquietações metafísicas, mas estão agora vingados os beatos com a escalada evangélica no Supremo Tribunal e no aparelho do Estado dos EUA.

Isabel de Aragão, santificada em 1625, por milagre igual ao da tia-avó húngara, também nobre e santa, foi canonizada 90 anos depois, e não teve pressagiado o nascimento nem tão vasto currículo milagreiro, a levitação incluída, a mais de um metro do chão, quando contemplava o Santíssimo Sacramento, absorta em êxtase contemplativo.

A consumação do casamento aos 11anos, efetuado por procuração aos 10, não foi um ato de santidade, mas ninguém negará, no sacrifício, o doloroso martírio da virgem.

Numa estadia em Budapeste, integrado num grupo numeroso de portugueses, quando a guia enaltecia junto ao túmulo os milagres obrados pela rainha Santa Isabel, da Hungria, desolou os turistas de Coimbra, e um deles sussurrou que era cópia da ‘nossa’. À rainha húngara, S. João Batista levava-lhe pessoalmente a comunhão e várias vezes a visitaram o próprio Jesus Cristo e a Virgem Maria, a consolarem-na nos seus padecimentos. Dias antes da morte, Nossa Senhora surgiu-lhe cercada de anjos e prometeu-lhe o Céu, e à sobrinha-neta nem nas infidelidades de D. Dinis a confortaram. Não esqueci o esgar de raiva de dois membros do Opus Dei, desolados, receosos de algum incréu que visse no milagre da santa coimbrã um truque herdado da família.

O ex-edil de Coimbra, Carlos Encarnação, substituiu o nome Europa da mais bela ponte sobre o Mondego, nas placas toponímicas, pelo da Rainha. Na devoção beata, ofendeu a encantadora filha de Agenor, rei da Fenícia, que Zeus, pai dos deuses, disfarçado de touro, raptou, para amá-la em Creta. Preteriu a amada de Zeus, perante o qual todos os deuses permaneciam de pé, pela santa que plagiou um milagre. Heródoto foi o primeiro historiador a chamar Europa a todo o continente, no séc. V a.C., e o ex-edil de Coimbra foi o algoz da musa dos poetas da Grécia Antiga, trocando-a pela rainha que reincidiu no milagre das rosas.

A Europa ficou na História da mitologia pela paixão de Zeus e a Rainha Santa na placa da Ponte Europa, como segunda escolha, por desvairada demagogia de um autarca que usou o cargo para cuidar da alma.

O 4 de julho traz à memória a independência dos EUA, o falecimento da Rainha Santa e a decisão do medíocre edil que preferiu a santa autóctone à deusa que teve três filhos de Zeus, pai dos deuses, na mitológica odisseia erótica vivida em Creta.

A provinciana decisão do ex-ajudante de Dias Loureiro, ainda permanece nas tabuletas que indicavam a Ponte Europa e a santa continua a ser pretexto para o feriado municipal e as festividades pias.

Logo, à noite, há fogo de artifício na Ponte de… Santa Clara.


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