Mensagens

Uma coisa em forma de assim

Peço emprestado ao grande poeta surrealista, Alexandre O'Neill, o título do livro que reúne a sua produção literária em prosa para classificar a insólita atitude de Cavaco Silva, ainda residente no Palácio de Belém, ao indigitar Passos Coelho para formar governo, sem ouvir os partidos, ao arrepio da Constituição da República Portuguesa. Não é legítimo pensar que tenha obedecido ao seu partido, nesta decisão que se queria de Estado, à semelhança do que pareceu ser o anterior comportamento. Sem risco de cair sob a alçada do Código Penal, só pode admitir-se que os seus assessores desconhecem a Constituição da República Portuguesa. Desgraçadamente.

Os meninos do Ordonho

Mais de seis décadas passadas, não posso garantir que todos os anos entrasse na escola um novo irmão, a memória já não é o que foi, e foram vários os filhos dos caseiros da Quinta do Ordonho que diariamente percorreram cerca de três quilómetros até à escola de Vila Garcia, no concelho da Guarda, e igual distância para o regresso a casa. A assiduidade era espantosa, só quebrada quando a ribeira do Noémi transbordava e, no caminho, submergia o pontão que ligava as duas margens. Sapatos, onde os haveria, fosse verão ou inverno? A merenda, única refeição, se assim pode chamar-se ao que traziam os irmãos do Ordonho e as crianças do Carapito ou do Cairrão, as do Cume iam a casa enganar a fome, resumia-se a um naco de pão centeio, às vezes de cevada, com o parco peguilho que iam distanciando da boca para surdir até ao fim do pouco pão. Não eram diferentes de quase todos os alunos que, nas décadas de quarenta e cinquenta do século que foi, frequentavam a escola numa das mais pobres aldeias...

PSD

Ontem foi um dia politicamente surrealista. A Comissão Política Nacional do PSD decidiu nomear o seu vice-presidente Marco António Costa coordenador e porta-voz do PSD, substituindo, nas funções de coordenador,  Jorge Moreira da Silva e nomeando-o também porta-voz do partido. Não foi certamente uma forma de pressão sobre a Justiça para impedir a investigação do DIAP do Porto sobre o eventual enriquecimento ilícito do poderoso dirigente partidário. No mesmo dia Cavaco Silva substituiu-o numa insólita comunicação ao País sem ouvir os partidos com assento parlamentar e sem esperar pelos votos da emigração para saber qual o partido mais votado, a menos que se conheçam os resultados antes da contagem. Pode a máquina de ruído partidário enaltecer o monólogo debitado sem cumprimentar  quem teve a paciência de o escutar. Foi bizarra a comunicação encomendada a quem assistia dever de isenção. Ámen.

PRESIDENTE DA REPÚBLICA, NÃO!...

(Glosa sobre o poema de Ary dos Santos intitulado “Poeta Castrado, Não!”) [Autor, data e destinatário desconhecidos] Chamem-lhe o que quiserem, por justiça ou rejeição: cabeçudo, dromedário, fantoche de eleição, parvónio, salafrário, mestre-escola aldrabão, oportunista, falsário malabarista, cabrão. Chamem-lhe o que quiserem: Presidente da República, não!.. . Os que sabem, como ele, as linhas com que se cose veem o interesse dele em manter a sua pose: egoísta, trambiqueiro distorce a realidade, ao escrever cada “Roteiro”, para ter visibilidade!... Os que sabem, como ele, governar-se e encher a pança aceitam que seja dele tanta sede de vingança: Político vingativo e que, disso, não se cansa, não quer saber do aflitivo caos da atual governança!... O tipo não faz história. - Sua morte lenta é fatal!... Irá ficar na memória como um mesquinho banal!... O seu fim poderá ser uma penosa agonia!... O Povo irá fazer dele escárnio, em cada dia!... Vai aca...

Citando Torga

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Humor negro

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Matéria de fé

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A República e o 5 de Outubro_2015

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Em 5 de Outubro de 1910 – faz hoje 105 anos – terminou o poder vitalício e hereditário. Há 105 anos, ao meio-dia, na Câmara Municipal de Lisboa, foi proclamada e aclamada a República, perante o júbilo de milhares de cidadãos. A República aboliu os privilégios e títulos da nobreza e o poderio da Igreja católica. À hereditariedade sucedeu o escrutínio do voto; aos registos paroquiais, o Registo Civil obrigatório; ao direito divino, a vontade popular; à indissolubilidade do matrimónio, o direito ao divórcio; à conivência entre o trono e o altar, a separação da Igreja e do Estado. E os súbditos passaram a cidadãos. Celebra-a hoje quem exige ser cidadão e recusa ser vassalo. Merecem-no os seus heróis: Cândido dos Reis, Machado dos Santos, Magalhães Lima, António José de Almeida, Teófilo Braga, Basílio Teles, Eusébio Leão, Cupertino Ribeiro, José Relvas, Afonso Costa, João Chagas e Miguel Bombarda, foram os mais destacados desses heróis que prepararam e fizeram a Revolução. Afonso ...

Viva a República!

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Eleições legislativas_2015 (2)

Como é possível, quatro horas depois de encerradas as urnas, que os vários canais de TV não deem as previsões de deputados para o PSD e para o CDS, referindo sempre a união de facto e de conveniência para fins eleitorais e partilha do ‘pote’? A chantagem da pior direita para que António Costa se demita não resultou.  O país fica mais confiante com ele para enfrentar uma direita caceteira e ultraliberal. O PR de trinta e tal por cento dos portugueses fica isolado na aventura para que deixou conduzir o país. Marco António fica mais exposto e Relvas deixará de mandar no PSD. A chantagem das sondagens e as ameaças de Belém não conseguiram renovar a maioria da pior direita de sempre. O futuro da esquerda começa hoje.

Eleições legislativas_2015

A direita que confiscou os partidos apoiantes da pior maioria do regime democrático, logrou nas urnas a ilibação do pior Governo e do pior PR dos últimos 40 anos. Com Relvas dedicado à vida literária, Marco António escondido e Paulo Júlio a coadjuvar Relvas nas letras, outros se encarregaram, com igual esmero, de fazer a campanha suja. Foi sacrificado, nas lutas internas e ensanduichado, um dos mais íntegros e qualificados quadros do PS sem que o conjunto da esquerda alcançasse uma vitória tão ampla quanto devia perante a inépcia e traição do Governo. Foi arrasada a direita civilizada, de rosto humano, na aliança do cancro da coligação governativa com a sua metástase em Belém. Da imolação de António Costa fica o seu exemplo cívico e o percurso imaculado de um democrata sólido e honrado republicano. A aliança entre um retornado ressentido e um salazarista oriundo de Boliqueime, quiçá assustado por algum passado nebuloso nos negócios privados, ditou o veredito popular. Para quem, c...

Matéria de fé

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José Vilhena e a PIDE

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Homenagem a José Vilhena

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Faleceu hoje, aos 88 anos, escritor, cartoonista, pintor e humorista português cuja popularidade o tornou desprezado por pretensiosos aristocratas que se acanharam a reconhecer-lhe o talento multifacetado. Iconoclasta, jacobino e democrata era uma figura incómoda. O traço mordaz e a prosa verrinosa valiam-lhe a prisão e apreensão dos livros. É justo lembrar quem tanto gozo garantiu aos anticlericais e antissalazaristas no combate solitário que foi a sua imagem de marca. José Vilhena autorizou a Associação Ateísta Portuguesa (AAP) a utilizar os desenhos com  que zurzia os tartufos. No seu passamento, aqui fica um.

Dia de reflexão

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Quando não precisava de dinheiro para o CDS

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Mudam-se os tempos

O PR e o 5 de Outubro

Quando um Presidente da REPÚBLICA que aceitou sem um grito de revolta a extinção do feriado, quando esse regente da chefia do Estado, refém da coligação de direita, falta à celebração da data, perde o respeito que a Constituição exige e merece os epítetos que o Código Penal pune. Surpreendente é haver republicanos que defendam quem ofendeu a República, quem, na ignorância e traição à História, exonerou do calendário dos feriados as datas identitárias do País que somos – o 1.º de Dezembro e o 5 de Outubro. Terão de ser fortes os interesses para tamanha ignomínia.  E não me digam que este PR, esta coligação e este Governo que ora finda merecem respeito ou consideração de quem quer que seja.

Religião, poder e idioma

Quando Dilma Rousseff reivindicou a qualidade de Presidenta da República do Brasil para designar a função, pela primeira vez exercida por uma mulher em todo o espaço lusófono, provocou crispação e animosidade até entre os portugueses mais entusiastas da sua eleição. Não é a inflexibilidade do idioma luso que o impede, pelo contrário, mas o carácter misógino das religiões abraâmicas, neste caso, da católica. Deus e o Diabo, anjos e profetas, apóstolos e clérigos não têm feminino. Na angelogia não há ‘anjas’ em qualquer grau referido por Tomás de Aquino na escala decrescente da sua importância: 1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Principados, 8. Arcanjos, 9. Anjos. A Igreja considera a mulher inferior e impura. Paulo de Tarso, obreiro da primeira cisão conseguida do judaísmo, designava como obscenos o cabelo e a voz das mulheres. Essa misoginia tribal e patriarcal foi responsável pela sujeição feminina durante séculos e ainda influenc...

Coimbra - Jantar do 105.º aniversário do 5 de Outubro

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Coimbra Comemora o 105º Aniversário da República em 5 de Outubro de 2015 Republicanas/Republicanos O Núcleo de Coimbra do Movimento Republicano 5 de Outubro, fiel aos seus princípios constituintes, vai comemorar o 105º Aniversário da Implantação da República. Este ano o 5 de Outubro é numa segunda-feira, dia seguinte às importantes eleições para a Assembleia da República. Ainda não é Feriado Nacional o que, como é nossa renovada pretensão, deverá acontecer de novo em 2016. O Jantar Evocativo decorrerá em Coimbra, pelas 20h00, no Restaurante do Café A Brasileira/1º andar, na Rua Ferreira Borges, local de tantas memórias de resistência, durante a longa noite do “estado novo”, que separou a I da II República. Haverá intervenções políticas no decurso do jantar. O seu preço é de €15,00, tudo incluído. As inscrições são bem-vindas desde já e até ao limite do dia 1 de Outubro pf para anabela8@hotmail.com NP – Na inscrição queira indicar se pretende Bacalhau à Brasileira ou Lomb...

Notas soltas: setembro/2015

  Guiné-Bissau – A excisão [mutilação sexual feminina] foi abolida pelo Parlamento em 2011. O tribalismo criou um movimento que, alheio à dor e às consequências, pretende a revogação da lei que pune o crime. Em nome da tradição e de Maomé. Afeganistão – No país onde, em maio, uma mulher acusada falsamente de ter queimado o Corão, foi espancada até à morte por uma multidão em euforia pia, o chicoteamento de mulheres acusadas de adultério continua a ser o mais popular divertimento público. União Europeia – Ameaçada de desintegração pela falta de coesão, tornou-se refém de nacionalismos, irrelevante na cena internacional e prestes a sucumbir entre a vergonha da incúria perante a tragédia dos imigrantes e a submersão por uma cultura alheia. Filipinas – O único Estado do mundo, além do Vaticano, que não legalizou o divórcio, força os casais com casamentos falhados a continuar juntos ou a pedir a anulação, um processo caro e demorado que muitos não podem pagar. Migraç...