O VINTISMO – 2 de março

No último ano desta segunda década do novo século e milénio, comemora-se o primeiro ano do «Vintismo», um bicentenário caro aos democratas, em que é dever homenagear os arautos da liberdade. Começo por referir efemérides do dia de hoje, 2 de março.

Vintismo é o nome genérico da situação política em que predominaram soluções liberais e que dominou Portugal entre agosto de 1820 e abril de 1823. Iniciado em 24 de agosto de 1820 no pronunciamento militar do Porto, conduziu à formação da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino presidida pelo brigadeiro António da Silveira Pinto da Fonseca. Terminaria ingloriamente com a Vilafrancada, em 27 de maio de 1823, em Vila Franca de Xira, na sublevação militar que levou à abolição da Constituição Política da Monarquia Portuguesa de 1822, mas a semente germinaria depois.

Desse período exaltante, espero que o ilustre historiador Amadeu Homem e outros historiadores democratas nos deem, a partir de 24 de agosto p. f., o seu contributo para a compreensão e divulgação deste período histórico, relevante para a evolução política e a conquistas das liberdades.

1821 – A elaboração da Constituição Liberal conduziu à extinção da censura prévia, há 199 anos. Este atropelo ao direito divino e absoluto abriu portas ao liberalismo, à perda da fé e à dúvida sobre a legitimidade do poder absoluto e vitalício para, finalmente, pôr em causa a via uterina como fonte de legitimidade.

1833 – A ofensiva de D. Miguel, para enforcar os inimigos que ainda restavam à fé e à monarquia absoluta, apoiada pelos párocos rurais e a totalidade dos membros do cabido da Sé de Coimbra, foi repelida nas linhas leste e noroeste do País pelas tropas do irmão, maçon e jacobino, D. Pedro IV. Deus, cuja ajuda estava prometida por párocos e bispos, manteve-se alheio à guerra civil. A promíscua Senhora D. Carlota Joaquina, que levava 3 anos de defunção, não assistiu à auspiciosa derrota que pôs fim a aspirações miguelistas.

1895 – O liberalismo fizera o seu percurso e, assim, abriu caminho para o Congresso do Partido Republicano, em Lisboa. A polícia impediu a reunião, mas no dia seguinte foi eleito o diretório: Eduardo de Abreu, Jacinto Nunes, Magalhães Lima e Gomes da Silva, maçons e democratas, isto é, os designados inimigos da tradição e dos bons costumes.

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