Coisas de que Marques Mendes não se lembra (mas devia) - João Miguel Tavares
No Público desta quinta-feira:
[Marques Mendes] foi sócio da JMF em conjunto com Miguel Macedo, Ana Luísa Figueiredo – filha de António Figueiredo – e Jaime Couto Alves.
[Ele] foi acidentalmente interceptado em escutas (…) a pedir ao presidente do IRN para agilizar o processo de naturalização da mulher de Salimo Abdula, que definiu como “um tipo de grande prestígio, talvez o maior empresário de Moçambique” (…).
Marques Mendes não foi acusado de nada. Mas (…) viu-se obrigado a apresentar justificações públicas mais do que uma vez.
Ora, na entrevista ao Observador, os jornalistas (…) perguntaram-lhe pela empresa JMF (…).
“Qual empresa?”, pergunta Marques Mendes. (…) “Não estou sequer a ver qual é…”
“É da Operação Labirinto, aquele caso dos 'vistos gold', na altura fez comentários sobre isso”, explica o director do Observador.
“Fiz? Não me recordo. Mas julgo que tem que ver com uma empresa que na altura foi falada e que tinha que ver com…”
“Com os 'vistos gold'”, repete o jornalista.
“Não, não, não tinha nada que ver com 'vistos gold'”, corrige Marques Mendes, que não se lembrava do que empresa era ao mesmo tempo que sabia perfeitamente o que ela não era. (…)
Luís Marques Mendes quer mesmo que acreditemos que não se lembra do caso? (…)
Nós já temos um primeiro-ministro que ganhou a vida a mediar negócios em escritórios de advogados.
É possível que venhamos a ter um Presidente da República.

Comentários
“Em julho de 2014 Marques Mendes telefonou a Jaime Gomes para saber novidades sobre o processo, ao que o empresário respondeu ter uma “boa” e uma “má” notícia. Se, por um lado, as Finanças tinham dado “um parecer favorável” no que respeita à questão do IVA, por outro, os feridos ainda não tinham saído da Líbia, já que andavam “aos tiros no aeroporto” de Trípoli.
Ambos concordaram que, “quanto mais feridos houver, mais oportunidades existem”, sendo que Marques Mendes salientou que só convinha era que “os gajos” não morressem, sendo que, se ficassem um pouco “tortos”, isso até daria “jeito”!