terça-feira, julho 31, 2012

MARIO DRAGHI, submetido a uma ‘dragagem’ de interesses…

Draghi faces formal complaint over conflicts of interest... link

O Observatório Corporativo Europeu (CEO, sigla em inglês), instituição não-governamental que ‘observa’ a actuação dos grupos de pressão no espaço europeu, acusa Mario Draghi, actual presidente do Banco Central Europeu (BCE), de pertencer a um lobby bancário – o Grupo dos 30 – facto pelo qual não parece reunir as condições de independência necessárias para o exercício do cargo em que está empossado. A integração neste lobby bancário é, no entender da CEO, incompatível com as regras éticas exigidas para a presidência do Banco Central Europeu.

Este Grupo lobista [G 30], sediado em Washington, nasceu em 1978, sob os auspícios da Fundação Rockefeller e integra administradores ou ex-dirigentes de bancos públicos e privados, (ex)líderes políticos, (ex)assessores financeiros governamentais e, ainda, ilustres académicos (até prémios Nobel!), sendo a sua principal ‘vocação’ o estudo e aconselhamento de questões relativas aos ‘mercados financeiros globais’ que, com sabemos, estão na génese da presente crise  (2008-12).
O ‘Grupo’, actualmente, integra: link

Paul Volcker - Ex- presidente da Reserva Federal dos EUA

Jacob A. Frenkel - Presidente do JPMorgan Chase International e ex-presidente do Banco de Israel

Geoffrey L. de Bell - Presidente da Geoffrey Bell

Jean-Claude Trichet - Ex-Presidente do Banco Central Europeu e Governador honorário do Banco de França

Leszek Balcerowicz - Ex-Presidente do Banco Nacional da Polónia

Mark Carney – Governador do Banco do Canadá 

Jaime Caruana - Ex-Governador do Banco de Espanha

Domingo Cavallo - Ex-ministro da Economia da Argentina

E. Gerald Corrigan – Diretor da Goldman Sachs e ex-presidente do Federal Reserve Bank of New York

Guillermo de la Dehesa - Diretor do Comitê Executivo do Grupo Santander e ex-vice-director do Banco de Espanha

Mario Draghi – Presidente do Banco Central Europeu e ex-governador do Banco de Itália

William Dudley - Presidente, Federal Reserve Bank of New York e ex- director administrativo do Banco Goldman Sachs

Martin Feldstein - Professor de Economia da Universidade de Harvard

Roger Ferguson - Vice-chairman do Board of Governors da Reserva Federal (EUA) e conselheiro económico do Presidente Obama

Stanley Fischer - Governador do Banco de Israel ; Director do Fundo Monetário Internacional

Armínio Fraga Neto - Ex-presidente do Banco Central do Brasil

Gerd Häusler – presidente do Bayerisch Landesbank

Philipp Hildebrand - Ex-Presidente do Conselho de Administração do Banco Nacional Suíço e professor universitário
Mervyn Allister Rei - Governador do Banco de Inglaterra

Paul Krugman - Professor de Economia na Universidade de Princeton ;

Guillermo Ortiz Martínez - Ex-governador do Banco do México e presidente do conselho do Banco de Compensações Internacionais

Raghuram G. Rajan - Assessor económico primeiro-ministro da Índia e professor de Economia;

Kenneth Rogoff - Ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional e professor de Políticas Públicas e Economia na Universidade de Harvard ;

Tharman Shanmugaratnam - Ministro das Finanças e vice-Primeiro-Ministro de Singapura e ex-Diretor Geral da Autoridade Monetária de Singapura

Masaaki Shirakawa - Governador, Banco do Japão

Lawrence Summers - Ex- secretário do Tesouro dos EUA e ex-presidente da Universidade de Harvard

Lord Adair Turner – Presidente da Autoridade de Serviços Financeiros e membro da Câmara dos Lordes, Reino Unido

Sir David Walker - Consultor senior da Morgan Stanley International, Inc.

Axel Weber A. – Presidente da União de Bancos Suíços (UBS) e ex –presidente do Deutsche Bundesbank

Yutaka Yamaguchi – Ex-vice-governador do Banco do Japão

Ernesto Zedillo - Ex- presidente do México

Zhou Xiaochuan - Governador do Banco Popular da China

Afinal são 32!. Um grupo ‘próspero’ e em expansão…

Ao olharmos para esta galeria de ‘notáveis’ somos empurrados para a visão da ‘estratégia da aranha’ e como se constrói uma eficiente teia (a nível global).

A questão relativa à pertença de Mario Draghi (o super-Mario) a este ‘Grupo’ foi sumariamente exposta por Kenneth Haar investigador do CEO:
Com a crise do euro o Banco Central Europeu assume um papel cada vez mais importante no apoio e regulação do sector bancário. É realmente preocupante que o Presidente do BCE seja autorizado a permanecer como membro activo do Grupo dos Trinta. O BCE tem regras de ética, mas esta questão parece ter sido ignorada. É como se as regras não valessem um cêntimo”… link (tradução livre).

Resta-nos aguardar a posição das instâncias europeias e/ou 'magistrais' lições de ética calvinista ...vindas de Frankfurt.

Barroso, Samaras e sound bites (hipócritas) …



Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, 27.07.2012, de visita a Atenas, em pleno período de avaliação da 'troika' à execução do plano de resgate imposto à Grécia, declarou:

“Os atrasos”, avisa, “têm de terminar”. “As palavras não bastam. As acções são muito mais importantes.link

Cabe aqui o provérbio chinês: “Eu interpreto os outros a partir de mim mesmo”…

Notas soltas: julho/2012



Egito – Mohamed Morsi, novo presidente e o primeiro eleito livremente, iniciou o mandato com a fórmula: «Juro por Deus todo-poderoso defender com a minha fé…», aterrando quem não tem fé ou perfilha outra. Espera-se a ditadura militar ou a teocracia.

Miguel Relvas – É mais fácil o diploma de um curso superior de 1 ano – espécie de Bolonha na hora –, do que calar jornalistas ou fazer esquecer a chantagem exercida e a censura tentada sobre os órgãos de comunicação. Depois vêm à superfície as viagens fantasmas, as moradas falsas e a aposentação política, legal, mas imoral.

Tribunal Constitucional – Quando o PR, que jurou fazer cumprir a Constituição, promulgou um OE com normas inconstitucionais. Só a rebeldia de alguns deputados do PS e do BE evitou mais um atropelo ao Estado de direito, graças a um acórdão exemplar.

Ministra da Justiça – A chantagem da senhora teve o efeito contrário. A ameaça do caos, caso a decisão do TC fosse a que teve vencimento, só podia contribuir para a decisão que preservasse a dignidade do tribunal. Aprendiz de feiticeira!

Ministro da Saúde – Um ministro que tem uma entrevista marcada com médicos e que insinua uma requisição civil, não é porque queira cancelar a reunião, é porque não conhece a Constituição e tem apenas uma vaga ideia do que seja a democracia.

Processo Freeport – Após sete anos foi pedida a absolvição dos dois arguidos, por extorsão. Com buscas antes de eleições, um inspetor da PJ condenado por violação do segredo de Justiça e um procurador punido com 30 dias de suspensão, tornou-se claro que era um processo para atingir quem nunca foi arguido.

PR – O silêncio de Cavaco Silva, perante os casos que comprometem o regular funcionamento das instituições – Secretas, Relvas, pressões a jornalistas –, é tão gritante que se presta à injustiça de pensarmos que se move por simpatias e interesses pessoais.

Síria – Os interesses geoestratégicos, as rivalidades políticas e os ódios religiosos misturam-se com intensas alterações demográficas e tornam-se num barril de pólvora que explode diariamente numa imensa carnificina sob a ameaça de guerra biológica.

Espanha – Manifestações contra a política do atual Governo, com a indignação a encher as ruas de 80 cidades, são um sinal de que as medidas não serão acatadas sem forte contestação. A Espanha aqui tão perto e tão diferente.

Citações

segunda-feira, julho 30, 2012

Momento de Poesia



Dissertação sobre o canto da Liberdade…

À Lara Ferraz,
pela sua militância

É rasante o teu voo
quando desces das íngremes alturas
e mergulhas na desordem do universo dos homens,
na tua ânsia aflita de desatar os nós górdios
que amarram os nossos sonhos.
Nem a tua voz se cala,
nem a tua vontade esmorece
nem os teus olhos deixam de brilhar
quando a cegueira paralisa
aqueles que não querem acreditar
que a roda da História
não se imobiliza no tempo.
Para ti, a luta começa no exato momento
onde os outros a abandonaram,
por descrença ou por cansaço,
outros, até por traição,
e tu vais buscar o grito da La Pasionaria
(que é também o teu)
quando empunhas a espada demolidora
e desfraldas as bandeiras
que cantam a nossa liberdade.
É que tu também aprendeste a dizer não!...

Alexandre de Castro
Ourém, Julho de 2012

E que tal chamar os bois pelos nomes? …


…”Juncker criticou o facto de a Alemanha permitir que se faça política interna em torno da moeda única e, sem referir em nomes, considerou que há «políticos alemães» que começaram a falar numa eventual saída da Grécia do euro”… link.

Quem – como por exemplo os ‘povos intervencionados’ - tem seguido percurso europeu de Jean-Claude Juncker não deixará de interrogar: porquê só agora?

Ou é, agora, porque está 'de saída' ? link

domingo, julho 29, 2012

Em Espanha é Rajoy quem está a mais


Sr. Rajoy, o senhor está a aplicar um programa oculto que não foi conhecido pelo eleitorado.

Uma carta que podia ser escrita a Passos Coelho por um presidente da Câmara ou qualquer outro cidadão.  Em Espanha, como em Portugal, a direita é a mesma.

Continue a ler aqui.

Graças à Virgem, por ser puta, ganhar dinheiro e ser feliz

Museu Nacional de Culturas Populares da Cidade do México alberga uma mostra transgressora de ex-votos, conhecidas através das oferendas religiosas.

Citando Miguel Torga


sábado, julho 28, 2012

Momento de Poesia



Sinfonia poética a duas mãos (2)


Hoje, os deuses do Olimpo, estremunhados,
acordaram em sobressalto. Descobriram
um ponto de luz intensa, a aparecer na Terra,
em todo o seu esplendor.
O poema é tanto mais perfeito quanto mais
as palavras obedecem à vontade do poeta,
e eu quero que este poema seja entendido
por quem o ouve e lê,
no pleno fulgor do instante.

Alexandre de Castro


Em pleno fulgor do instante
em que o poema se solta do punho do poeta,
houve alguém que o leu e entendeu.
Soube ainda pela boca dos deuses,
que eles procuram em desespero
a fonte de alimento dessa luz intensa.
Que energia será essa que tudo ilumina?

Sónia M.
Junho de 2012


Nota: Diálogo dos autores, a propósito do poema “Dissertação sobre a ternura”, publicado no Sussurros.

A escola e o presépio da minha infância - Crónica(R)


Bem crucificado e suavemente chagado, numa cruz de madeira dependurada na parede, penava um Cristo de bronze em resignada agonia, ladeado à direita por uma fotografia de um homem de bigode, fardado, conhecido por marechal Carmona, e à esquerda por um eterno seminarista, com ar de gato-pingado, que infundia terror – o Professor Salazar. Na mesma parede, em frente dos alunos, a razoável distância e muitos fungos depois, quedava-se a Senhora de Fátima, poisada numa mísula, alheada da conversão da Rússia e da salvação do mundo. Mais abaixo, à esquerda, ficava o quadro preto e o mapa do corpo humano e, à direita, rasgados, um mapa de Portugal Continental, outro das Ilhas Adjacentes e das Colónias e o mapa-múndi.

O soalho resistia aos buracos, numerosos e amplos, que a humidade e o uso se encarregavam de alargar. As carteiras alinhavam-se em rigorosa geometria com lugares destinados a mais de quarenta garotos de ambos os sexos distribuídos pela primeira, segunda e quarta classes. Entre quinze e vinte, estavam na sala oposta a frequentar a terceira, confiados à senhora Noémia, regente escolar.

Nos dias de chuva subvertia-se a ordem, numa complexa gincana de carteiras, para evitar que os pingos de água que escorriam do teto acertassem nos tinteiros e salpicassem de azul a roupa das crianças e os tampos de madeira.

No intervalo, meninos e meninas, em amplas correrias e direções opostas, procuravam os quintais próximos para se aliviarem dos fluidos que os apoquentavam.

À entrada da escola o presépio anunciava todos os anos o Natal. Na armação de tábuas e pedras cobertas de musgos, um menino de barro, seminu e de perna alçada, jazia em decúbito dorsal sobre uma caminha de palha centeeira. Era o Menino Jesus. De um lado uma virgem colorida, moderadamente recatada e com pouco uso, substituía a que se partira, interessada na companhia do filho que herdara. Do outro, um S. José, a quem a corrosão deixara em pior estado do que o dogma da Imaculada Conceição, parecia um erro de casting, indiferente ao aspeto, perdidas as cores, diluídas as formas, conformado com os olhares e as súplicas, incapaz de operar milagres, resignado com o frio de Dezembro.

O burro e a vaca comportavam-se a preceito, facilmente se adivinhando o gosto por erva se eles e esta fossem verdadeiros.

Os reis magos, eternos almocreves com ar de ladrões de camelos, virados para uma estrela recortada em papel colorido, permaneciam imóveis na lendária caminhada, quais amoladores de tesouras, à espera de fregueses para ganharem o sustento e um presente para o Menino.

As ovelhas, que placidamente decoravam a montanha, eram figurantes experientes, desinteressadas da importância que acrescentavam ao quadro e do exemplo de submissão que transmitiam. Nem um só carneiro as acompanhava, talvez para lembrar que é na renúncia ao prazer que se encontra a redenção da alma. Apenas um cão e o pastor.

Reflito hoje sobre a predileção por musgos, muitos musgos, para cobrir o chão do presépio. Na religião tudo se deve cobrir ou, no mínimo, disfarçar. Talvez esteja na ocultação dos órgãos de reprodução, característica das plantas criptogâmicas, a razão da preferência, a funcionar como metáfora.

Ah! Já me esquecia, pintados de branco, anjos de barro, junto ao caminho de serradura que conduzia à manjedoura, voavam baixinho, com asas quebradas, incapazes de regressar ao Céu. E o algodão em rama imitava os flocos de neve que lá fora rodopiavam ao sabor do vento. Eu gostava do Presépio. Não era o catecismo a aterrorizar-me com o Inferno onde as almas que ali frigiam, em perpétua flutuação no azeite fervente, eram mergulhadas com um garfo de três dentes empunhado pelo diabo.

A minha escola caiu, pelo Natal, ficando de pé uma única parede e a fé das pessoas que atribuíram à proteção divina a ausência de aulas durante a derrocada.

sexta-feira, julho 27, 2012

Paulo Portas : a redundante missiva ou uma insaciável sede de protagonismo?...

Site do CDS/PP link:

… «Segundo o líder do CDS, "o nível de impostos já atingiu o seu limite", e afirma que "praticamente todas as medidas fiscais tomadas " resultam do "cumprimento de obrigações do acordo externo". Paulo Portas defende ainda uma "política fiscal seletiva, competitiva e favorável à família, à empresa e ao trabalho" para o período pós ´troika'… » .

Esta ‘novíssima’ carta – de Paulo aos ‘devassos’ coríntios? - para socorrer-me da concepção cristã que enforma a ‘doutrina’ deste partido, mostra, antes de tudo, que a coesão da governação não é tão sólida, nem tão fácil, como frequentes e arrebatadas juras públicas pretendem fazer crer.

A carta ‘epistolar’ deste Paulo (de cá, das ‘feiras’, das pandeiretas) é, antes de tudo, um documento acerca das notórias incomodidades que o exercício do poder, inevitavelmente, está a levantar. Evidencia, por um lado, o sentimento de uma inadiável necessidade de dar explicações aos ‘estupefactos’ e, quiçá, ‘titubeantes’, apoiantes desta coligação, já que o seu líder formal, Passos Coelho, tem revelado – para esta tarefa - uma absoluta inépcia.
Revela, por outro lado, uma iniludível descrença em relação aos resultados que estas políticas estão a conduzir, adiantando, desde já, promessas que incidirão, necessariamente, sobre a próxima legislatura. Quando se atiram ‘palpites fiscais’ para o ‘período pós-troika’ (que necessariamente se confundirá com o término do presente ciclo político) - e é exactamente isso que o documento de Portas mostra - embora se possam adiantar proclamações do tipo que ‘se lixem as eleições’, Portas está a virar-se para horizontes da próxima legislatura, admitindo, a latere, que ‘o [actual] nível de impostos já atingiu o seu limite’.
De facto, e continuando a utilizar as imagens bíblicas, o País já desceu a um 'inferno fiscal'. Todavia, em redor do grande número de sacrificados esvoaçam, impunemente, múltiplos usufrutuários de paraísos (fiscais). Sobre estes últimos a ‘epístola’, como seria de esperar, passa ao lado.

Esta narrativa com pretensões reflexivas e ambições epistolares, tem valor (político e simbólico) em três vertentes:

Primeiro, pelos 'recados' que transmite para o interior da actual coligação governamental que, como o momento exige, ficam a aguardar melhores explicitações. Mostram, contudo, que se sente a necessidade de procurar consensos fora das cúpulas dirigentes de topo (partidárias);

De seguida, para além do conjunto de banalidades que encerra [nada adiantando sobre os relevantes acidentes de percurso], tenta esconder os problemas decorrentes da execução de ajustes em várias frentes (orçamentais, financeiros, económicos e sociais), que parasitam o ‘plano de resgate’ (como p. exº: o crescimento exponencial do desemprego) transformando-o num labiríntico e ininteligível programa de governação;

Finalmente, relevantes são as suas omissões facto que tornam o documento num diletante e supérfluo exercício de pedantismo (político e pessoal).

A vida está difícil


Momento de Poesia




Dissertação sobre a mentira e a verdade…


Excelentíssimo Senhor:
Devo informá-lo que na sua última missiva
contraria tudo aquilo que disse anteriormente.

Caro amigo:
Informo-o que deve sempre  considerar como verdadeiro
tudo aquilo que eu afirmar na minha última mentira…
Devolvo-lhe a acusação, pois é o senhor que mente,
já que não leva em linha de conta que a verdade
é uma entidade volúvel, que no dia seguinte
já não é válida

Alexandre de Castro
Lisboa, Julho de 2011

quinta-feira, julho 26, 2012

Draghi: a declaração do dia

… em Londres, Mario Draghi garantiu que o euro é irreversível e acrescentou: “no quadro do mandato, o Banco Central Europeu está pronto a fazer o que for necessário para preservar o euro. E acreditem, será suficiente”. link

Falta explicar o verdadeiro alcance da expressão: ‘o que for necessário’

Para já parece ter sido ouvido pelos 'mercados'. Resta saber por quanto tempo.

Estátua de D. João Peculiar



Adriano Moreira – cúmplice fascista reabilitado


Deixem-me pronunciar sobre este académico ilustre, de passado pouco recomendável, antes de ser adulado no próximo dia 6 de setembro, ao comemorar 90 anos, e elevado aos altares quando o seu deus for servido de o chamar à divina presença, ao contrário dos ateus que se limitam a morrer quando a vida se extingue.

Convém fazê-lo já, não porque o homem, lúcido e inteligente, não continue a escrever – e bem –, e a pensar – e mal –, durante mais uma década. Pela minha parte não lhe desejo a antecipação das cerimónias fúnebres, do cortejo das carpideiras e dos elogios que os atuais PR e PM lhe fariam, à semelhança do sucedido, quiçá por ignorância, ao recém defunto José Hermano Saraiva.

Convém fazê-lo agora, por dois motivos, porque posso antecipar-me ao ministro fascista na defunção e porque, como notei no passamento de J. H. Saraiva, não se pode dizer mal de um morto que ainda mal fede. Mesmo depois, esquecidos os crimes, acabam por ser pessoas de bem, com missas sazonais a sufragar a alma, a benzina que desencarde o passado do pior defunto.

Adriano Moreira foi também ministro de Salazar e não podia ignorar as torturas da Pide, as prisões sem culpa formada, as medidas de segurança, a violação da correspondência, os degredos, os Tribunais Plenários e as enxovias do regime. Era um homem inteligente e informado. Sabia que a Pide matava. Aliás, como subsecretário de Estado do Ultramar (59/61) e ministro da pasta (61/63) foi o responsável da polícia política nas colónias.

Hoje já poucos se lembram de que foi ele quem assinou a portaria que reabriu o Campo do Tarrafal, em Cabo Verde, dessa segunda vez destinado aos presos dos movimentos de libertação das colónias. Preferem lembrar que foi democrata na juventude e no pós-guerra, quando, após a derrota do nazi-fascismo, a Inglaterra prometia acabar com todas as ditaduras europeias e Salazar e Franco tremeram.

Quando a cadeira salvou Portugal do ditador de Santa Comba foi em Adriano Moreira, além de Marcelo, que os próceres da ditadura pensaram. Era um bom académico? – Sem dúvida, como Marcelo. Mas como ministro do Ultramar, para lá da reabertura do campo da morte lenta do Tarrafal, não teve conhecimento dos atos bárbaros com que as Forças Armadas Portuguesas responderam à crueldade da primeira sublevação em Angola? Ou defendia a pena de Talião? Foi no seu tempo que se cometeram algumas das mais cruéis punições militares. Não tinha força para as impedir? Mas foi determinado a demitir o general Venâncio Deslandes de cuja fidelidade desconfiou.

Depois do 25 de abril de 74 foi militante do CDS e seu presidente. Quando o CDS, por ser excessivamente reacionário e antieuropeísta foi expulso da Internacional Democrata-Cristã Europeia, o político Adriano Moreira demitiu-se ou ficou com Paulo Portas?

Não há a mais leve suspeita nem o menor indício de que seja um democrata mas não faltarão Cavacos, Relvas e Coelhos vestidos de gatos-pingados no funeral nem lugares-comuns a incensarem o «patriota», o académico e o «democrata», entre os que, à falta de melhor, se engalanaram com as penas da democracia.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, julho 25, 2012

Pedro Almodóvar e próximo guião sobre um ‘governo brutal’…


In ‘El deseo’

Uma questão de consciência social


O cuco-canoro...

Declarações do 1º. Ministro, ontem, num jantar com o grupo parlamentar do PSD:

"Estivemos a um passo da bancarrota e um ano volvido, a perceção que existe é de que não demos um passo em frente [...] Foi talvez a única área em que andamos para trás", criticou o governante acusando os partidos da oposição de não terem uma visão sobre o futuro que possa "representar um caminho alternativo" para Portugal. link

Há um ano - para nos cingirmos ao período referido por Passos Coelho - fomos, e os portugueses sabem-no bem, confrontados com um impiedoso cerco dos ‘mercados’, quer directamente, quer através de seus títeres, que impossibilitou a prossecução de ‘normal e usual’ financiamento do Estado, da economia e do sector bancário. Fez-se ‘sentir’, de modo avassalador e directo, o peso da dívida (pública e privada). Saltaram para a ribalta política os ‘ocultos’ erros de sucessivos Governos: deficits orçamentais excessivos a par de um crescimento económico anémico. Erros que condicionaram um desmesurado endividamento do Estado, do sector bancário (maioritariamente privado), das empresas e das famílias. Da conjugação de todas estas vertentes ‘nasceu’ o desastre. Mas o ‘filme’ não começa nem acaba aqui.

Para não nos fixarmos na árvore próxima, temos de recuar mais. No início do mandato do XVIII Governo Constitucional – em 2009 - começaram os ‘ajustamentos’ com os PEC’s e, então, para o PSD na oposição, todas as alternativas pareciam viáveis, nomeadamente, as 'suas'. Esse caminho repleto de meandros alternativos foi, então, entusiasticamente abraçado pelo PSD/CDS. Era a oposição pura e dura. Convém recordar que a ‘pressão’ dos ditos ‘mercados’ não dava tréguas e as negociações no seio da UE, para estabilizar a situação financeira, não ‘ofereciam’ soluções. Neste caminho, de tentativas e de procura de respostas, chegamos - pela mão do Governo - ao PEC IV. A situação, não vale a pena ‘brincar’ com a amnésia dos cidadãos, era dramática. Todavia, nessa encruzilhada, os actuais governantes, de braço dado com a totalidade das Oposições, não hesitaram em lançar o País numa crise política de consequências devastadoras.

No meio dessa crise os actuais governantes propalaram alto e em bom som que estavam ‘disponíveis’ para Governar com o FMI – no que foram ‘acompanhados’ pelo sector bancário e financeiro - o que traduzia uma brutal inversão estratégica.
Aí – ou a partir daí - o País passou de um estado de severas e dificilmente contornáveis dificuldades de financiamento e iniciou o doloroso (realista)  convívio com o espectro da ‘bancarrota’.
O PSD e o CDS aproveitaram o momento para lançarem desenfreadas ‘soluções alternativas’. Configuram aquilo que hoje sabemos serem meras ‘promessas eleitorais’ rasgadas no dia seguinte do assalto ao Poder (e justificadas por 'colossais' buracos financeiros e orçamentais).
Derrubaram o Governo e, uma vez consumado o acto e antes de qualquer acto eleitoral, ‘obrigaram-no’ (apesar de estar em 'gestão corrente') a negociar um programa de assistência externa com a UE e o FMI. Também chamado ‘de resgate’. Sobre esse memorando surgiram (e continuam a surgir) os mais diversos ‘entendimentos’. Desde uma leitura 'político-dietética', demagogicamente assumida pelo PSD/CDS, durante o periodo eleitoral que se seguiu, em que bastaria cortar na ‘gorduras’ do sector público para alcançar o Éden, ao 'furor keynesiano' do PS que pretendia combater a crise instalada com mega-projectos de investimento público (TGV, NAL, 3ª ponte sobre o Tejo, etc.), através de PPP’s, passando pela necessidade de renegociação (reestruturação) da dívida, defendida pelos grupos políticos mais à Esquerda. Havia, portanto, 'soluções' para todos os gostos. 

Como muitas vezes acontece em política, nenhum destes diferentes posicionamentos seria (ou será), como hoje é notório, uma inatacável solução.
A resposta (à crise), como começa a ser fastidioso relembrar, sempre residiu (e reside) fora do País. Isto é, numa Europa enrolada em contradições económicas, com interesses financeiros divergentes, política e estrategicamente à deriva e actualmente subjugada a revanchismos moralistas e puritanos (para não dizer arianos).

Mas voltemos ao ‘bordão governamental’ (de ser o 'salvador da bancarrota') e tentar colocar as coisas no seu lugar.
Quando, há cerca de um ano, a actual maioria chegou ao poder o cenário de ‘bancarrota’ estava afastado, embora os desafios permanecem. Existia um ‘pote’ de 78.000 M€ e, claro está, um programa de ‘ajustamento’. Que para consumo interno se atribui a sua autoria ao XVIII Governo Constitucional. Todavia, a sua ‘leitura’ é, nos dias que correm, um usurpado privilégio de Passos Coelho que, ad nauseum, a usa como arma de marketing e de arremesso político.
Trata-se, assim, de um 'primeiro-ministro cuco’ (ave canora que anuncia 'primaveras' e aproveita pela calada para pôr os ovos no ninho dos outros pássaros).

terça-feira, julho 24, 2012

Associação Ateísta Portuguesa (AAP)

Para professores de religião católica não falta dinheiro

Factos & documentos

Lúcia considerava Salazar «o enviado da Providência»

Dissertação sobre a dúvida da existência de deus…



Dissertação sobre a dúvida da existência de deus…

Sobre a não existência

O ónus da prova pertence aos que primeiro afirmaram deus existe e não aos que depois disseram deus não existe. Ninguém poderia, no ponto de vista histórico e antropológico, ter afirmado deus não existe, se, anteriormente, alguém não tivesse dito “deus existe”. O princípio da afirmação da existência precede o princípio da afirmação da não existência. Não me peçam para demonstrar que deus não existe, sem antes pedirem a respetiva demonstração aos que primeiro afirmaram que deus existe.

Durante muitos séculos, judeus e cristãos andaram enganados, julgando, como dizem as escrituras, que a Terra é o centro do Universo, um dogma que Copérnico e Galileu, através da ciência, arrasaram, com a teoria heliocêntrica, dando assim razão aos que, antes deles, acreditavam que a Terra não era o centro do Universo.

Também aqueles, que andam agora a dizer que deus existe, estão a validar a afirmação daqueles que dizem que deus não existe, a única fórmula que até agora é verdadeira, pois ainda ninguém viu a criatura. 
Em resumo: demonstrem-me primeiro que deus existe, e só depois, então, poderemos falar

Sobre a existência

O meu vizinho de cima, um velho de noventa anos, dá, todos os dias, apoiado nas suas muletas, três saltos mortais, fazendo um grande estardalhaço no prédio. Um salto, de manhã, antes do pequeno-almoço. Um segundo salto, ao meio dia, antes do almoço e um terceiro, ao fim da tarde, antes do jantar. Dispensa o quarto salto, antes de se deitar, pois tem medo de morrer durante o sono, pelo efeito da turbulência cerebral, segundo me disse. 

Fiquei admirado com a agilidade do velho e pensei logo que aquilo poderia dar uma boa história sobre o fenómeno do sobrenatural.

Contei isto ao meu vizinho do lado, e ele não acreditou, ao ponto de se ter dado ao trabalho de passar vinte e quatro horas com o ouvido colado à porta do meu vizinho de cima. Veio dizer-me que apenas ouviu o velho a ressonar durante a noite, acrescentando que eu devia estar a delirar. 

Fiquei ofendido com a afronta, e, de maus modos, respondi-lhe que iria espalhar a boa nova por toda a parte. Ao fim de dois meses já tinha milhares de crentes, em fila, à porta do meu prédio, para ouvirem o estardalhaço provocado pelos saltos mortais do velho. Lembrei-me depois de começar a cobrar um pequeno óbolo, que dividia com o velho. Tudo isto enfureceu o meu vizinho do lado, que não se cansava, sem qualquer êxito, de, perante todas aquelas pessoas, que aguardavam a sua vez de ouvir o extraordinário fenómeno, acusar-me de charlatão. 

Comecei a perceber que tinha inventado um deus…  

Alexandre de Castro

Lisboa, Julho de 2012
  


segunda-feira, julho 23, 2012

Fatalidades, inaptidão e/ou cumplicidades?


Vivemos na ilusão que conseguiremos vencer a crise europeia pela persistência. Evitamos, enquanto Europa, ‘sentir’ a trajectória de isolamento para a qual estamos a ser relegados. Em cada Conselho Europeu construímos soluções, aparentemente brilhantes, consensuais e – encare-se a realidade – duras, que os mercados na semana seguinte canibalizam. Se endurecemos - através da austeridade - medidas de combate ao deficit orçamental, estas significam, para os ‘mercados’, a intensificação da ‘espiral recessiva’ e, logo, o aumento do risco de pagar, em várias maturidades, a dívida externa, só possível com um crescimento económico robusto.

Estamos a ser paulatinamente conduzidos, enquanto europeus, para um ‘cul de sac’. Dia após dia, somamos aos países já intervencionados o espectro de novos ‘aderentes’. Aos casos da Grécia, Irlanda e Portugal, temos de acrescentar Chipre e prepararmo-nos para juntar a Espanha e a Itália. Isto a breve prazo.

Sobre o intervalo decorrido entre o dealbar da crise e os dias de hoje (2008-2012) o saldo, na realidade, não é positivo.

A Grécia está confrontada com a realidade de uma profunda recessão, aumento da dívida externa (apesar do ‘hair cut’) e as soluções políticas - quer impostas pela UE ou gizadas pelo escrutínio popular - não funcionam. Neste momento, vive a ameaça do fim da ajuda externa (recente declaração de intenções do FMI) e o 'inevitável' abandono da Zona Euro.

A Irlanda, a braços com uma situação bancária insustentável que obrigou a injecções massivas de auxílio externo (BCE/FMI) está a dar ténues sinais de consolidação do sector bancário e tenta, por esse caminho, regressar aos ‘mercados’, mas os sinais de recuperação económica são débeis (um crescimento previsto de 0,5% em 2012 para um deficit estimado em 8,6%) e a situação social muito tensa.

Portugal, apesar de medidas restritivas drásticas que aprofundaram a espiral recessiva e de um Governo empenhado em ser um ‘bom aluno’, está à beira do incumprimento das metas do deficit em 2012, com todas as consequências daí advindas para um ‘projectado’ regresso aos ‘mercados’ em 2013. Acresce que a estes factos, surgem dois novos ‘acidentes’: começa a desmoronar-se o consenso político, gerado em 2011, à volta do programa de resgate; e prenuncia-se uma escalada da contestação social.

Chipre, é o mais recente membro do ‘clube dos intervencionados’ tendo solicitado um pedido de ajuda financeira à UE, sendo a primeira evidência da ‘tese do dominó’, dada a sua exposição à ‘crise grega’.

Espanha, debate-se entre incríveis ambiguidades políticas e uma infernal realidade financeira, económica e social. Perante um gigantesco ‘buraco financeiro’ que tem sucessivamente ‘levado à glória’ muitas Cajas de Ahorros, destroçando o sistema bancário, o Governo sentiu necessidade de accionar um pedido de assistência financeira à UE direccionado para o saneamento do sector bancário. No plano social pisam-se terrenos agitados e movediços. Enquanto ainda decorrem acertos sobre um ‘especial’ modelo de apoio ao sistema bancário, surge no horizonte a urgente solicitação de ‘auxílio’ financeiro ao Governo espanhol, por parte dos Governos de diversas comunidades autónomas (Valência terá sido o rastilho), facto que coloca a Espanha na eminência de um ‘resgate global’.

Itália, alia em simultâneo uma crise política, económica e financeira. Embora com um deficit relativamente controlado tem uma dívida pública elevada (120% do PIB em 2011). O crescimento para 2012 – depois de revisto - será inferior a 1%. Politicamente, a instabilidade é notória, o que dificulta a adopção de eventuais 'ajustes internos', estando o regime democrático em interregno funcional, com a governação Monti. Estão reunidos os ingredientes para o colapso. É o País que se segue (na óptica dos ‘mercados’).

Este ponto da situação, simplificado e esquemático, mostra que o ‘ataque’ (com múltiplas facetas) aos Países que integram a Eurozona não é acidental, nem fortuito e muito menos inocente. Existiram, na verdade, erros de percurso, de planeamento, falta de rigor orçamental, nomeadamente, nos últimos 10 anos. Todavia, essas circunstâncias tornam, hoje, mais notórias as fragilidades (financeiras e políticas) permanentemente evidenciadas pela UE em cada cimeira que já realizou e, adiantamos, nas que projecta realizar.

Por detrás desta avalanche de manobras, atribuídas lato sensu aos ‘mercados’, não se esconderá uma estratégia financeira global?
Ou existirão ocultas conivências?

Associação Ateísta Portuguesa - Exposição ao Provedor de Justiça


Exmo. Senhor
Provedor de Justiça
Juiz-Conselheiro Alfredo José de Sousa
provedor@provedor-jus.pt
Rua Pau de Bandeira, 9
1249-088 – LISBOA


Senhor Provedor de Justiça

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), inconformada com as injustiças cometida pelas dioceses, na nomeação de professores de Religião católica nas escolas, e entendendo que são imorais e lesivas do interesse de outros professores, para além de achar injusta a promoção de uma religião particular, vem junto de V. Ex.ª solicitar o alto patrocínio da Provedoria de Justiça para pôr cobro a tão lamentáveis práticas, com a exposição dos factos de que tem conhecimento. 

  
RELIGIÃO CATÓLICA NAS ESCOLAS
De acordo com o Artigo 19 da Concordata subscrita pelo Estado Português, a República Portuguesa “garante as condições necessárias para assegurar, nos ternos do direito português, o ensino da religião e moral católicas nos estabelecimentos de ensino público não superior, sem qualquer forma de discriminação”.
E acrescenta: “Em nenhum caso o ensino da religião e moral católicas pode ser ministrado por quem não seja considerado idóneo pela autoridade eclesiástica competente, a qual certifica a referida idoneidade nos termos previstos pelo direito português e pelo direito canónico”.

Mais ainda: “Os professores de religião e moral católicas são nomeados ou contratados, transferidos e excluídos do exercício da docência da disciplina pelo Estado de acordo com a autoridade eclesiástica competente”.

Até 1989, o procedimento baseava-se na indicação, por parte do bispo, de quem iria lecionar a área em cada escola. Aliás, o mesmo acontece ainda hoje no ensino particular e cooperativo com contrato de associação, o qual tem uma especificidade curiosa que abordaremos a seguir.

Em 1989, o decreto-lei nº 407/89 veio criar nas escolas dos 2.° e 3.° ciclos do ensino básico e nas escolas do ensino secundário lugares do quadro para professores da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, alterando a prática de indicação anterior. Estes docentes passam  a fazer parte do corpo docente dos estabelecimentos de ensino em que prestam serviço, “gozando dos direitos e deveres inerentes à função docente”.

Podem ser opositores a esse concurso os professores “com habilitação própria para a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, desde que sejam portadores de uma habilitação pedagógica complementar para o exercício de funções docentes desta área fornecida pela Igreja Católica e de sua inteira responsabilidade”. Esta habilitação pedagógica é conferida pela Universidade Católica.

Como acima se referiu, e com as alterações que são justificadas pela especificidade do ensino privado, estes procedimentos aplicam-se também ao ensino particular e cooperativo com contrato de associação, com a particularidade, neste caso, dos indicados pelas dioceses passarem a integrar obrigatoriamente os quadros desses estabelecimentos, ao abrigo da legislação laboral existente em Portugal.

Aqui deve falar-se apenas em pessoas “indicadas” porque, de facto, não há concurso público similar ao que ocorre no ensino oficial. Normalmente em Julho de cada ano, a diocese questiona as escolas privadas sobre o número de aulas previstas e indica então a pessoa da sua confiança.

O curioso desta situação é o seguinte: um professor nomeado pelo bispo para dar aulas de EMRC pode perder a confiança das autoridades eclesiásticas. Neste caso a entidade patronal do colégio ou instituto viu-o entrar nos seus quadros de pessoal e ou lhe dá aulas de outra disciplina que possa lecionar ou inicia um processo de despedimento de uma pessoa para cuja contratação em nada contribuiu.

Tranquilamente, a igreja católica nomeia um novo professor, que substituirá o primeiro, sem que daí lhe advenha nenhum especial constrangimento.

Acresce que os professores de EMRC, graças à contagem do tempo de serviço, quando têm habilitações para outras disciplinas, mas não têm vaga, acabam, através do tempo contado como professores de EMRC, por ultrapassar os seus colegas para a colocação nas disciplinas para que têm habilitações.

Por parecer à Associação Ateísta Portuguesa (AAP) uma iniquidade a situação exposta, pedimos a V. Ex.ª o apoio para a reparação de uma injustiça que, a nosso ver, beneficia em exclusivo uma religião particular, fere a laicidade do estado e acaba por prejudicar professores mais qualificados que se veem ultrapassados por que foi discricionariamente colocado pelos bispos como professores de EMRC.

Apresentando-lhe os nossos cumprimentos, esperamos o fim da injustiça referida.

sábado, julho 21, 2012

O incrível acontece…

FMI insiste que Governo pode subir taxas mais baixas do IVA link

Ou Portugal transformado num laboratório de experiências de resgate. E os portugueses em cobaias nas mãos do ‘senhores de preto’ que estão a colocar o ‘bom aluno’, à beira de um ataque de nervos.

Interessante é propagandear a intenção de equilibrar o deficit orçamental cortando na despesa mas sempre que surge um contratempo – do qual ninguém se assume como responsável – aposta-se na solução pelo lado da receita.

O Governo tem de esclarecer urgentemente esta circunstância: quando afirma que ‘não precisa de mais tempo, nem mais dinheiro’, acaso estará a pensar agravar a austeridade e intensificar a recessão económica.

Os permanentes sound bites vindos dos representantes dos credores, que trimestralmente por aqui passam e se anunciam desta forma, são o sufoco dos contribuimtes e a fatal ameaça de destruição da economia nacional, já tragicamente debilitada. 

Incrível!

Salazar – um déspota cruel a quem não faltaram cúmplices


Em 25 de Abril de 1974 foi derrubada a ditadura fascista. Os próceres do regime, após o susto inicial, conformaram-se com a democracia à espera da desforra que não veio.


Os Pides eram todos escriturários, os bufos extremosos pais que arredondavam o salário com informações sem importância e os juízes dos tribunais plenários excelentes juristas em comissão de serviço para uma promoção mais rápida.

Com o decorrer do tempo o fascismo converteu-se em ditadura para depois se tornar em mero regime autoritário. Agora, perdida a vergonha e a memória, já regougam aí alguns crápulas que era, apenas, um regime diferente, o outro regime.

José Hermano Saraiva, cúmplice da ditadura e ministro fascista faz a discreta apologia do biltre que transformou Portugal em quinta e os portugueses em emigrantes.

A guerra colonial passou a guerra do Ultramar e os soldados mortos, vítimas da guerra injusta e criminosa, a «Heróis do Ultramar». Os crimes cometidos contra as forças de libertação de Angola, Moçambique e Guiné são agora ações patrióticas de manutenção de paz e os assassínios, sob tortura, a atos de legítima defesa.

E, assim, numa lenta evolução semântica, o crime virou cumprimento do dever e os seus cúmplices heróis da Pátria.

Foi esta incúria que corroeu a honra, sepultou a memória e conduziu à absolvição dos crimes da mais longa ditadura europeia. Salazar é hoje um crápula de rosto humano, um verme exumado para vergonha de um país que não teve a coragem de o julgar.

Agora, quando morrem os seus serventuários, a Pátria fica de luto e a honra de férias.

sexta-feira, julho 20, 2012

Melhor seria com outro PR


Manifestações em Espanha

A indignação enche as ruas de 80 cidades espanholas

Amor com amor se paga


quinta-feira, julho 19, 2012

Génesis

            

     

Portugal, há 140 anos

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Métodos de incentivo ao populismo…

Um dos mais frequentes métodos para alimentar o populismo é a demagógica arte de mentir. Outro, subsidiário deste, é tentar esconder (ou negar) o óbvio.

Tudo isto a propósito do ‘resgate financeiro de alguns bancos espanhóis’ anunciado à Espanha, pelo Governo de Mariano Rajoy, como sendo um auxílio externo ‘sem contrapartidas’ … link.

Tudo se passa em conferências de imprensa cozinhadas. Esquecendo que, por exemplo, em alguns Países europeus, onde ainda sobra alguma transparência na vida política, o ‘escondido’ (ou pretensamente reservado) tarde ou cedo aparecerá à luz do dia.

Este exemplo é paradigmático: o parlamento holandês para discutir e aprovar o ‘auxílio’ financeiro ao sector bancário espanhol no valor 100.000M€, achou por bem divulgar publicamente um ‘memorando de entendimento’ (Assessment of Spain Elegebility) link entre a Espanha e o Euro Grupo, documento que Rajoy pensava ter guardado a sete chaves no palácio da Moncloa.

Agora, é só ler…

Dr. Miguel Relvas, um caso exemplar



Não consta do currículo que o ministro apresentasse a esse areópago do saber e da ética – a Universidade Lusófona –, a falsificação de moradas que lhe tornou mais suculento o vencimento de deputado e que certamente lhe poderia dar equivalência a maratonista. O dom da ubiquidade, com quatro moradas diferentes, três em Tomar e uma em Lisboa, ainda o há de conduzir à santidade dado que a Santo António bastaram duas, Lisboa e Pádua, para o elevarem aos altares.

Também são omissas as viagens fantasmas ao serviço da República e que não deixariam de lhe conferir o epíteto de astronauta, embora ultrapassado pelo seu colega de bancada, o célebre deputado António Coimbra, que ganhou o epíteto de Batman. Especialista em requisitar viagens em bloco à AR, viagens que não realizava e creditava na conta-corrente da agência «que era debaixo da sede da JSD», merecia bem a equivalência em engenharia financeira.

A pressão «inaceitável, mas não ilegal», sobre uma jornalista do Público, recomenda-o para  a privatização da televisão pública, um serviço por uma boa causa. Já o negócio das secretas se afigura perigoso para quem não se sabe se tem a confiança do PM pelo que conhece a seu respeito ou se é o Dr. Relvas que mantém a confiança no igualmente Dr., Passos Coelho, a quem obrigou a reiterar a confiança sem lhe exigir um certificado sobre o currículo que lhe daria um doutoramento.

A «procura do conhecimento permanente» do Dr. Miguel Relvas extasiou de tal modo o deputado e líder da JSD, Duarte Marques, que pretende a punição de Mariano Gago por ser autor moral da burla da Lusófona graças à legislação que criou. Já os deputados pela quota dos adultos pretendem a prisão de Vítor Constâncio por não ter previsto as burlas do inocente bando da SLN/BPN cuja absolvição se aguarda.

Num governo onde Paulo Portas se faz de morto e já todos esqueceram as atribulações fiscais do antigo ministro da Defesa, a falência da Amostra e as 61.893 fotocópias de documentos de Estado que levou para casa, sem qualquer investigação policial, o caso do Dr. Relvas é um caso menor.

O Dr. Relvas pode sair do Governo mas o governo e a maioria não sairão do Dr. Relvas. Nem o PR, tão enxofrado com o estatuto dos Açores, com os sacrifícios dos portugueses (em outro Governo) e com as decisões da AR, se referirá ao caso Relvas. Quem domina as secretas tem acesso às escutas verdadeiras.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, julho 18, 2012

Boa definição


Homenagem a uma grande figura histórica

94.º Aniversário

Síria - um barril de pólvora em zona estratégica

Um ataque bem planeado e com um objectivo claro: golpear de forma decisiva o regime de Bashar al-Assad e a sua capacidade de continuar a travar a guerra.

Damasco, há meio século, era uma cidade cosmopolita com tendência secular. A Síria manteve o pluralismo religioso e o Islão não era a lepra que ameaça destruir o país e tornar impossível qualquer liberdade.

terça-feira, julho 17, 2012

Ontem, hoje e amanhã (?)…

06.Fev. 2012:A operação da EDP correu francamente bem num contexto complicado para Portugal”, diz Jorge Cardoso.
O processo foi transparente e a decisão do Governo correctíssima”, sublinha, destacando que China Three Gorges “traz dinheiro e financiamento para a EDP”. link

17.Jul.2012: Depois de ter sido noticiado na segunda-feira que o DCIAP realizou buscas na Parpública, no Caixa Banco de Investimento (Caixa BI) e no BES Investimento (BESI), a entidade explicou que “as diligências em causa foram levadas a cabo no âmbito do processo conhecido por ´Monte Branco'”. No mesmo comunicado, o DCIAP avançou que, com as mesmas, “pretende esclarecer e investigar a intervenção e conduta de alguns dos assessores financeiros do Estado nos processos de privatização da REN e EDP”. link

Adenda: Jorge Cardoso é o presidente-executivo da Caixa Banco de Investimento (Caixa BI).


Equivalências

Enviada por MPM

Vai cair o Carmo e a Trindade…


Governo é profundamente corrupto”..., diz bispo Torgal Ferreira à TVI.

E, na continuação desta entrevista, acrescentou:
Eu não acredito nestes tipos, em alguns destes tipos, porque lutam pelos seus interesses, têm o seu gangue, têm o seu clube e pressionam a comunicação social”... link.

Uma deputada do PP espanhol



Fabra pede desculpa por escrito. Cometi um erro de que não me sinto honrada. O PP espanhol já a censurou mas procura que o desabafo, com gana, se dirigia aos socialistas e não aos desempregados. Talvez lhe aconteça o que desejou aos desempregados.

Leia aqui

A guerra civil de Espanha

Hoje, 18 de Julho, completam-se 76 anos sobre o golpe de Estado que ensanguentou a Espanha e que, de algum modo, iniciou a carnificina que o nazi/fascismo prolongaria até 8 de Maio de 1945.

Na sarjeta da história jazem José Sanjurjo, Emilio Mola y Francisco Franco, os generais que derrubaram o Governo constitucional da Segunda República, de que era presidente Manuel Azaña e primeiro-ministro Santiago Casares Quiroga.

Já no dia anterior tinha havido tentativas de sublevação mas foi no final do dia 18 que se iniciou a guerra civil que havia de deixaria um rasto de sangue, com centenas de milhares de assassínios e incontáveis feridos, entre espanhóis.

O requinte dos fuzilamentos nos campos de touros e o garrote, como instrumento de tortura e morte, foram a imagem de marca da ditadura de Franco que Hitler, Salazar e Moussolini apoiaram.

É a memória sinistra de Franco que, estátua a estátua, foi derrubada em Espanha por Zapatero. É tarde para julgar os cúmplices mas é tempo de divulgar a verdade sobre o mais baixo e inculto dos três generais, que acabou por tomar o poder, com a cumplicidade e o entusiasmo da Igreja católica.

A Espanha de hoje é um país democrático, livre e culto, que sob as cinzas da infâmia soube erguer a tolerância e o diálogo. Sobre os escombros de uma sublevação fascista, apoiada pela Espanha conservadora, rural e beata, com monsenhor Escrivà a integrar as tropas sobre Madrid, há um país novo que se impõe pela sofisticação urbana e cultura democrática, apesar da situação financeira e da tragédia do desemprego a que a crise internacional não é alheia.

Esta Espanha moderna que renasceu das cinzas dos horrores e se transformou num Estado de direito, progressista e civilizado, merece a paz e a felicidade.

segunda-feira, julho 16, 2012

Declarações Antecipadas de Vontade - Lei

http://dre.pt/pdfgratis/2012/07/13600.pdf

Afirmação de um ex-ajudante de ministro


Factos & documentos

Publicada aqui

domingo, julho 15, 2012

O criminoso nazi mais procurado



O centro Wiesenthal acusa a László Csizsik-Csatary de enviar a Auschwitz a 15.700 judeus

Tudo isto é triste

Passos Coelho mantém total confiança em Miguel Relvas - declarou o Dr. primeiro-ministro. Não será o contrário? Que sabe um do outro para deixarem apodrecer o que resta do regime democrático perante o silêncio ensurdecedor de Cavaco?

sábado, julho 14, 2012

Só faltava mais esta….


«Relvas tem reforma de 2.800 euros por mês» - Correio da Manhã link

Mais um passo dado por esta personalidade e sobre o qual poderemos 'assegurar' que tudo se passou na mais estrita legalidade.
Estará, provavelmente, auferir a reforma vitalícia da sua ‘carreira parlamentar’ que se iniciou precocemente (em 1985 – aos 24 anos), a que acresce uma curta passagem pelo Governo de Durão Barroso (2002-2004).

Mas olhemos para a vertente ética. É difícil compreender como este ente aparece em público a defender e justificar a medida governamental tomada à surrelfa dos portugueses visando a supressão das 'reformas antecipadas’ (Março de 2012) link, quando o próprio é um privilegiado ‘antecipado’.  Enfim, como suspeitamos (ou sabemos) a coerência não é um atributo necessário para fazer política, nem para exercer cargos públicos.

Este homem é um verdadeiro prodígio. Um infatigável coleccionador de 'legalidades' a cavalo das mais variadas calhordices...

Adiante!

A "PACIÊNCIA" DO POVO PORTUGUÊS

Cortejos e procissões,
Fátima, fados e bola,
são as únicas distrações
dum povo que pede esmola.

Meia noite; a marcha passa,
entre canções, ao luar;
bendita seja esta raça
que mata a fome a cantar!

Não, estes versos não são de hoje; circulavam clandestinamente no tempo do regime salazarista, cuja opressão suportámos "pacientemente" durante longos 48 anos. No entanto, parece que continuam atuais.
Em Espanha, bastou o 1º ministro Rajoy anunciar "medidas de austeridade" para os espanhóis, logo no dia seguinte, se revoltarem mais ou menos espontaneamente, em diversas cidades, vindo para a rua, ocupando as praças principais, protestando ruidosamente, e mostrando ao Governo o que o espera se tentar impor tais medidas.
Em Portugal suportamos há quase dois anos medidas ainda ainda mais gravosas. O Governo espolia os portugueses dos seus rendimentos do trabalho, lança dezenas de milhares de trabalhadores no desemprego e milhares de empresas na falência,reduz à pobreza a classe média, agrava insuportavelmente os impostos, vende ao desbarato empresas de valor estratégico para o País, aliena miseravelmente a soberania nacional, tudo para agradar a organizações estrangeiras e a uma matrona teutónica. Por muito menos que isso foi Miguel de Vasconcelos defenestrado na restauração de 1640.
Este governo (alguém já lhe chamou "comissão administrativa")tem nas pastas principais uns tecnocratas sem alma e sem qualquer sensibilidade humana; mas até como tecnocratas são incompetentes: para aumentar as receitas do Estado, sobem drasticamente o IVA; mas a coleta do IVA diminuiu (era de esperar: eu aprendi no 2º ano de Direito, pela boca do saudoso Doutor Teixeira Ribeiro, que quando se sobe os impostos para além de certo limite a coleta desses impostos, em vez de subir, desce. Estas luminárias que nos desgovernam nem essa coisa elementar sabem). Por outro lado, para diminuir as despesas do Estado, confiscaram os subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos; mas a despesa do Estado aumentou!
No entanto, o povo português tudo parece suportar, a ponto de o indivíduo que faz de 1º ministro ter a "lata" de elogiar cinicamente a "paciência" dos portugueses.
A coisa chega a tal ponto que no "Expresso" de hoje se coligem os seguintes dados:

- numa sondagem, 61,4% (sim, sessenta e um vírgula quatro por cento!) dos inquiridos responde que "vão ser precisas mais medidas de austeridade"!!!

- doutra sondagem resulta que o PPD/"PSD" continua a ser o partido com mais intenções de voto; o PS fica atrás; e os partidos mais à esquerda têm intenções de voto baixíssimas: CDU 8,7% e BE 6,9%.

Que País é este? Seremos masoquistas? Ou analfabetos políticos?

È urgente que o povo português acorde da sua apatia. Mas para isso torna-se necessário que a oposição faça uma verdadeira oposição, o que não tem sucedido. O PS parece uma múmia paralítica; é certo que está vinculado ao memorando da troika; mas o governo gaba-se de "ir além da troika" e vai mesmo muito além do que consta do memorando. Ora a isso já o PS já não está vinculado. Por isso, quando o governo vai além do memorando, o PS devia malhar-lhe forte e feio; mas não faz nada!
E para que servem as centrais sindicais?

Será que, como disse Otelo, é preciso outro 25 de Abril? Espero sinceramente que não, e que o povo seja capaz de resolver os seus problemas por si. Mas por enquanto não está a mostrá-lo, antes pelo contrário.

sexta-feira, julho 13, 2012

Curiosidades


quinta-feira, julho 12, 2012

Factos & documentos


APOSTILA

Factos & documentos


Estado da Nação: à margem do debate…

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, garantiu hoje que o Governo «não está nesta altura a preparar qualquer aumento de impostos» e que recusa «pôr porcaria na ventoinha para assustar os portugueses»link (sublinhados nossos)

Nesta altura, definitivamente, não são relevantes os aumentos de impostos. Há tempo para engonhar. A ver vamos quando aparecer à luz do dia o OGE para 2013.

Quanto a imagem da ventoinha teria sido mais contundente usar a expressão vernácula. A ‘imagem’ original é atirar ‘merda’ para a dita. Só que, nesta altura, a ventoinha estará a servir para secar a água que o Governo anda a meter, nomeadamente, no que se refere à execução orçamental link. O resto (a referida ‘porcaria’) aparecerá mais cedo do que o esperado (pelo Governo).
E o ‘susto’, independentemente ventilador, não dissipa com o exercício de uma recorrente chicana política.

A novíssima tragédia espanhola….


Un ajuste de 65.000 millones

• 01 Subida del tipo reducido del IVA del 8% al 10%

• 02 Subida del tipo general del IVA del 18% al 21%

• 03 Subida de los impuestos especiales-medioambientales

• 04 Supresión de la deducción por vivienda

• 05 Supresión paga extra a funcionarios y menos días libres

• 06 Reducción prestación de desempleo desde el séptimo mes

• 07 Reforma de las pensiones

• 08 Se reduce un 30% el número de concejales

• 09 Recorte de 600 millones en el gasto de los ministerios

• 10 Recorte del 20% en subvenciones a partidos y sindicatos

[Caixa de El País link]


O devastador e austero ‘ajuste’ anunciado hoje nas Cortes por Mariano Rajoy é uma autêntica ‘bet in the dark’. Isto é, começou mais um drama na Zona Euro.
De ajuste em ajuste – negando-se sempre a reconhecê-lo – e na rota de uma galopante desagregação social, Rajoy, ameaça o futuro dos espanhóis.

Este peculiar modelo de ‘troika sem troika’ será a nova invenção do último Conselho Europeu. Sabemos que não existem credores filantrópicos e, muito menos, usurários pródigos. Suspeitávamos que a recapitalização da banca espanhola não seria de mão beijada (‘de borla’). Mas o anúncio de hoje, dadas as terríveis e previsíveis consequências recai, na sobre uma cruel realidade, i. e., sobre um País a viver com uma taxa de desemprego a rondar os 25%, fruto de uma profunda recessão (que sairá intensificada com estes ‘cortes’), merecia ser mais transparente e melhor discutida com (todos) os partidos e parceiros sociais.

Hoje, o Governo espanhol acelerou, descontroladamente, a 'crispação social' apostando na intensificação da crise.
Troika sem troika’ não pode contar com o pára-choques de um ‘memorando de entendimento’, nascido como temos observado em diversas situações (cada vez mais!) entre a oposição, a imposição e o espectro do default, funcionando à posteriori como um rígido contrato vinculador de maiorias político-partidárias 'prisioneiras' do resgate (financeiro e económico) e construídas à sua volta. Espanha é um novo e encapotado modelo de 'assistência externa'. Entrou pela calada e tomou conta de tudo! 
Em Espanha a Direita julga-se auto-suficiente e comporta-se como tal. Todavia, ninguém com bom senso (político) deve desrespeitar a ‘memória histórica’. Afinal, o distanciamento de 1936 não é, historicamente, tão longo ou tão aberrante. A ‘elite agrária’ do passado deu lugar ao ‘escol bancário’ que ameaça tudo e todos no início deste século. Os restantes ingredientes estão no terreno.

Esperemos que, com urgência, apareçam forças (políticas) esclarecidas e responsáveis capazes de evitar o pior.