A Opus Dei não é a Al-qaeda, mas assemelha-se
A Opus Dei não é a Al-qaeda, mas assemelha-se
Há na
Igreja católica uma organização que, por enquanto, trocou o cinto de explosivos
pelo cilício, a Bíblia pelos 999 pontos para a meditação, a liberdade pela
censura e a fé pelo poder. Substituiu o Espírito Santo, a quem era delegada a
obrigação de iluminar os cardeais nos conclaves, na eleição de João Paulo II e
de Bento XVI, a quem subsidiou, sobretudo ao primeiro, as atividades políticas
e o marketing pessoal.
A Opus Dei
é, sem esquecer a Comunhão e Libertação e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X,
a seita católica mais reacionária e mais poderosa. Tem a obsessão de criar
santos, a começar em casa, sem prescindir de alegados mártires que apoiaram
ditaduras. Em Espanha, faltam altares para tantos defuntos franquistas.
O
«Caminho» é para os membros da seita o que o Mein Kampf é para o nazismo. Os
999 pontos para a meditação é o número cabalístico com que santo Escrivá
remeteu para o 666 do Apocalipse. É a besta de patas para o ar, monsenhor
Escrivá a fazer o pino.
Os membros
da Opus Dei cultivam a discrição, malgrado os escândalos financeiros que
atraem. A falência dos empórios Rumasa, Matesa, e Banco Ambrosiano, são manchas
para que faltou benzina, e que não impediram a canonização meteórica do
fundador.
Impulsionadores
das beatificações e canonizações, dilataram a indústria dos milagres e
industrializaram a santidade. Apenas lhes correu mal a escolha de um jesuíta
para PDG do Vaticano, papa que correu o risco de ser chamado precocemente à
divina presença do patrão, como aconteceu ao Papa João Paulo que após 33 dias de
pontificado se esqueceu de respirar.
Enquanto
não recupera o poder sobre o catolicismo, a Opus Dei promove milagres e santos,
combate a cultura e a liberdade, e, em Espanha, prepara quadros para o VOX e PP
nos seus colégios e na Universidade de Navarra.
Tendo o
Vaticano abandonado a atualização do Index Librorum Prohibitorum, talvez por
vergonha, deixou o trabalho sujo para a Opus Dei, o que, para os devotos, é um precioso
serviço ao Divino. O Deus da Opus Dei abomina a cultura e a liberdade, e encarrega-se
a Obra de proscrever os livros perniciosos para a salvação.
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