Os média, as Igrejas e a COVID- 19
É deprimente e medíocre a informação da maioria dos órgãos
de comunicação. Quando as autoridades de saúde se têm pautado por impecáveis
princípios éticos e assumido a função pedagógica com exemplar serenidade, há
jornais, canais de televisão e de rádio que exploram o medo para aumentarem
audiências.
Há, em alguns média, o gosto mórbido de convidarem
alarmistas profissionais e líderes de corporações que não dão tréguas a um
Governo que tem sido a âncora da esperança, na rapidez das decisões, na
qualidade da informação e na esperança que transmite.
É lastimável o alarmismo das falhas do SNS, apontadas por
quem não o queria, como se algum país estivesse preparado para uma situação tão
tremenda, como se as mesmas, ou piores, carências não fossem comuns aos países
mais ricos. Salvou-se, nesta conjuntura, a grandeza cívica do apoio declarado
de Rui Rio ao Governo, sem esperar dividendos da tragédia.
Mas, se os necrófagos pululam, dos média às redes sociais,
esperava-se das Igrejas uma contenção que o Papa aconselhou. Do Islão e dos judeus ortodoxos já se esperava
uma visão
medieval de quem não saiu da Idade Média com pensamento da Idade do Bronze.
Hoje, ainda há quem prefira a crendice à razão, quem veja nas calamidades a
vontade de um Deus vingativo cuja ira é preciso aplacar com orações e
penitências, mas o que mais surpreende é a Igreja católica, com um Papa
sensato, persistir em manifestações de culto com aglomerações de pessoas. Só
não acusam ainda hereges, judeus e bruxas pelo vírus, nem convocam procissões e
peregrinações, porque o ambiente lhes seria hostil.
Já em plena explosão da pandemia, o bispo do Porto ainda
ameaçava rezar a missa pelo aniversário da eleição papal, a menos que o Estado
o impedisse. O Estado não o ouviu e desistiu da missa, e em Espanha, em
situação mais alarmante, o bispo de Jerez passava uma espécie de salvo-condutos
para que os fiéis da Adoração Perpétua pudessem ir à missa, sem serem objeto de
sanções legais, como os restantes cidadãos, todos obrigados a reclusão
domiciliária pelo estado de alarme decretado pelo Governo.
É inútil falar de
párocos cuja imbecilidade ultrapassa a fé, e arriscam a vida dos fiéis e a
das pessoas com quem convivem, insistindo em cerimónias litúrgicas concorridas.
Quando a economia que restar desta pandemia trouxer níveis
de desemprego e pobreza que as atuais gerações dos países desenvolvidos nunca
conheceram, não se sabe quem vão culpar, mas é previsível o regresso de Fátima,
Futebol e Fados a Portugal.
Registe-se também a boçalidade de políticos:
O vice-governador do Texas disse que preferia morrer a ver
as recentes medidas de saúde pública prejudicarem a economia dos EUA. (DN)
Trump sugeriu que uma crise económica poderia resultar em
mais mortes, através do suicídio, do que uma pandemia global (DN);
Bolsonaro, o Trump tropical e analfabeto, afirmou: “No meu
caso particular, com meu histórico de atleta, caso fosse contaminado, não
precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria quando muito acometido de uma
gripezinha, ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico daquela
conhecida televisão” (Rede Brasil Atual – RBA).
Ponte Europa / Sorumbático
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