Notícias do meu País…

A notícia que invadiu hoje o País diz respeito à Segurança Social e refere o incumprimento das prestações contributivas do actual primeiro-ministro durante 5 anos (entre 1999 e 2004) link.

Claro que no País das prescrições (selectivas?) esta situação tal como outras que lhe foram imputadas em relação ao ‘caso Tecnoforma’ serão águas passadas e contas para assentar no tecto.
O facto do primeiro-ministro ter pago (na totalidade ou em parte) as prestações em atraso acarreta a impossibilidade (desistência) de invocar a prescrição. Portanto, com este gesto repositor, o caso em vez de resolvido, regressa à luz do dia em toda a sua plenitude.

É previsível o que ocorreria em situação similar a um vulgar cidadão. Acrescida do ‘rigor’ verificado no ‘ajustamento em curso’ – sustentado por tiradas político-filosóficas de Passos Coelho – as consequências seriam dramáticas de que não estariam a salvo, p. exemplo, a penhora da habitação.
Penso que não existirá um só português que aceite a desculpa do primeiro-ministro. Não pagou em devido tempo e como era devido e, agora, assaca a responsabilidade para a Segurança Social que não o terá informado atempadamente do seu incumprimento. A questão processual e burocrática que Passos Coelho pretende assacar à Segurança Social em termos de uma falha de notificação, nunca poderá esconder – ou justificar - o 'delito primário', i. e., o incumprimento das obrigações com a segurança social, um dever de todos os trabalhadores.

Mais uma vez Passos Coelho mostra a sua perplexidade em relação a estes 'strip-teases' que a imprensa vai revelando. Negou-se invocando púdicos motivos a fazê-lo em relação às contas bancárias referentes ao tempo de deputado e 'colaborador' da Tecnoforma e agora invoca o mesmo estatuto de reserva em relação às suas contribuições sociais.

Agora percebemos a hipocrisia de um Governo presidido por este (não notificado) infractor que pretendeu – em 2012 – ‘mexer’ na TSU … criando uma monumental indignação popular.

Bem, este novo imbróglio traz-me à memória a ‘Trova do vento que passa’ onde o poeta diz: “Pergunto ao vento que passa/ Notícias do meu País/ E o vento cala a desgraça/ O vento nada me diz”

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