Afinal vai haver oposição... (2)

Por
E - Pá
A História repete-se, da primeira vez como farsa, da segunda como tragédia...
Quando escreveu esta asserção, no "O 18 de Brumário de Louis Bonaparte", final do século XIX (1851-52), Karl Marx, filósofo e economista que influenciou o pensamento político, económico e social durante a segunda metade do século XIX e início do séc. XX, não pensava em Cavaco Silva.
...Estava, outrossim, preocupado e desiludido com a situação política nos primórdios do movimento operário que, entretanto, acabava de ser sufocado pela "Ordem".
Mas a história repete-se...não só a Grande História do Mundo e da Humanidade mas, também, a pequena história..., a "baixa política", o enredo populista.
Cavaco Silva viveu a farsa montada, em 1985, por Ramalho Eanes.
Todos conhecemos o conteúdo burlesco, manhoso, ilusório da modalidade teatral. Foi esse tipo de representação que Eanes montou ao Governo de Cavaco, cavalgando o PRD...
Neste momento, torna-se claro e visível que a sua determinação de "cooperação" é, obviamente, uma burlesca repetição de dramáticos ciclos históricos.
Em 1987, Cavaco dirigia um governo minoritário à mercê de todas as disputas partidárias, perante um ambiente político devastado pela (aparente) queda do "bloco Central", pelo que foi possível e fácil - a farsa.
Hoje mais de 20 anos depois, numa democracia mais sedimentada e consistente, com um governo (ainda) detentor de maioria absoluta, Cavaco Silva pode, perante a confrangedora inépcia do PSD, estar a ser empurrado para protagonizar uma tragédia, isto é, uma representação dramática que - em súmula - envolve um conflito entre um personagem e algum poder de instância maior, como a lei ou a sociedade.
Muito, mais próximo da actual realidade, este prenúncio trágico de Cavaco que foi representado na campanha eleitoral de "cooperação estratégica"...sem que alguém fosse capaz de explicá-lo.
Bem, estamos à beira de um "pesado" ciclo eleitoral.
É notória a degradação entre o Governo e o PR. O País sente que, dessa eventual e já deteriorada cooperação, pouco, ou nada, pode esperar.
Assim, terminado este ciclo de europeias, autárquicas e legislativas que, decorrerá rápido como o ritmo do pulsar do Mundo em tempos de crise, podemos levantar o pano de boca e projectar para a grande plateia nacional a representação das presidenciais, porque, no fundo, não existem, em política, situações coerentes, quanto mais, idílicas...
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