Momento de poesia


Quero que a vaca de Berlim deixe de dar leite

[Poema panfletário de sabor anarquista]

Ao povo da Grécia

Quero que a vaca de Berlim deixe de dar leite
e que o Lutero de Atenas pregue as suas teses
no portão vermelho da catedral da Acrópole.

Que o monstro, a abarrotar de banha e maldade,
se suicide, como o Hitler, nas labaredas do bunker
num sacrifício perpétuo
em memória das vítimas da fome.

Que venha a nova Reforma
a nova Bíblia dos desventurados
rasgar os céus com raios e coriscos
e iluminar a esperança dos dias.

Abatam-se ao inventário
os palácios de todos os vaticanos
o de Bruxelas e o de Berlim
e decrete-se o fim das gravatas
dos fatos cinzentos
dos sorrisos postiços
dos salamaleques forçados
e dos discursos enfatuados a cheirar a mofo.

Que venha a Revolução
amarrem os agiotas e os lacaios
e deixem-nos a secar nos ramos das figueiras.

Venham todos para a rua,
com as bandeiras desfraldadas,
arrancadas  do fundo dos baús,
para celebrar o fim da escravatura.

Venham, venham todos
para exorcizar a tortura da ditadura dos mercados
destruir os buracos cavernosos dos off-shores
e ouvir o último arroto dos banqueiros.

Venham, venham todos!...

Alexandre de Castro


Lisboa, Fevereiro de 2015

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