Eleições legislativas_2015

A direita que confiscou os partidos apoiantes da pior maioria do regime democrático, logrou nas urnas a ilibação do pior Governo e do pior PR dos últimos 40 anos. Com Relvas dedicado à vida literária, Marco António escondido e Paulo Júlio a coadjuvar Relvas nas letras, outros se encarregaram, com igual esmero, de fazer a campanha suja.

Foi sacrificado, nas lutas internas e ensanduichado, um dos mais íntegros e qualificados quadros do PS sem que o conjunto da esquerda alcançasse uma vitória tão ampla quanto devia perante a inépcia e traição do Governo. Foi arrasada a direita civilizada, de rosto humano, na aliança do cancro da coligação governativa com a sua metástase em Belém.

Da imolação de António Costa fica o seu exemplo cívico e o percurso imaculado de um democrata sólido e honrado republicano.

A aliança entre um retornado ressentido e um salazarista oriundo de Boliqueime, quiçá assustado por algum passado nebuloso nos negócios privados, ditou o veredito popular. Para quem, como eu, não aceita outra forma de conquista do poder que não seja a que o voto secreto e universal define, os resultados de hoje são dilacerantes.

No dia 4 de outubro foi sufragado o Governo que aboliu do calendário o 5 de Outubro e o 1.º de Dezembro, bem como o PR que o consentiu, numa clara vitória da propaganda sobre a razão. A emigração jovem, a chaga do desemprego, o empobrecimento do País, o aumento das desigualdades e da dívida, com os combustíveis e juros aos preços mais baixos de muitas décadas, numa espécie de síndrome de Estocolmo, não puniram os que nos conduziram ao abismo na última legislatura ampliada até ao limite máximo.

Na adversidade que nos atingiu, saibam as esquerdas, as que temos, preparar o caminho do futuro sem críticas mútuas e animosidade, que se compreendem em período eleitoral, e são abomináveis depois. Apesar de tudo, saíram maioritárias.

Comentários

Jaime Santos disse…
Deixe lá Carlos, pelo menos a Direita ficou em minoria na AR, e Costa não sai para já, tem pelo menos ainda o trabalho de ajudar a eleger um Presidente de Esquerda. Depois, amanhã é 5 de Outubro e faço minhas as palavras dele, viva a República e viva Portugal!

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