O meu mural e os devotos do Santo André

O meu mural e os devotos do Santo André

Santo André, aka 4.º Pastorinho, dispõe de uma multidão de prosélitos que os apóstolos acicatam e conduzem ao combate contra os infiéis do ungido. Misto de Bolsonaro e de Milei, com aspirações a Trump, sabe acirrar os sequazes contra os adversários.

Vêm a este mural prenhes de ódio, movidos a ressentimento, esperando um afago do 4.º Pastorinho ou a bênção de um dos 59 apóstolos que no hemiciclo de S. Bento são as marionetas do Santo. Insultam, ameaçam, oferecem pancada e só se apaziguam quando escrevem, “nessa idade já não andas cá muito tempo!”, depois de exigirem o reforço da medicação, o internamento num Lar ou a consulta psiquiátrica. Alguns, para darem ares de intelectuais e mostrarem que na seita nem todos são analfabetos, designam-me como fóssil, geronte ou ancião.

Extasiam-se a chamar-me comuna, esquerdalho, velho e senil com erros de ortografia e atropelos à sintaxe, a denotar 4.ªs classes mal feitas e literacias tão rudimentares como as ideias, se acaso as têm. Adivinho-lhes a baba de gozo a sair da comissura das beiças com os insultos que me dirigem, a roçarem os cascos no unto da sua boçalidade.  

São crentes que bolçam mentiras e disparam impropérios com a sanha dos prosélitos e a convicção dos néscios, ávidos da pertença ao bando, satisfeitos por relincharem ao ritmo do Santo e de repetirem as suas mentiras com linguagem de estrebaria.

Não sabem quem foi Mussolini, julgam que Hitler era um jogador da segunda divisão e Salazar o pai da Pátria; que o 4.º Pastorinho é enviado do Divino para exigir aos infiéis a conversão; que o Rosário do chefe é o amuleto que afasta maus olhados e esconjura os espíritos satânicos que querem destruir o rebanho.

Veem nos refluxos esofágicos do St. º André tentativas de envenenamento, nos chiliques manifestações de êxtase e nas alucinações sinais da Providência. Julgam-se soldados da Cruzada para fazer Portugal grande outra vez, para reverter a descolonização e restaurar a Ordem ao serviço de Deus, Pátria e Família, para glória de Salazar que, tal como o 4.º Pastorinho, foi enviado da Providência.

As ovelhas do rebanho odeiam os cravos vermelhos, a democracia e a liberdade, mas adoram igualmente o seu contrário se o Taumaturgo mudar de opinião.

Os fascistas que enxameiam este espaço não são gente, são invertebrados que se imolam pelo chefe, seres misóginos, homofóbicos e xenófobos que cumprem qualquer missão que o Pastorinho lhes destine.

Quando o ídolo se entusiasma a chamar bandidos, ladrões, corruptos, mamões, foras-da-lei, pedófilos e violadores, extasiam-se por julgarem que está a insultar os adversários sem pensarem que pode estar a fazer a chamada dos correligionários.

Hoje, data do nascimento de Salazar, descoroçoado com os seus ídolos, que se tornaram tóxicos, nem uma missa de sufrágio lhe mandou rezar. O 4.º Pastorinho sofre!


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