A ditadura, os seus crimes e outras memórias

Em 10 de julho de 1973, há 45 anos, Marcelo Caetano negou o massacre de Wiriyamu, em Moçambique, revelado na véspera pelo jornal The Times. As cerca de 400 vítimas civis tiveram um eco a que a ditadura fascista não estava habituada e, como de costume, mentiu uma vez mais.
Recordei o assassinato de Humberto Delgado, que Salazar logo atribuiu aos comunistas, porque também ontem, em 2006, morreu aos 91 anos o chefe da brigada, Rosa Casaco, que assassinou o general que enfrentou o ditador.

Os alegados brandos costumes a que se referia o déspota, responsável por 7481militares mortos, 1852 amputados e 220 paraplégicos, vítimas da guerra colonial, não registam as vítimas do outro lado e o sofrimento imposto pela ditadura aos povos de Portugal e aos das colónias.

O massacre de Wiriyamu é o paradigma de um crime gratuito e execrável, mas não pode fazer esquecer as armas usados na repressão dos movimentos de libertação cuja origem e natureza nunca são referidas, enquanto a ditadura é braqueada.

Esquecem-se os massacres com que o regime começou, e até as últimas vítimas da Pide, Fernando Carvalho Gesteira, José James Barneto, Fernando Barreiros dos Reis e José Guilherme Rego Arruda, assassinados a tiro pelos pides acoitados na sede, R. António Maria Cardoso, já no glorioso dia 25 de Abril de 1974.

Hoje, Dia da Independência de S. Tomé e Príncipe, há 43 anos, (12 de julho de 1975), é justo recordar o massacre de Batepá, em que o governador, coronel Carlos Gorgulho, instigou os portugueses proprietários de terras contra os trabalhadores negros que desobedeceram ao regime de escravatura nas plantações de café e cacau. Assassinaram largas centenas, talvez mais de um milhar de homens, mulheres e crianças que em 1953 tiveram o azar de ser pobres e negros numa colónia da ditadura fascista de Salazar.

Esses são os que a Dr.ª Cristas ignora quando exige agora, 6 governos provisórios e 21 governos constitucionais depois, a indemnização aos espoliados (os dela), onde talvez seja parte interessada diferidos por vários anos, quando os montantes forem excessivos.

Dos massacres em Angola, do Campo de tortura de S. Nicolau, do diretor gen. Soares Carneiro, que o PSD e o CDS apoiaram para PR contra Eanes e que, depois da derrota, regressou à vida ativa e Cavaco fez CEMGFA, nunca ouviu falar aos pais. Só do que lá deixaram.

Sim, estou a falar de Assunção Cristas cuja lei do arrendamento, no Governo Passos & Portas, permitiu cinco anos de transição, para que o efeito caísse sobre este Governo, e que já permite a renegociação das rendas ou o despejo como destino imediato. Para os inquilinos é a rua que lhes é destinada, enquanto este Governo procura minimizar a tragédia criada pela insensibilidade implacável da direita extremista que o precedeu.

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