A Constituição Política de 1933 – Modus operandi da extrema-direita

A Constituição Política de 1933 – Modus operandi da extrema-direita

O promissor ditador, instruído durante oito anos no seminário de Viseu, brilhante aluno da faculdade de Direito de Coimbra e militante da madraça do CADC, depois de ter sido docente e poderoso ministro das Finanças da ditadura militar, governou Portugal como presidente do Ministério, de forma ditatorial, entre 1932 e 1933, hábito a que não mais renunciaria, como vitalício Presidente do Conselho.

Em 19 de março de 1933, Salazar apresentou ao País o projeto da Constituição Política, sufragado através de plebiscito popular direto, com as abstenções contarem como votos “sim”, num processo condicionado, para reforçar a ditadura.

Os fundamentos da ditadura antiliberal, anticomunista e, naturalmente, antidemocrática, ficaram ali plasmados num diploma que instituiu o regime clerical-fascista vitalício, que só a inutilização física e mental do fundador levou à substituição de ditador.

Num ambiente de euforia fascista em toda a Europa, com a ascensão de Hitler ao poder no mesmo ano (1933), começou a tomar corpo o aparelho repressivo e a propaganda ao “Salvador da Pátria”.  Em 1933, nasceu a polícia política, PVDE, rebatizada, em 1945, como PIDE. Deve-se-lhe a vigilância da população, a expulsão de opositores do regime, a tortura, a repressão e o clima de medo que sustentou o ditador.

Caxias, Peniche e Tarrafal ficaram como símbolos do terror fascista onde a tortura era a tarefa dos esbirros, e o desprezo pelos mais elementares direitos humanos, a norma.

Por estranha coincidência, no mesmo dia da Constituição fascista, 35 anos depois, 19 de março de 1968, Mário Soares seria deportado para S. Tomé, sem qualquer julgamento, por denunciar a um jornalista do Sunday Telegraph um escândalo sexual que envolveu membros do Governo e dignitários do regime, escândalo que a censura abafou.

Não valeria a pena referir os massacres nas colónias, a guerra e a fome do país que a Igreja católica, a censura e a Pide transformaram em campo de concentração, com elevadíssimos índices de pobreza, analfabetismo, mortalidade infantil e neonatal, se não fosse preocupante a conjuntura atual e desfaçatez dos neofascistas.

Só o empenhamento e a coesão dos democratas podem evitar que ao atual governo, que pretende reduzir direitos aos trabalhadores e trocar por armamento a Saúde e os direitos sociais, suceda uma nova ditadura.

É preciso avisar a malta!


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