Paulo Portas : a redundante missiva ou uma insaciável sede de protagonismo?...

Site do CDS/PP link:

… «Segundo o líder do CDS, "o nível de impostos já atingiu o seu limite", e afirma que "praticamente todas as medidas fiscais tomadas " resultam do "cumprimento de obrigações do acordo externo". Paulo Portas defende ainda uma "política fiscal seletiva, competitiva e favorável à família, à empresa e ao trabalho" para o período pós ´troika'… » .

Esta ‘novíssima’ carta – de Paulo aos ‘devassos’ coríntios? - para socorrer-me da concepção cristã que enforma a ‘doutrina’ deste partido, mostra, antes de tudo, que a coesão da governação não é tão sólida, nem tão fácil, como frequentes e arrebatadas juras públicas pretendem fazer crer.

A carta ‘epistolar’ deste Paulo (de cá, das ‘feiras’, das pandeiretas) é, antes de tudo, um documento acerca das notórias incomodidades que o exercício do poder, inevitavelmente, está a levantar. Evidencia, por um lado, o sentimento de uma inadiável necessidade de dar explicações aos ‘estupefactos’ e, quiçá, ‘titubeantes’, apoiantes desta coligação, já que o seu líder formal, Passos Coelho, tem revelado – para esta tarefa - uma absoluta inépcia.
Revela, por outro lado, uma iniludível descrença em relação aos resultados que estas políticas estão a conduzir, adiantando, desde já, promessas que incidirão, necessariamente, sobre a próxima legislatura. Quando se atiram ‘palpites fiscais’ para o ‘período pós-troika’ (que necessariamente se confundirá com o término do presente ciclo político) - e é exactamente isso que o documento de Portas mostra - embora se possam adiantar proclamações do tipo que ‘se lixem as eleições’, Portas está a virar-se para horizontes da próxima legislatura, admitindo, a latere, que ‘o [actual] nível de impostos já atingiu o seu limite’.
De facto, e continuando a utilizar as imagens bíblicas, o País já desceu a um 'inferno fiscal'. Todavia, em redor do grande número de sacrificados esvoaçam, impunemente, múltiplos usufrutuários de paraísos (fiscais). Sobre estes últimos a ‘epístola’, como seria de esperar, passa ao lado.

Esta narrativa com pretensões reflexivas e ambições epistolares, tem valor (político e simbólico) em três vertentes:

Primeiro, pelos 'recados' que transmite para o interior da actual coligação governamental que, como o momento exige, ficam a aguardar melhores explicitações. Mostram, contudo, que se sente a necessidade de procurar consensos fora das cúpulas dirigentes de topo (partidárias);

De seguida, para além do conjunto de banalidades que encerra [nada adiantando sobre os relevantes acidentes de percurso], tenta esconder os problemas decorrentes da execução de ajustes em várias frentes (orçamentais, financeiros, económicos e sociais), que parasitam o ‘plano de resgate’ (como p. exº: o crescimento exponencial do desemprego) transformando-o num labiríntico e ininteligível programa de governação;

Finalmente, relevantes são as suas omissões facto que tornam o documento num diletante e supérfluo exercício de pedantismo (político e pessoal).

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