A cumplicidade de Portugal na invasão do Irão. O PR concorda?

A cumplicidade de Portugal na invasão do Irão. O PR concorda?

Marco Rubio agradeceu a Paulo Rangel a “cooperação no setor da defesa”, acusando a cumplicidade de Portugal na invasão do Irão, situação em que se isolou da UE. Portugal foi o único país que aceitou a passagem de armas para a invasão em que Israel e EUA assassinaram sucessivamente dirigentes políticos, afundaram a marinha, destruíram a força aérea e arrasaram alvos civis no desejo expresso de enviar o Irão à Idade da Pedra, através da alegada excursão bélica referida por Trump.     

É urgente saber o que levou Portugal a quebrar a solidariedade com os outros países da UE e o RU, e a comprometer-se na aventura em que Israel e EUA se precipitaram.

Presume-se que o anterior PR não só não advertiu o Governo quanto à temerária decisão de ceder a Base das Lajes para a invasão, numa clara violação do direito internacional, como, de algum modo, foi cúmplice.

Paulo Rangel não pode chamar ação de defesa à invasão nem fugir às responsabilidades com mentiras e dissimulação. Ao contrário de Nuno Melo, seu colega da Defesa, Rangel tem suficiente preparação e inteligência para não poder ser considerado inimputável.

O governo não ignora a morte de 190 meninas numa escola, o bombardeamento de uma central nuclear, a destruição de pontes, centrais de energia e outros crimes de guerra. A subserviência a Trump torna Portugal suspeito de se transformar no submarino dos EUA na UE, que Trump amiúde humilha e abomina. Com este governo o País deixa de ser confiável para os parceiros europeus, e cobre-se de opróbrio.  

Na invasão do Iraque, Jorge Sampaio preservou a honra de Portugal. Agora espera-se do PR que tranquilize os portugueses perante a conivência do governo na agressão ao Irão.

O governo não pode invocar a aliança com o déspota, que o próprio país há de repudiar, para se eximir à responsabilidade de ser cúmplice de crimes contra a Humanidade. O governo de Montenegro, na ânsia de agradar a Trump, fez suas as prioridades dele.

É urgente saber o que António José Seguro pensa e o que fará para evitar que Portugal, tal como no Iraque, agora isolado na Europa, continue cúmplice de Trump e Netanyahu.

É irónico que o MNE, Paulo Rangel, anunciasse, na última quarta-feira, que transmitiu ao Conselho de Negócios Estrangeiros informal da União Europeia, reunido em Kiev, que Portugal participará na criação do tribunal especial para crimes de guerra russos na Ucrânia e, no dia seguinte, ontem, o drone assassino MQ-9 Reaper dos EUA aterrou pela primeira vez na base das Lajes, na ilha Terceira!

É irónico, repito, que Portugal se proponha julgar o massacre russo na cidade ucraniana de Bucha, crime que urge julgar, e seja cúmplice de outros crimes contra a Humanidade!


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