Notas Soltas – agosto/2019


 EUA/URSS – A denúncia do tratado de controlo de mísseis de médio alcance, assinado em 1987, em Washington, por Reagan e Gorbatchov, foi a escalada na rutura de acordos internacionais, a desvairada decisão que anulou o travão de uma guerra nuclear global.

Sindicalismo – Quando um dos sindicatos de camionistas recorreu a um advogado exibicionista de passado duvidoso, recordou-nos os sindicatos fascistas e o terrorismo sindical como instrumentos da ascensão da extrema-direita.

Guiné Equatorial – Não há interesses comerciais ou outros que justifiquem a pertença à CPLP, com Teodoro Obiang, ditador há 40 anos, a cometer gravíssimos atropelos aos direitos humanos e a ignorar os mais elementares princípios civilizacionais.

Brasil – Bolsonaro, fascista tropical ignorante, agride a memória de milhares de mortos, torturados, presos e perseguidos pela ditadura, mas é na destruição da Amazónia que se torna mais perigoso. A desgraça nacional tornou-se um perigo mundial.

Amazónia – A destruição da maior floresta tropical da Terra, facilitada por um PR que nega as mudanças climáticas, envolve a violência contra as comunidades indígenas e a perseguição a funcionários públicos que denunciam os crimes ambientais.

Sérgio Moro – As abundantes provas que o implicam no golpe eleitoral contra Lula e o PT mostram que os super-juízes estão condenados à tragédia. Em Itália, íntegros juízes contra a Máfia foram abatidos a tiro; no Brasil, os venais são abatidos pela desonra.

Índia – A vitória estrondosa da direita radical hinduísta, do PM Narendra Modi, já teve como consequência a provocatória limitação da autonomia da Caxemira, a província de maioria muçulmana e foco de tensões com o Paquistão, outra potência nuclear.

Hong Kong – A coragem da população que luta pela liberdade só tem paralelo na sua incapacidade para ler a correlação de forças sem ponderar a brutalidade da repressão de que é capaz a ditadura chinesa, sem fissuras internas. O estatuto especial não basta.

Greve dos camionistas – A luta laboral justa, no setor privado, degenerou na tentativa de insurreição, com manipulação dos trabalhadores, para, através do caos, derrubar o Governo democrático e permitir a contrarrevolução civil da extrema-direita.

Itália – A tentativa de isolar Salvini, declaradamente fascista, através da união todos os outros partidos, foi uma desesperada ação patriótica, tentada demasiado tarde, depois de o monstro ter crescido e de se tornar dificilmente controlável.

Zita Seabra – A saída do PSD para o partido Iniciativa Liberal, de que é a mandatária nacional, não é uma mudança de rumo da ex-dirigente do PCP e lutadora antifascista, é a perpetuação de um atributo que nunca a abandonou, o estalinismo.

Cinema – A atribuição do Leopardo de Ouro, prémio máximo do Festival de Locarno, a Pedro Costa, e o de melhor atriz a Vitalina Varela, consagram o mérito do cineasta e do cinema português que o ministério da Cultura tem obrigação de apoiar.

Brexit – Três anos depois de os britânicos decidirem por exígua maioria a saída do RU da UE, Boris Johnson, inteligente, culto e mitómano, é o obstinado executor da herança de consequências trágicas para os dois lados do Canal da Mancha.

Grã-Canária – O pavoroso e incontrolável incêndio que lavrou neste paraíso atlântico de veraneio, em Espanha, com 9 mil hectares ardidos e 10 mil pessoas evacuadas, é a metáfora aterradora do futuro que as alterações climáticas reservam.

Saúde – Os movimentos anti vacinação, à semelhança dos que defendem as medicinas alternativas, sem base científica, impedem a erradicação de doenças e provocam graves consequências na saúde pública de países civilizados. É a normalização do absurdo.   

Gronelândia – A recusa da Dinamarca em vender o extenso território ao empreiteiro de um país habituado a comprar extensas regiões para ampliar a área, levou o alucinado PR a cancelar a visita à Dinamarca. Trump foi o autor de uma grosseria sem precedentes.

Ursula von den Leyen – A nova presidente da CE, indigitada sem respeito pelo PE e demasiado conservadora, surpreendeu com um programa distante da direita eurocética, com o acolhimento promissor da UEM, Europa social e Estado de direito.

Museu Salazar – A obsessão dos edis de Santa Comba Dão, em criarem o museu, não é a revisitação do Portugal pobrezinho, rural e atrasado que o ditador gerou e da repressão que exerceu, é a sórdida devoção a um biltre que pretendem preservar e promover.

ONU – A angústia do secretário-geral, António Guterres, perante o aquecimento global e a multiplicação de conflitos, assim como a sua luta por um módico de ordem mundial, esbarra na resistência ou desinteresse dos mais poderosos e insensíveis dirigentes atuais.

Fátima – O encontro de líderes políticos e religiosos da extrema-direita, preparado pelo International Catholic Legislators Network, com Viktor Orbán e Mick Mulvaney, chefe de gabinete de Donald Trump, foi um complô contra a democracia e o desafio ao Papa.

Financial Times – Os elogios do jornal financeiro à recuperação económica portuguesa e honrosos para toda a esquerda, levaram o PSD e CDS a desvalorizar o artigo. Mais do que a verificação da evidência foi a aprovação de uma opção à direita que se radicaliza.

Reino Unido – Durante a Cimeira do G7, os elogios a Boris Johson foram tantos e tais que pareceram a preparação de Trump para, falhada a compra da Gronelândia, anexar o Reino Unido com ou sem Escócia.

Elisa Ferreira – Altamente habilitada, com claro perfil executivo e brilhante currículo, merece uma das pastas mais importantes da CE. Depois do bom desempenho de Carlos Moedas, no atual quadro político da UE, a aposta do PM não podia ser melhor.  

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