O CORVID 19, o medo e as liberdades

Os média referiram as divergências entre o PR e o PM nas medidas que dão ao segundo um poder excessivo, que o próprio não queria e o País desejava. O decreto que institui o estado de emergência teve, na sua moderação, a sensatez de António Costa.

Quando está instalado o medo de um vírus, que ameaça as vidas, de imprevisível poder destruidor, de países, instituições, liberdade e civilização, a liberdade é o bem de que as pessoas prescindem, em primeiro lugar. As ditaduras do século passado foram filhas do medo, do desemprego, da insegurança, dos outros, dos diferentes, do desconhecido.
O medo, ampliado por alguns média e, sobretudo, pelas redes sociais, onde os néscios dominam, constituem uma poderosa rede de pressão para a repressão.

É arrepiante assistir a um noticiário da CMTV. O gosto do sangue e o cheiro a morte atraem os espetadores. Aliás, cada medíocre celebridade que amplia o medo e exige o que uma pessoa serena sabe ser impossível, tem audiência aumentada e uma atenção acrescida.

Escrutinar o que lemos, vemos e ouvimos não pode ser contaminado pelas emoções e, muito menos, pelo medo.

Vejo democratas de longa data a apelarem ao fecho de determinado canal de TV ou à suspensão de um qualquer órgão de informação. Não têm maior repugnância do que a minha, e deviam ponderar o bem que é a liberdade. Quando começa a restringir-se não se sabe quando acaba eliminada.

Cabe-nos defender aqueles de quem discordamos para merecer o direito de exprimir as nossas opiniões e ser dignos dos valores que abraçamos.

Estamos, de facto em guerra, e não cabe aos democratas o apelo à censura. Precisamos de ter memória. Qualquer restrição que não seja provisória e para salvar vidas, como a liberdade de reunião e de circulação, já em vigor, é inaceitável.

A defesa da liberdade é o tributo que devemos aos que deram a vida por ela.

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