É compreensível o receio de de Kaja Kallas relativamente à Rússia de Putin, tendo em conta a história da Estónia e a história familiar (Eduard Alver, avô, um dos fundadores da Estónia livre, durante os 22 anos de independência (1918–1940) depois de 200 anos de imperialismo russo; avó e mãe, deportadas para um “gulag” soviético na Sibéria pela União Soviética de Estaline no início da Segunda Guerra Mundial; Siim Kallas, pai, Primeiro-Ministro da Estónia, novamente independente em 1992, após a queda da URSS e 52 anos de ocupação soviética), relações com o regime soviético que terão certamente moldado as suas convicções políticas, especialmente a sua postura firme em relação à Rússia e a defesa da soberania estoniana e europeia. Pode sempre dizer-se que enquanto “Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança” não pode sobrepor ao cargo as suas convicções pessoais e políticas, mas tenho dúvidas que alguém com este passado político-familiar não fosse profundamente influenciada no exercício da política por esse mesmo passado.
Li no excelente blogue De Rerum Natura , num post de Carlos Fiolhais , o seguinte: «De facto, o candidato a rei é autor de um opúsculo laudatório do Beato Nuno, onde se pode ler esta pérola: “Q uando passava de Tomar a caminho de Aljubarrota, a 13 de Agosto de 1385, D. Nuno foi atraído a Cova da Iria, onde, na companhia dos seus cavaleiros, viu os cavalos do exército ajoelhar, no mesmo local onde, 532 anos mais tarde, durante as conhecidas Aparições Marianas, Deus operou o Milagre do Sol» (“D. Nuno de Santa Maria - O Santo” , ACD Editores, 2005).»
Fiquei maravilhado com o que li e, sobretudo, por saber que o Sr. Duarte Pio escreve.
O Sr. Duarte Pio, suíço alemão, da família Bourbon, imigrante nacionalizado português pela conivência de Salazar e pelo cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, podia emprestar a imagem às revistas do coração mas precaver-se contra a ideia de publicar opúsculos.
Claro que não é necessário saber falar para escrever e, muito menos, ...
Antes das 11 horas da manhã, uma numerosa comitiva de polícias, militares da GNR, e alguns outros do Exército, tomaram posições em frente à Igreja de Santa Cruz. Bem ataviados esperavam a hora de deixarem a posição de pé e mergulharem de joelhos no interior do templo do mosteiro beneditino cuja reconstrução e redecoração por D. Manuel lhe deu uma incomparável beleza. Não era a beleza arquitetónica que os movia, era a organização preparada de um golpe de fé definido pelo calendário litúrgico da Igreja católica e decidido pelas hierarquias policiais e castrenses. Não foi uma homenagem a Marte que já foi o deus da guerra, foi um ato pio ao deus católico que também aprecia a exibição de uniformes e a devoção policial. No salazarismo, durante a guerra colonial, quando as pátrias dos outros eram também nossas, não havia batalhão que não levasse padre. Podia lá morrer-se sem um último sacramento!? Éramos o país onde os alimentos podiam chegar estragados, mas a alma teria de seguir lim...
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Pode sempre dizer-se que enquanto “Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança” não pode sobrepor ao cargo as suas convicções pessoais e políticas, mas tenho dúvidas que alguém com este passado político-familiar não fosse profundamente influenciada no exercício da política por esse mesmo passado.