A tragédia grega e as suas réplicas…

É cada vez mais evidente o desfecho que as medidas de resgate “austeritárias” provocam nos países em dificuldades financeiras e orçamentais da Zona Euro.
O exemplo [o alerta] vem da Grécia, primeiro país da Zona Euro a ser intervencionado pela “troika” FMI/BCE/EU, que continua a braços com uma crise financeira.
Jens Bastian, analista da Eliamep [*], uma fundação independente, em Atenas, acha que o filme desta tragédia grega começa a ser claro: ontem o resgate, hoje a reestruturação da dívida, amanhã o default. link

Este impiedoso, sequencial e fatídico “trajecto” – resgate, reestruturação e insolvência - não pode deixar de pesar sobre o “resgate” português em curso. Na realidade, estamos em vésperas de conhecer o “programa” desenhado pela troika – com vista ao resgate financeiro - que afectará, por alguns anos, a trajectória política do País. Desse programa sairão, com toda a certeza, uma panóplia de opções neoliberais que condicionarão o futuro dos portugueses. Apesar desta certeza [política] não será líquido que, em 2013, o País tenha conseguido o equilíbrio orçamental, diminuído a dívida externa e possa regressar aos “mercados”, sem ser vítima de especulação. Portanto, podemos estar a comprar um logro.
A estafada diferenciação entre a situação grega e portuguesa é, cada vez mais, uma superficialidade. O problema envolve toda a Zona Euro. E sendo prioritário defendê-la para conseguir consolidar a UE, começa a ganhar terreno a evidência de que terá chegado a altura de fazer uma reavaliação estratégica para acertar agulhas com vista a travar um combate eficiente à actual crise financeira e orçamental [não só nos países periféricos].

As actuais soluções esgotam-se, no horizonte de curto e médio prazo, sem que surjam resultados credíveis. Visível é o retrocesso do nível de vida, o estiolar do Estado Social e o mergulho de amplas camadas da população na miséria.
As recriminações sobre os trajectos percorridos pelos países neste momento sob resgate ¬– muitas com fundamento – são uma maneira de iludir os problemas, exorcizar nacionalismos reaccionários, não acrescentando nada às soluções. São inaceitáveis as simplistas conclusões de que os Países a necessitar de resgate viveram acima das suas posses. Na verdade, os cidadãos desses Países foram aliciados para incorporarem uma sociedade de consumo, vendida pelos políticos que, no fim da linha, trouxe largos proventos ao sector financeiro.

Estas incongruências tornam actuais palavras de Bertolt Brecht:
"Toda manhã, para ganhar meu pão, vou ao mercado onde se compram mentiras. Esperançoso, entro na fila dos vendedores”.

No lugar das recriminações desagregadoras – como são as duras críticas aos "PIGS" por parte de políticos do Centro e Norte da Europa e agora a intolerável pressão da extrema-direita finlandesa - o melhor seria debruçar-nos sobre a evolução do "sufoco grego" e tirarmos as devidas ilações. Porque não será possível viver por muito mais tempo parasitando ilusões ou sofrendo pesadas sansões.
Cada dia que passa, ou cada novo país que sofre um “bailout”, não tem sido mais do que uma nova oportunidade de negócios para os “mercados”…

Até quando as ineficazes opções da Comissão Europeia, Conselho Europeu, Ecofin, Banco Central Europeu, etc., persistirão?

[*] - Fundação Helénica para a Europa e Política Externa link

Comentários

Ao Ponte Europa

Há 2 semanas que não aparece a crónica das quintas-feiras que o Carlos Barroco Esperança costuma publicar aqui e no 'Sorumbático'.
Tenho tentado contactá-lo por mail, mas sem êxito.
Alguém sabe se está tudo bem com ele?
Idêntica pergunta fiz eu, na semana passada, e fiquei sem resposta.
e-pá! disse…
Caros Carlos Medina Ribeiro e Alexandre de Castro:

Em resposta ao solicitado agradecia contacto para o seguinte endereço de e-mail:
joaoduartefreitas@gmail.com

Um abraço

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