Hungria – Viktor Orbán e as eleições de amanhã
Hungria – Viktor Orbán e as eleições de amanhã
Depois de ter
sido PM da Hungria, de 1998 a 2022, num Governo de coligação, a partir de 2010,
Orbán venceu todas as eleições (1910/14/18/22). Se vencesse amanhã, longe vá o
agoiro, iniciaria o 5.º mandato consecutivo, a juntar ao de 1998/2022.
Espera-se,
e as sondagens antecipam-no, que seja removido, a bem da UE e da Hungria. Orbán
não é um mero epifenómeno húngaro, é a prova de que a democracia se degrada e o
despotismo pode chegar através do voto, o único meio que legitima a democracia.
Orbán foi
hábil a explorar o medo e a xenofobia, mas não foi o único responsável pelo
desvio totalitário que as eleições de 2018 reforçaram, graças à alteração
constitucional a que procedeu na primeira vitória e permitiu então à sua
coligação, Fidesz-KDNP, com 48,48% dos votos, conquistar 134 dos 199 lugares do
Parlamento.
Para
chegar aí, teve a condescendência do presidente da CE, Durão Barroso, e a
benevolência PPE, a que pertencia, e lhe permitiu submeter os Tribunais e
aproximar-se dos governos autoritários da Rússia, Turquia, China e, agora, dos
EUA de Trump, contra a UE e a sua cultura. E intitula-se salvador da cultura
cristã húngara! Foi, aliás, de motu proprio que retirou o seu partido do
PPE em 2021, não por ter sido expulso, enquanto a extrema-direita exultava e o
PPE se remetia ao silêncio e continuava a pactuar com ele depois de alterar
cinco vezes a Constituição a caminho da fusão do Estado e do partido que criou.
A deriva
autoritária dos países europeus não é exclusiva da Hungria. Ainda nos dias 22 e
23 de março p.p. um referendo travou Meloni na Reforma da Justiça com que
queria reforçar o poder pessoal e eximir a extrema-direita no poder, que
lidera, ao escrutínio judicial.
Nos
últimos dois anos, França, Portugal, Bélgica e Áustria viram a extrema-direita
dar um enorme salto eleitoral com a direita a tornar-se cada vez menos
democrática e cada vez mais próxima da direita radical.
A deriva
nacionalista e autoritária lembra o advento do nazifascismo e a tragédia que se
seguiu no século passado. Em França Marine Le Pen pode ser a próxima PR.
Esperemos
que a derrota pesada do autocrata Viktor Orbán seja amanhã o prenúncio da travagem
à deriva reacionária europeia, arrastando consigo Trump, que enviou o vice-presidente
J.D. Vance, a apoiá-lo e, em vídeo, participou num comício a prometer apoio económico
e financeiro à Hungria, chantagem que já fizera à Argentina, conseguindo a
vitória do execrável Javier Milei.
O que diria a senhora Von der Leyen, que apoiou expressamente o adversário, se em vez de Trump fosse Putin a apoiar Orbán? É esta duplicidade, conforme a origem do ditador, que tem isolado a UE e a desprestigia.
De qualquer modo, espero que caia amanhã o amigo do 4.º Pastorinho, André Ventura.


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