A Grécia, Portugal e a tacanhez

Quando, no início da década de 70 do século passado, o Governo de Marcelo Caetano, atribuiu uns magros subsídios aos rurais, onde grassava a mais confrangedora pobreza, os pobres menos pobres e mais miseráveis, apressaram-se a denunciar os beneficiários.

Porque tinham a leira de terra ou um filho que emigrara, porque o sexagenário curvado com meio século de enxada, de sol a sol, ainda podia ir ganhar o jornal, ou a idosa que devia cultivar a horta abandonada por falta de forças, tudo servia, numa disputa egoísta, para refutar míseros escudos que mudavam a fome que matava na que mantinha a vida.

Lembrei-me deste espetáculo sombrio, das aldeias da minha juventude, quando o PM do meu país, depois de insultar o povo grego, se opôs à solidariedade que lhe é devida e ao respeito que o eleitorado merece. E não lhe faltou, à guisa de jogral, o eco de Belém, na mesma lamúria do empréstimo em risco, só comparável à dificuldade de pagar as contas quando a lei o impediu de acumular reformas e vencimento.

E, para que o cálice da vergonha se esgotasse até à última gota, a ministra das Finanças serviu de mascote ao poderoso ministro alemão na foto da desonra.

Não sou cínico. Sei que não merecíamos este Governo.

Comentários

e-pá! disse…
Hoje o Eurogrupo aprovou o plano apresentado pela Grécia (cujo conteúdo integral não é conhecido em pormenor).
Todavia, as reacções do FMI e do BCE mostram a clara intenção de estarem dispostos a cozinhar o Governo grego em 'lume brando'.
O que se encaixa na estratégia (de descredibilização) do ministro Wolfgang Schauble...
O 'concerto europeu' continua a tocar sob a batuta do mesmo maestro.

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