Bichos (parábola)…

Quando fazemos o ponto da situação da visita do Sr. Valls a Portugal concluímos que bem podia ser postergada para a calendas gregas. 

Não tendo adiantado nada de substantivo no campo das relações bilaterais (económicas, sociais, culturais ou outras) serviu, no entanto, para expandir opiniões políticas.
O primeiro-ministro francês, num regime nitidamente presidencialista, começa por não ter uma importante projecção política doméstica (Le Monde de hoje não faz a mais leve referência a esta visita) e, por maioria de razão, os seus 'palpites', fora de portas, não influenciam decisivamente a opinião pública.

A braços com uma perigosa e profunda crise partidária, Manuel Valls, deveria gerir com mais parcimónia as suas intervenções no estrangeiro.  
Compreende-se que a ala direita da social-democracia (o tal ‘socialismo liberal’) capitaneada em França, de modo claro e decidido, pelo primeiro-ministro, muito embora com resultados controversos, tenha muitos pontos de contacto com o Centro-Direita que (ainda) governa por cá. 

Valls veio a Portugal buscar justificações para as suas actuais políticas que não convencem a grande maioria dos franceses. 
E a grande justificação para esta visita é experimentar conviver com exemplos práticos de ‘sucesso’ das políticas de austeridade. 
Escolheu um País em que as relações com os mercados financeiros melhoraram à custa de factores vários (de salientar as posturas do BCE desde 2013 ao ‘quantitavive easing’ de 2015) mas onde a situação social alberga aspectos absolutamente dramáticos (entre eles o risco de pobreza e o desemprego) e a económica (a taxa de crescimento) manifesta evidentes sinais de prolongada anemia. Não é de crer que os cidadãos franceses engulam estes pretensos ‘exitos’ e queiram, de alguma forma, adoptá-los para consumo interno.

Para Passos Coelho tratava-se de uma visita perfeitamente enquadrável na sua campanha eleitoral. Valls há muito que mostra incontroláveis apetites pelas políticas de austeridade e a suas reacções (e propósitos) eram absolutamente previsíveis. Resta, portanto, à Direita explorar (eleitoralmente) as declarações proferidas em Lisboa. De resto não existe muito mais história.

Valls encontrou-se, à margem da visita, com António Costa num rápido pequeno-almoço. No Portugal rural seria comum dizer-se o encontro decorreu durante um “mata-bicho”. Resta saber quem, na parábola, é “bicho”…  e quem o vai devorar!

Comentários

Sorte malvada! Com esta enorme percentagem de cretinos indígenas por metro quadrado, que falta nos fazia agora mais um?!
É verdade, Jorge Carvalheira.

O pensamento único já não precisa de ditadores de botas cardadas.

Abraço.

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