Euro Grupo e a ‘construção’ de um novo tabu...


Ontem, na reunião do Eurogrupo realizada em Bruxelas foram tomadas algumas importantes decisões para enfrentar a crise na Zona Euro.

Assim, foi concedido mais tempo (mais 1 ano) para a consolidação orçamental em Espanha link e aberta a porta à Irlanda para a renegociação das condições de resgate financeiro link .

Sobre Portugal o pouco que se adiantou é francamente mau. À margem da reunião do Eurogrupo o presidente do BCE Mario Draghi classificou a necessidade de (re)negociação do pacote de ajuda financeira para Portugal como: ‘um retrocesso’. Disse: “Embora reconheça que “é muito claro que há tensões sociais e uma situação económica muito difícil em Portugal e noutros países”, o presidente do BCE mantém a perspetiva de que “a consolidação orçamental e as reformas estruturais são inevitáveis para recuperar a competitividade”. “Voltar atrás e folgar o programa” é o caminho que Mario Draghi não quer ver seguido em Portugal”link. Mais uma expressão (manifestação) pública que, para os altos dirigentes europeus, o importante, o fulcral, é preservar ‘os mercados’. O diagnóstico de ‘tensões sociais e de uma situação económica muito difícil’ esbarra com a imperiosa necessidade de Portugal satisfazer – desde já! - os ‘mercados’. Enfim, uma Europa em que as pessoas deixaram, definitivamente, de contar…
Portugal acabou por sair de Bruxelas com a hipótese de vir a poder ‘favorecer o programa’ (este eufemismo) de ajustamento português na próxima avaliação do programa pela Troika (Agosto próximo). link

A palavra renegociação é no âmbito interno – e ao que parece no externo – uma interdição. Os portugueses têm a noção do que significam, em política, estes ‘tabus’...

Comentários

0,4% de ávit,é francamente mau, é.
Médicos em greve a fingirem-se de economistas, dá nisto.
Eles entraram já em greve?
E escrevem mais postes ainda?
Isto é que vai uma crise meu....

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