O TGV e as campanhas eleitorais

Sinto raiva e desespero ao ver o meu país novamente «orgulhosamente só», privado do comboio de alta velocidade, situação que temo irreversível.

Quando eram fartos os fundos europeus e avultada a comparticipação reservada ao TGV foi Durão Barroso que, num ato de profunda demagogia e alarve populismo, afirmou na campanha eleitoral que não haveria TGV enquanto houvesse uma criança sem médico.

Durão Barroso foi o mais bem preparado primeiro-ministro do PSD e o mais culto, mas o mais cobarde e demagógico, com uma coluna vertebral supérflua, que pautou a vida e as funções pela ambição pessoal e servilismo aos poderosos, em Portugal e na Europa. A sua passagem pelo Governo, de onde fugiu a receber os trinta dinheiros da traição ao Iraque e à paz mundial, foi um desastre de que só ele colheu benefícios.

A conivência na invasão do Iraque é a nódoa que o infamou, mas a falta de coragem e o fracasso da sua política foram as piores heranças que deixou agravadas com o «menino guerreiro» a quem entregou o País.

A degradação dos Caminhos de Ferro é uma herança cavaquista, que o atual presidente da Lusoponte, Joaquim Ferreira do Amaral, se encarregou de executar, mas foi Barroso que impediu a ressurreição ferrovia, com as potencialidades estratégicas e as vantagens em relação ao ambiente, aos custos e à dependência rodoviária por via terrestre.

Acredito que a proposta ora apresentada por Rui Rio, injustamente maltratado dentro do PSD, seja sincera, mas peca por tardia e numa altura que as condições financeiras não se adequam ao projeto dispendioso, moroso e obrigatoriamente articulado com Espanha.

Na desinteressante campanha eleitoral em curso de que retenho como principal objetivo, comum aos vários partidos, retirar a maioria absoluta a um deles, objetivo que nunca se tinha equacionado antes, são tantas as promessas que o eleitor fica perplexo.

Pessoalmente, não me preocupam as promessas, mas confesso que temo o cumprimento delas.

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