25 de Abril, Sempre!
25 de Abril, Sempre!
Hoje foi a madrugada em que a liberdade veio na ponta de
espingardas, enfeitadas com cravos vermelhos, balas por disparar e sonhos para
cumprir. Há 52 anos.
Hoje é dia de celebrar a data maior da liberdade no país saído
de 48 anos de ditadura.
Nunca tantos deveram tanto a um exército que deixou de ser o
instrumento da repressão da ditadura, para se transformar no veículo da
liberdade que os capitães conduziram.
Foi a mais bela página da nossa História e o dia mais feliz
da minha vida. Abriram-se, por magia, as prisões, neutralizou-se a polícia
política, acabou a censura e não mais se ouviram os gritos dos torturados nas
masmorras da Pide.
Há 52 anos ainda os coronéis e os padres censores empunhavam
o lápis azul da censura já sem efeito nas palavras e imagens cortadas. O 25 de
Abril nascey límpido e promissor com a guerra para acabar e a promiscuidade
entre o Estado e a Igreja a ser interrompida.
Os exilados e os degredados viriam juntar-se aos que saíam
das prisões. O fascismo era já um cadáver que sobrevivia com a mais dura das
repressões. A Pátria não era o país de um povo, era o lúgubre reduto de onde os
fascistas oprimiam o próprio povo e as pátrias de outros.
Hoje é dia de ouvir canções, de sair à rua e de gritar,
«fascismo nunca mais!»
O Povo Unido Jamais Será Vencido! Viva o MFA! Viva o 25 de
Abril, que aqui chegou na idade madura dos seus 52 anos.
Para os heróis desse dia, de todos os dias e de sempre, para
os que ainda vivem, não há cravos que cheguem para agradecer a vida que
cumpriram num só dia.
Obrigado, capitães de Abril! Hoje, como então, as lágrimas são de alegria contida, e é forte e comovido o abraço que aqui deixo a todos os que fizeram deste dia o dia maior da vida de todos os que amam a liberdade.

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