A guerra vista por um ateu pacifista, ignorante da guerra e dos desígnios do Divino
A guerra vista por um ateu pacifista, ignorante da guerra e dos desígnios do Divino
Andava a
guerra a matar muito, com o deus dos judeus irado com o deus irascível dos islamitas,
quando o inconstante deus dos cristãos encontrou na fúria épica do mais
desmiolado dos seus crentes, o indefetível aliado do deus dos judeus na invasão
do Irão.
Não se
conhece a mais leve escoriação no deus de cada um deles, e são incontáveis os
milhões de crentes que, a crer no vademécum de cada crença, chegam precocemente
à presença do seu deus, por vontade do deus dos crentes da concorrência.
Andavam
judeus a dizimar islamitas ansiosos por exterminar judeus, quando o cristão que
se julgava ungido do Senhor e detentor das melhores armas para matar, se dispôs
a percorrer os céus, a terra e os mares para matar os mais destacados
funcionários do deus concorrente, no Irão, com uma parafernália bélica capaz de
acelerar o Armagedão.
Os crentes
da Tora matavam em Gaza e na Cisjordânia quando os cristãos foram em seu socorro
e levaram a guerra para o Líbano. Os crentes do Irão passaram a disparar contra
judeus, cristãos e islamitas heréticos graças a ateus confessos e cristãos, respetivamente
da China e Rússia, com armas e inteligência, em inteligência, os
militares são melhores que qualquer deus.
Trump, uma
espécie de sionista cristão, mais crente em prazeres da carne do que na vida
eterna, enredou o mundo numa confusão que ameaça o futuro da Humanidade. É o
que dá votar na extrema-direita, dar o poder a quem devia vestir uma camisa de
força, ter na a Sala Oval quem devia estar internado num hospício.
Na minha
descrença, creio que Trump se prepara para dar de frosques e culpar
cristãos que rejeitaram a aventura. Os mortos serão mártires ou terroristas,
conforme a lado.
Nos
medicamentos, para avaliar a eficácia, fazem-se ensaios duplo-cegos com
placebo, nos deuses, talvez por serem placebo, não há ensaios nem avaliação ou
qualquer prova.
No mundo
insano, é na catolicíssima Espanha que a voz de um ateu impõe um módico de
salubridade, “Não preciso de religião para saber o que é certo e o que é
errado”, e se tornou a referência democrática e progressista da Europa que se
ajoelhou a Trump na indigna subserviência que a deixou humilhada, empobrecida e
envergonhada.
Envergonha
a desfaçatez de Trump a bombardear os iranianos, enquanto negociava, a
chantagem de que foi capaz, a chantagem de que nos deixa reféns, daqueles
brutos que julgam ter o deus verdadeiro, odeiam crentes de outros deuses e os
descrentes de todos os deuses e demónios que infestam o mundo.
Quem crê em
orações, reza para que o Canal de Ormuz, antes aberto, seja reaberto por quem perdeu
100% da capacidade militar, segundo o agressor, talvez com uma insólita
portagem dos Aiatolas para dominar o mundo islâmico e impor a conversão do
resto.
Permitam-me,
leitores, que substitua pelo vosso “Deus nos valha”, a exclamação que só
recorrendo a Gil Vicente me permitiria desabafar!
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