Memórias da ditadura fascista

 72.º aniversário do assassinato de Catarina Eufémia

Há 72 anos o abrutalhado tenente da GNR, Carrajola, ficou na memória dos portugueses por ter assassinado a tiro uma ceifeira analfabeta, mãe de três filhos, durante uma greve de assalariados rurais, quando esta resistia à repressão fascista.

***

RETRATO DE CATARINA EUFÉMIA

Da medonha saudade da medusa

que medeia entre nós e o passado

dessa palavra polvo da recusa

de um povo desgraçado.

Da palavra saudade a mais bonita

a mais prenha de pranto a mais novelo

da língua portuguesa fiz a fita encarnada

que ponho no cabelo.

Trança de trigo roxo

Catarina morrendo alpendurada

do alto de uma foice.

Soror Saudade Viva assassinada

pelas balas do sol

na culatra da noite.

Meu amor. Minha espiga. Meu herói

Meu homem. Meu rapaz. Minha mulher

de corpo inteiro como ninguém foi

de pedra e alma como ninguém quer.

(José Carlos Ary dos Santos)


Comentários

JA disse…
Avivar a memória, faz bem.

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