Li no excelente blogue De Rerum Natura , num post de Carlos Fiolhais , o seguinte: «De facto, o candidato a rei é autor de um opúsculo laudatório do Beato Nuno, onde se pode ler esta pérola: “Q uando passava de Tomar a caminho de Aljubarrota, a 13 de Agosto de 1385, D. Nuno foi atraído a Cova da Iria, onde, na companhia dos seus cavaleiros, viu os cavalos do exército ajoelhar, no mesmo local onde, 532 anos mais tarde, durante as conhecidas Aparições Marianas, Deus operou o Milagre do Sol» (“D. Nuno de Santa Maria - O Santo” , ACD Editores, 2005).»
Fiquei maravilhado com o que li e, sobretudo, por saber que o Sr. Duarte Pio escreve.
O Sr. Duarte Pio, suíço alemão, da família Bourbon, imigrante nacionalizado português pela conivência de Salazar e pelo cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, podia emprestar a imagem às revistas do coração mas precaver-se contra a ideia de publicar opúsculos.
Claro que não é necessário saber falar para escrever e, muito menos, ...
Comentários
Quando escreveu esta asserção, no "O 18 de Brumário de Louis Bonaparte", final do século XIX (1851-52), Karl Marx, filósofo e economista que influenciou o pensamento político, económico e social durante a segunda metade do século XIX e início do séc. XX, não pensava em Cavaco Silva.
...Estava, outrossim, preocupado e desiludido com a situação política nos primórdios do movimento operário que, entretanto, acabava de ser sufocado pela "Ordem".
Mas a história repete-se...não só a Grande História do Mundo e da Humanidade mas, também, a pequena história..., a "baixa política", o enredo populista.
Cavaco Silva viveu a farsa montada, em 1985, por Ramalho Eanes.
Todos conhecemos o conteúdo burlesco, manhoso, ilusório da modalidade teatral. Foi esse tipo de representação que Eanes montou ao Governo de Cavaco, cavalgando o PRD...
Neste momento, torna-se claro e visível que a sua determinação de "cooperação" é, obviamente, uma burlesca repetição de dramáticos ciclos históricos.
Em 1987, Cavaco dirigia um governo minoritário à mercê de todas as disputas partidárias, perante um ambiente político devastado pela (aparente) queda do "bloco Central", pelo que foi possível e fácil - a farsa.
Hoje mais de 20 anos depois, numa democracia mais sedimentada e consistente, com um governo (ainda) detentor de maioria absoluta, Cavaco Silva pode, perante a congragedora inépcia do PSD, estar a ser empurrado para protagonizar uma tragédia, isto é, uma representação dramática que - em súmula - envolve um conflito entre um personagem e algum poder de instância maior, como a lei ou a sociedade.
Muito, mais próximo da actual realidade, este prenúncio trágico de Cavaco que foi representado na campanha eleitoral de "cooperação estratégica"...sem que alguém fosse capaz de explicá-lo.
Bem, estamos à beira de um "pesado" ciclo eleitoral.
É notória a degradação entre o Governo e o PR.
O País sente que, dessa eventual e já deteriorada cooperação, pouco, ou nada, pode esperar.
Assim, terminado este ciclo de europeias, autarquicas e legislativas que, decorrerá rápido como o ritmo do pulsar do Mundo em tempos de crise, podemos levantar o pano de boca e projectar para a grande plateia nacional a representação das presidenciais, porque, no fundo, não existem, em política, situações coerentes, quanto mais, idílicas...