Há vida para além do Covid- 19, mas urge tomar precauções.

Em vez de ouvir autarcas infetados pelo oportunismo, desejosos de se converterem em figuras nacionais, de passarem da presidência da paróquia à do País, é de elementar bom senso estar atento ao que nos pedem ou exigem as autoridades sanitárias, e ignorar o que dizem os néscios que se julgam cientistas.

Os opinantes da localização de aeroportos transferiram-se para a ciência do combate ao coronavírus, sempre com melhores soluções do que o Governo, mais preparados do que os infeciologistas, com a certeza reforçada pela fé, o oportunismo e a vaidade.

Tenho-me preservado das relações sociais que tanto aprecio, disciplinado e certo de que qualquer conselho da OMS ou das autoridades nacionais é incomensuravelmente mais importante do que o que dizem uns provincianos mediáticos armados em cientistas.

Há medidas ideais, inconciliáveis com a necessidade de reabastecimento dos produtos essenciais, mas parecem não pensar nisso alguns azougados bonzos regionais e locais, incapazes de preverem o colapso da produção e distribuição de bens e, muito menos, de pensarem o que restará do tecido económico das suas edilidades, após a pandemia.

Hoje, em vez de aguardar os amigos do costume, para a cavaqueira matinal, tomei café ao balcão e regressei a casa com a certeza de que há primatas capazes de perorar sobre todos os assuntos, sem se documentarem sobre nenhum.

O Café teve o cuidado de colocar um desinfetante junto ao balcão, redobrou os cuidados de limpeza, usualmente elevados, e mantém um jornal local, já bastante infecto no que escreve, razão para se evitar por duplas razões de assepsia, à disposição dos clientes.

Há leitores que o folheiam com o polegar humedecido na língua e o percorrem do editorial à necrologia, das cartas dos leitores à publicidade porno, da capa à contracapa. Por estranha ironia, um cliente que acabara de o ler, perguntou-me se o queria.

Em Espanha foi identificado o doente zero, isto é, o primeiro contaminador. Por incrível coincidência é o fascista e secretário-geral do VOX, Javier Ortega Smith, vindo de Itália e participante em manifestações de extrema-direita, convocadas pelo seu partido.

Comentários

Jaime Santos disse…
Sejamos justos, é só o paciente zero da política espanhola, Carlos Esperança. E sobre ele não deve pender qualquer estigma por ter transportado sem culpa um vírus invisível. Desejo-lhe a ele, a Abascal e a todos os restantes infetados, uma rápida recuperação.

Mas sobre o vírus que eles conscientemente espalham, o do Fascismo, deve exigir-se-lhes responsabilidades, talvez um dia num tribunal terreno, ou porventura no Juízo Final :) ...

Agora, há algo de irónico que um Partido xenófobo e nacionalista tenha um infetado entre os seus que se encarregou de espalhar sem culpa, a doença. Talvez a sua condição de vítima o faça apiedar-se daqueles que procuram um refúgio em Espanha, porque não tem uma Pátria que os proteja nos seus países de origem... Talvez, mas duvido...

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