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A FRASE

«Nada mais irritante, no plano religioso, do que a invocação de Deus para justificar situações, acontecimentos trágicos, doenças, injustiças e misérias». (Frei Bento Domingos, teólogo dominicano) E dar «Graças a Deus» pelo sobrevivente descoberto entre destroços de um terramoto que matou milhares de pessoas, pelo náufrago resgatado entre centenas de cadáveres ou pelo ferido que escapou de um acidente, entre meia dúzia de mortos?

O sufixo «logos»

Logos, “razão”/”pensamento”, é o sufixo que designa cientistas enquanto logia significa “amor ao estudo, à instrução”, designando as respetivas ciências: fisiologia, cosmologia, biologia, etc., caracterizadas pelo método e objeto. Excetuam-se a astrologia e a teologia,  apropriadas por charlatães. Os cientistas que estudam os astros tiveram de criar a «astronomia», apropriada que estava por pantomineiros a “astrologia”. Quanto à teologia, “ciência” que estuda os seres imaginários que povoam a fantasia dos clérigos e o medo dos crentes, não se lhe conhece método ou objeto, sem prejuízo de os reivindicarem os que fazem do exoterismo uma profissão e da sua divulgação a fonte de proventos. Os astrólogos, clérigos, quiromantes, bruxos, cartomantes e oficiais de outros ofícios correlativos conhecem sucesso em épocas de crise. Vêm aí tempos em que o livre-pensamento dará lugar a fenómenos exacerbados de fé.

O PM e a indústria do leite

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Andava o putativo PM, Passos Coelho, a ordenhar votos numa queijaria de Aguiar da Beira onde se encontrava a referência ética autóctone, Dias Loureiro, quando a criatura que Relvas e Marco António designaram para o Governo, rompe em estridente elogio ao antigo Conselheiro de Estado que não tem, em seu nome, bens que permitam o possível arresto dos mesmos no âmbito das investigações das autoridades ao caso BPN. Passos Coelho, luso-angolano bem sucedido na política, ex-líder da madraça juvenil do PSD, desatou a tecer encómios a Dias Loureiro, esse “empresário bem sucedido” que “sabe que se nós queremos vencer na vida”, “temos de ser exigentes e metódicos”. Sabendo o país que o ex-conselheiro de Estado, em quem Cavaco confiava, está falido, surpreende que o êxito o tenha levado à penúria ou, no caso de ter bens ocultos, mereça que o PM o elogie, em descarada pressão sobre eventuais investigadores do caso BPN, a menos que os escândalos só tenham valor penal consoante os partidos...

No rescaldo das comemorações do 1º de Maio…

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Os incidentes ocorridos na Alemanha durante as comemorações do 1º. de Maio, são reveladores da tenebrosa estratégia da extrema-direita neo-nazi europeia. A sua actuação não pode ser confinada como sendo uma questão paroquial link . A Alemanha continua a comandar económica e financeiramente as hostes europeias e os resultados dessas políticas começam a surgir. De início, foram perturbações incipientes mas vão ganhando, cada dia que passa, maior amplitude. O ocorrido na cidade de Weimar mostra que o objectivo destas hordas fascistóides não é meramente xenófobo ou racista. Aí (neste fim-de semana) os neo-nazis mostraram como detestam a democracia e como estão determinados na destruição da actividade sindical. O incêndio que vêm ateado passou a ameaçar a própria casa tendo assentado arraiais no quintal. A escolha pelos neo-fascistas da cidade-estado de Weimar para perturbar as comemorações do 1º. de Maio não será ocasional, nem inocente. Para além do vasto património arquite...

FRASES. Para memória futura.

1 – «’Deus queira’ que na TAP não aconteça aquilo que aconteceu noutros países da União Europeia, em que as companhias de aviação foram forçadas a realizar despedimentos muito significativos e a cortar nas rotas». (Não são palavras de um mullah, foram ditas por Cavaco Silva, PR devoto) 2 – «Conheceu mundo, é um empresário bem sucedido (…) e sabe que se nós queremos vencer na vida (…) temos de ser exigentes e metódicos». (Passos Coelho, alegado PM, num elogio a Dias Loureiro, ex-administrador do BPN, antigo Conselheiro de Estado, que não tem bens em seu nome que permitam um possível arresto dos mesmos no âmbito das investigações das autoridades ao caso Banco Português de Negócios (BPN).

Lisboa - O primeiro 1.º de Maio

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Era a primeira vez que a liberdade descia à rua nesse dia, o primeiro feriado que nem o atual Governo, pusilânime e vingativo, teve coragem de extinguir. Nesse dia, em Lisboa, um milhão de pessoas, talvez mais, não se sabe de onde vieram, foram tantas, algumas transportadas pela massa compacta que não lhes deixava espaço para pisar o chão, dirigiram-se ao estádio que logo tomou do dia o nome. O feriado do 1.º de Maio nasceu ali, tardio, exuberante, no rescaldo da ditadura fascista, com Abril fresco de cravos e Maio florido de sonhos. Não houve nesse dia merceeiros a fazer descontos, não ousaram escancarar as portas da provocação os ressentidos, não estiveram lá, certamente, Cavaco, Marcelo ou Ricardo Salgado. Era um ambiente assético, feito de emoção e fraternidade, onde cabia o sonho por entre cravos que floriam nas lapelas e discursos de sindicalistas a que se seguiram Francisco Pereira de Moura, Nuno Teotónio Pereira, Mário Soares e Álvaro Cunhal. De onde vinha a força que n...

Há vida para além da morte

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TAP e a alegoria de uma ‘gaivota que voava, voava’…

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A greve dos pilotos da TAP tem – apesar do ensurdecedor ruído à sua volta - muitos aspectos ainda incompreensíveis para os portugueses  link . Desde os acordos celebrados em Dezembro último e que agora são denunciados pelo sindicato por não assegurarem na plenitude os direitos adquiridos pelos trabalhadores (as medidas de defesa dos postos de trabalho não prevê qualquer sanção para o adquirente no processo de privatização), ao súbito revisitar do acordo de 1999 (que reservava 20% do capital accionista aos trabalhadores) e às acusações de gestão ruinosa da administração (a situação criada no Brasil não será um ‘facto acidental’), há um alargado leque de nebulosos argumentos. Nos últimos dias o ‘rodopio governamental’ à volta da greve manifestou-se de forma impressionante. Raramente os meios de comunicação social deram destaque às razões sindicais e, pelo contrário, têm imundado os portugueses com sonantes declarações oriundas da maioria governamental. O ar crispado c...

Notas soltas: abril/2015

Madeira – Comprometida a transparência eleitoral pelas trapalhadas surgidas, ficou um cheiro no ar, espécie de regresso ao passado, de onde a Região Autónoma nunca saiu. A maioria absoluta recorda 36 anos de Jardim e a dívida de 6 mil milhões de euros. Manoel de Oliveira – Aos 106 anos, faleceu o mais relevante cineasta português e mais antigo, a nível mundial. Por todo o mundo culto, a imprensa, não só a especializada, fez jus ao longevo e  grande criador, numa homenagem generalizada. Silva Lopes – Portugal perdeu um dos mais brilhantes e respeitados economistas, uma referência ética da política e da economia que mereceu a unanimidade, frequente entre nós, e o destaque internacional de grandes figuras da sua área. Tolice – Confrontado com a morte de Silva Lopes, José Pedro Aguiar Branco afirmou que Silva Lopes “teve a felicidade de partilhar este momento com Manoel Oliveira”. Há políticos que só acertam quando se calam. Agências de rating – Fitch, Standard ...

Vaticano e terrorismo islâmico

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Na sequência de uma gigantesca operação de combate ao terrorismo, foram detidos, em Itália, 18 suspeitos de planearem um atentado ao Vaticano. Os detidos, de nacionalidade paquistanesa e afegã, estariam ligados à Al-Qaeda. As detenções, noticiadas no dia 25 de abril p.p., desarticularam uma célula que em 2010 planeou atacar o Vaticano e cujos elementos têm pesado cadastro ao serviço da fé e do terrorismo. Não há multiculturalismo que resista a grupos de fanáticos, Estado de direito que pactue com terroristas travestidos de imigrantes, delinquentes da fé que não renunciam a impor preconceitos religiosos à sociedade civilizada e democrática que somos. O Vaticano pode ser uma teocracia negociada entre Mussolini e um papa de turno, mas a sede do catolicismo romano é muito mais do que isso. É o santuário das artes onde se guardam tesouros, local onde o esplendor da arquitetura, pintura e escultura transforma um bairro eclesiástico de 44 hectares em memória da civilização e da cultur...

A FRASE

"A geração dos novos deputados já nem o 25 de Abril viveu, mas até porque são deputados têm mais obrigação de conhecer a história, e para isso têm que aprender, têm de vir a coisas como estas, para não dizerem asneiras como costumam dizer". (Vasco Lourenço na intervenção na abertura do Colóquio "As eleições de 25 de abril de 1975 - História, Memória e Legados" na Assembleia da República, em Lisboa).

A "GERAÇÃO RASCA" DE POLÍTICOS EUROPEUS

Há em Direito Internacional um princípio básico: o da não ingerência de um Estado nos assuntos internos de outro Estado. Trata-se de um elemento essencial para que um Estado possa considerar-se independente e soberano. Em tempos recuados, a violação desse princípio podia desencadear uma guerra. Hoje felizmente já não é assim, mas ainda há poucas dezenas de anos essa violação provocaria um grave incidente diplomático que, a não ser sanado, poderia levar ao corte de relações diplomáticas entre os dois Estados. Hoje, porém, essas ingerências tornaram-se banais na Europa, sobretudo por parte dos dirigentes alemães contra os países do sul. Frau Merkel e Herr Schäuble não se coíbem de, com todo o desplante e a maior grosseria, interferir nos assuntos internos de outros países, chegando ao ponto de lhes dizer que têm de fazer certas reformas. Isso é gravíssimo. Mas mais grave ainda é o facto de os governantes desses países (com a recente exceção da Grécia), se sujeitarem a essas ingerências...

Menina de 12 anos…

Há notícias que nos oprimem entre o nojo e a indignação. Esquecemos o drama de 3 mil mortos e o desespero dos sobreviventes do Nepal, vítimas da fúria de um vulcão, os 700 mortos de muitos milhares de náufragos, no Mediterrâneo, à espera de chegarem a terra, tragédias que diariamente a comunicação social nos serve como se o nosso sofrimento pudesse aliviar as vítimas que nos exibem. A menina de 12 anos, grávida do padrasto que dela abusava desde os 6 anos e a violava desde os 10, internada no Hospital de Santa Maria, traz no ventre cinco meses de uma gravidez que ignorava e, entre a ética e a lei, aguarda a continuação da desdita de quem nunca foi menina e a quem a felicidade jamais será possível. Esta é uma situação em que não gostaria de ser médico, juiz ou membro da comissão de ética do hospital, onde não importa a interpretação da lei porque na pungência do drama pouco interessa o que a lei diz para quem o lacera a dúvida sobre o que deve ser feito. Há nesta tragédia, onde a ...

Equivalências do atual Governo

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Desde 8 de julho de 2013, o título "Dr." foi oficialmente consagrado em Diário da República para cidadãos habilitados com o 3.º ciclo liceal.

Factos & documentos

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O inimputável PM

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Há 78 anos – para que nunca se esqueça

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A tela (3,50 X 7,82 m) pintada a óleo representa o bombardeamento sofrido pela cidade espanhola de Guernica em 26 de abril de 1937 por aviões alemães, em apoio do ditador Francisco Franco. O crime nazi, apoiado pelo general golpista e genocida, inspirou a obra-prima de Pablo Picasso que, em 1937 por ocasião da Exposição Internacional de Paris, foi exposta pela primeira vez.

Acordo pré-eleitoral CDS/PSD: Day after …

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O acordo pré-eleitoral CDS/PP com o PSD ontem firmado link  foi um 'fogacho' pré-eleitoral mas parte de falsos pressupostos. Um deles é quem pediu, ou condicionou, em 2011, a intervenção externa perante uma difícil situação financeira que, tendo componentes internas, nasce de manobras especulativas do sistema onde assentam arraiais os ‘investidores’ (institucionais na sua maioria), travestidos como implacáveis e inomináveis ‘credores’. Quando, em 2011, o largo espectro político-partidário paoquial adoptou a solução de proceder a uma ruptura política interna não mediu as consequências. Uns (a Esquerda) rejeitaram a austeridade pensando que existiriam outras soluções alternativas, outros (a Direita) embrulharam-se em promessas de ‘cortes nas gorduras’ do Estado, jurando poupar os cidadãos.   Ambos estes cenários revelaram-se absolutamente fantasiosos. E o custo desta ‘fantasia’ recaiu sobre os portugueses. Há, todavia, uma categórica afirmação que passados 4 a...

O meu desejo

Não creio que o conjunto da dívida pública, privada e das empresas possa algum dia ser paga por Portugal. Há erros nossos, com certeza, e com mais certeza, ainda, do sistema capitalista para o qual não se veem alternativas democráticas. Nem exemplos alheios.   A curto prazo teremos de viver da esperança infundada e de justificadas certezas de que não teremos pior Governo, tão desvairada maioria e tão inepto PR, depois de o povo ser chamado às urnas. O que poderemos ter é uma instabilidade que nos desgrace perante a teimosia do PR, que persiste em não antecipar em dois meses as eleições que, a troco da submissão do PS, prometia para 15 meses antes. O PSD e o CDS, que ontem anunciaram o conúbio eleitoral, depois da desastrada união de facto, com saídas de casa e adultérios recíprocos, com o sacristão de serviço a ungir a promiscuidade, garantem a progressão da inépcia e a ausência de um módico de respeito pelo serviço público e pela legalidade democrática. Com um terço dos e...

Autocrítica ou recado do PSD?

"Ao fim de quatro décadas de democracia, os agentes políticos devem compreender, de uma vez por todas, que a necessidade de compromissos interpartidários é intrínseca ao nosso sistema político e que os portugueses não se reveem em formas de intervenção que fomentam o conflito e a crispação e que colocam os interesses partidários de ocasião acima do superior interesse nacional", afirmou o chefe de Estado na sessão solene do 25 de Abril, na Assembleia da República.