A direita rancorosa mantém atiradores de turno_2

A direita rancorosa não vai de férias_2

Como se pode verificar, os indefetíveis guardiões da direita trauliteira surgiram no meu mural do Facebook, local bem frequentado, para destilar a raiva que os domina e bolçar imprecações. Não foram de férias, ficaram de turno.

Não serei mais isento do que eles, mas não vou aos antros de onde saem para defender as ideias que os perturbam, as verdades que os ofendem e o passado que os envergonha.

A democracia é feita do confronto de ideias, do exercício da cidadania e da opção entre modelos políticos, e não é com pessoas que fecham as suas caixas de comentários, que temem o pluralismo e sentem a nostalgia da ditadura e do império, que se dialoga.

Só aprendeu a amar a liberdade quem sente a necessidade de a defender. A longa noite fascista, povoada de medos e torturas, com perseguições e censura, é a vacina da minha geração. Não esquecemos os que lutaram contra a opressão, os que morreram na prisão e no degredo, os que resistiram à tortura e ao ostracismo, os que emigraram para fugir à fome, os assassinados pela Pide e os que a ditadura sacrificou na guerra colonial, que a loucura fascista prolongou até à derrota.

Os visitantes que aqui vieram a espumar de raiva e a insultar, são filhos dos cúmplices da ditadura, nostálgicos do salazarismo ou da pífia encarnação cavaquista, ressentidos com a liberdade que uma madrugada de Abril trouxe ao povo português.

Se os insultos à democracia servem de catarse, é mais um serviço que este mural presta, deixando-os vociferar contra os democratas, a eles que, se pudessem, não permitiam ser contrariados.

Talvez ignorem que o abutre de Santa Comba deixou um país arcaico, com elevadíssima taxa de mortalidade infantil e materno-fetal, campeão do analfabetismo, onde nem os funcionários públicos tinham direito a qualquer assistência médica ou medicamentosa, com a esperança de vida dos portugueses cerca de vinte anos menor do que a atual.

Os defensores desta direita que confiscou o PSD e o CDS não imaginam como eram os seus fundadores e não distinguem Cavaco e Santana Lopes, de Sá Carneiro e Magalhães Mota ou Paulo Portas e Assunção Cristas, de Freitas do Amaral e Amaro da Costa, com outra dimensão ética e cultural, com o sentido de Estado que faltou aos sucessores.
 
Na discussão, mostram que é parca a cultura política e nula a formação cívica. Talvez a sua passagem pelo meu mural recupere alguns cujo ressentimento é fruto da ignorância e do ninho de vespas da madraça juvenil onde se formaram e formataram.

Apesar de tudo, todos são aceites, desde que a linguagem seja urbana, ainda que o coeficiente cívico seja o que exibem.

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