Relatório FMI e petulantes ‘criancices’…

O relatório de avaliação ‘pós-programa’ de um dos mais implacáveis credores (FMI) é um terrível libelo para as fanfarronices pré-eleitorais do Governo Passos Coelho.

Para além da correcção – baseada na realidade – das taxas de desemprego que têm feito um intermitente (conforme as oscilações dos dados oficiais do INE) enbandeirar em arco da maioria parlamentar e dos dirigentes partidários da Direita link, o dito relatório acusa o Governo de não ter levado a cabo 2/3 das reformas previstas no Memorando e/ou outras que foram sendo ‘contratualizadas’ à sorrelfa no decurso do ‘programa de ajustamento’ link.
Para um bom aluno que se disponibilizou a ‘ir para além da troika’ não será elogioso, nem uma boa peça curricular (para a carreira de serventuário).

Os números da taxa de desemprego ‘oficial’ são uma ponta do iceberg e chocam com a taxa real (à volta dos 20,5%) calculada pelo ‘insuspeito’ FMI sem entrar em linha de conta com os trabalhadores que emigraram link. Os números exibidos pela maioria – designadamente na última sessão do Governo no Parlamento - são como demonstra o citado relatório uma execrável (e tosca) manipulação política.
 
Por outro lado, as ditas ‘reformas estruturais’ (vulgo: cortes cegos) teriam ficado muito aquém do desejado pelo organismo financeiro mundial desígnio que tem sido permanentemente acompanhado pelos órgãos comunitários (Comissão Europeia, Conselho Europeu, Eurogrupo, Eurofin, etc.).
 
O Governo faz gala em afirmar, numa cavalgada discriminatória, imbecil e eurofóbica, de que ‘não somos a Grécia’. Ao olhar para os desejos expressos pelo FMI é de crer que só não chegamos à tragédia que assaltou os gregos (humanitária, social, económica e financeira) porque o Tribunal Constitucional não  o permitiu. 
De resto, a narrativa da actual maioria assemelha-se, isso sim,  a uma insípida e pouco imaginativa ‘história de crianças’ …

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