A Grécia e a Madeira

A Grécia está para a União Europeia como a Madeira para Portugal. São partes do todo. A amputação de uma parcela é a cicatriz incurável no corpo e no espírito do conjunto.

A Madeira, tal como a Grécia, não teve, na governação de direita, um executivo à altura das necessidades nem uma economia capaz de resistir à crise do capitalismo financeiro e das dívidas soberanas. Seria trágico deixar perpetuar as forças que confiscaram uma e outra, apoiar os interesses que aprofundaram o caos e permitiram o parasitismo durante décadas.

O que surpreende é a obstinação da UE em preferir na Grécia um Governo que mostrou a incapacidade e falta de patriotismo em vez de outro que se empenha na erradicação da corrupção e no relançamento económico, assumindo os compromissos, ora impossíveis de cumprir, quando a economia crescer, o que, com os atuais apertos, é impossível.

Não haverá quaisquer benefícios para ninguém e todos têm muito a perder. A obsessão do Eurogrupo é de natureza ideológica. Prefere um desastre a soluções pragmáticas que só o atual Governo grego propôs e está determinado a pôr em prática.

O totalitarismo ideológico da bíblia neoliberal considera pecado mortal qualquer desvio à vulgata. É o abismo que nos propõe.  

Se Portugal tratar a Madeira como a União Europeia trata a Grécia, estaremos a amputar uma parte de nós mesmos. Não podemos ser cínicos e fazer a uma parcela nossa, que teve a desdita de ser governada por um irresponsável, o que a UE ameaça fazer à Grécia que, tal como a madeira, teve um Governo inapto, irresponsável e com clientelas pouco recomendáveis.

A dívida da Madeira, per capita, é capaz de ser superior à da Grécia.

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