A fábula coreana e a rábula de Singapura...


Acabou no charco a idílica propaganda sobre o êxito da cimeira de Singapura, onde um Trump triunfante anunciou, um ‘acordo de princípio’, com Kim Jong-un.
No seguimento desse mediático encontro já tínhamos detetado e exposto algumas inconformidades e outras tantas contradições link.
 
O alarde de uma vitória diplomática ou, mais exagerado, do triunfo de uma  hipotética linha estratégica na política internacional de Washington em prol da Paz foi – como na altura referimos – manifestamente exagerado link.
 
A lógica subjacente ao acordo de Singapura foi trocar a desnuclearização da Península (não só do território setentrional) pelo desenvolvimento da Coreia do Norte.
Passados poucos dias, em franca contradição com o celebrado no final da cimeira de Singapura, Trump decide renovar as sanções contra o regime de Pyongyang (que se arrastam há mais de 10 anos) link. Em português coloquial chama-se a isto ‘dar uma no cravo, outra na ferradura’. Ou, se quisermos, usando uma linguagem das cartadas da sueca, destrunfar (‘destrumpar’?) à cabeça.
 
No final do mês de Junho – pouco mais de 2 semanas após da cimeira de Singapura - surgem notícias de que a espionagem por satélite tinha detetado imagens através do 38 North link, um website de observação civil (comercial?), cuja fidelidade da análise está expressa no termo ‘aparente’ (“No Apparent Dismantlement Activities at Sohae Engine Test Site as of June 12”).
 
Existe uma notória degradação das relações entre Washington e Pyongyang. Uma nova visita do secretário de Estado Mike Pompeo à Coreia do Norte – a 3ª. no espaço de poucas semanas – traduz esta situação.
 
O comentário do Ministério dos Negócios Estrangeiros Norte-Coreano sobre esta última visita revela – para bom entendedor – que a cimeira de Singapura, ao contrário do propalado pela Administração Trump, fracassou nos seus propósitos mais imediatos. Classificar a posição do secretário de Estado norte-americano como “regrettablelink  para quem tem um mínimo de sensibilidade sobre a prudência e paciência orientais esta linguagem diplomática diz tudo.
 
Durou pouco a encenação pacifista e negocial de Donald Trump. Na verdade, por mais que estrebuche as questões internacionais sérias e eventualmente belicosas fogem-lhe ao controlo e ainda bem porque a sua clarividência é pouca ou nenhuma.
 
Cada vez mais o mito da “America, Great Again!” é uma fábula para contar às criancinhas assim do estilo da fantasiosa e perdulária bondade do Pai Natal.
 
A questão coreana - que se arrastada há dezenas de anos - só será resolvida com a participação da China e, eventualmente, da Federação Russa (como sugere a imagem que inserimos). Ou, então, no seio o órgão próprio – a ONU.
 
Entretanto, a Paz no Mundo balanceia-se numa corda bamba onde um tresloucado espécime a cavalo de um nacionalismo bacoco e um chico-espertismo saloio logrou agarrar uma das pontas desse frágil cardaço, que nos envolve a todos.

Comentários

-- disse…
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