A visita do rei Carlos III aos EUA

A visita do rei Carlos III aos EUA

Para além do folclore que rodeia a monarquia britânica e do embevecimento de Trump, o construtor civil que exulta com o fausto e o fátuo das realezas, a visita do monarca do Reino Unido foi uma viagem milimetricamente coordenada pelo PM, Keir Starmer, na defesa dos interesses britânicos e da imagem do PM.

Contrariamente ao que pode parecer, o rei debita discursos escritos em Downing Street e não no Palácio de Buckingham. Para um país que pauta a sua política externa pela dos EUA, nada melhor do que enviar o rei para aliviar as tensões criadas com a invasão do Irão, aventura em que o RU não se atreveu a embarcar, e pela ameaça de Trump mudar a posição em relação à soberania das Ilhas Malvinas. E para Starmer tentar melhorar a sua imagem, nada melhor do que a visita de pompa e circunstância do casal real a outro que gostaria de o ser, enquanto os súbditos de Sua Majestade esbatem o azedume ao PM.

Trump fica embevecido a desfrutar a visita do rei do País cujo império se transferiu para os EUA, o rei justifica o custo da Coroa aos súbditos, e ainda levou um recado da UE a Trump para apoiar a guerra na Ucrânia.

É evidente que a viagem não tem o interesse que os média lhe atribuem, mas, enquanto o mundo está suspenso do fim da guerra do Irão e a UE assiste impotente, o espetáculo esconde as tentativas diplomáticas dos bastidores das quais se espera que consigam pôr termo às guerras insensatas que grassam por todo o mundo.

Como nota de humor deixo um criativo cartune que denuncia os desejos secretos de um homem de negócios a tornar-se nobre, uma qualidade cujo mérito se adquire por acasos da História e se transmite vitaliciamente por via uterina.  

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